LIÇÃO 57 — REVISÃO I: LIÇÕES 31 A 35

Lição 57 de Um Curso em Milagres: Revisão I das Lições 31 a 35, reflexão sobre vitimização, mudança de percepção, paz, liberdade interior, santidade e Mente de Deus

365 Dias com Um Curso em Milagres

Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior

A REVISÃO DE HOJE

Na Lição 57, continuamos a Revisão I de Um Curso em Milagres.

Hoje revisitamos as ideias das Lições 31 a 35.

Este conjunto é profundamente libertador porque começa questionando a sensação de aprisionamento e termina mostrando que:

a mente possui poder para escolher paz em vez de guerra.

As cinco ideias de hoje são:

• 1. Eu não sou vítima do mundo que vejo.

• 2. Eu inventei o mundo que vejo.

• 3. Existe um outro modo de olhar o mundo.

• 4. Eu poderia ver paz em vez disso.

• 5. A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.

As quatro primeiras aparecem diretamente na sequência da revisão, mostrando um movimento que vai da libertação da condição de vítima até a possibilidade de escolher a paz.

O TEMA CENTRAL DA LIÇÃO 57

A revisão de hoje forma uma sequência poderosa:

não sou vítima

porque:

minha percepção participa da construção do mundo que experimento.

Se participei dessa construção:

posso aprender a olhar de outra maneira.

E se posso olhar de outra maneira:

posso ver paz em vez de conflito.

A última ideia aprofunda ainda mais essa mudança:

minha mente não está separada de Deus.

O movimento central da Lição 57 é:

• sair da impotência;

• reconhecer responsabilidade mental;

• descobrir outra maneira de ver;

• escolher paz;

• recordar uma identidade que não nasce do medo.

1. EU NÃO SOU VÍTIMA DO MUNDO QUE VEJO

A primeira ideia afirma:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

O comentário da revisão usa uma imagem muito forte.

Ele afirma que não podemos ser vítimas de um mundo que pode ser desfeito em nossa percepção quando escolhemos abandonar o sistema de pensamento que nos mantém presos.

O texto fala de:

correntes que já estão soltas;

uma porta da prisão que está aberta;

liberdade disponível quando deixamos de desejar permanecer presos à antiga percepção.

ESSA IDEIA NÃO SIGNIFICA NEGAR SITUAÇÕES EM QUE UMA PESSOA REALMENTE FOI PREJUDICADA

Isso é essencial.

A frase:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo”

não deve ser usada para dizer a alguém:

“Você causou aquilo que aconteceu com você.”

O treinamento está trabalhando com:

a posição mental diante da experiência.

Uma pessoa pode ter sofrido:

• injustiça;

• perda;

• violência;

• engano;

e ainda trabalhar interiormente para não permitir que aquilo se torne:

sua identidade definitiva.

EXISTE UMA DIFERENÇA ENTRE TER SIDO VITIMADA E FAZER DA VÍTIMA UMA IDENTIDADE PERMANENTE

Um acontecimento pode ser real.

O dano pode exigir:

• reparação;

• limite;

• justiça;

• proteção.

Mas a mente pode começar a aprender:

“Isso aconteceu comigo, mas não precisa definir tudo o que sou.”

A PRISÃO DESCRITA PELO CURSO É MENTAL

O comentário diz que:

a porta está aberta.

Essa imagem sugere que a prisão continua porque alguma parte da mente ainda acredita:

que precisa permanecer nela.

COMO UMA MENTE PODE PERMANECER PRESA?

Repetindo:

• ressentimento;

• medo;

• culpa;

• autoimagem de impotência;

• histórias antigas.

Talvez o acontecimento tenha terminado.

Mas mentalmente:

ele continua acontecendo.

LIBERTAR-SE NÃO SIGNIFICA DIZER QUE O QUE ACONTECEU FOI ACEITÁVEL

Significa:

recusar-se a permitir que o passado continue governando a mente.

UMA FRASE IMPORTANTE PARA ESTA PRÁTICA

“Posso reconhecer o que aconteceu sem transformar aquilo na definição permanente de quem sou.”

PRÁTICA PARA A PRIMEIRA IDEIA

Quando sentir:

“Não tenho escolha.”

pare.

Diga:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

Depois pergunte:

• Existe alguma escolha mental que ainda posso fazer?

• Posso escolher minha resposta?

• Posso estabelecer um limite?

• Posso parar de alimentar alguma história?

• Posso pedir ajuda?

• Posso escolher não continuar me condenando?

2. EU INVENTEI O MUNDO QUE VEJO

A segunda ideia afirma:

“Eu inventei o mundo que vejo.”

O comentário usa novamente a metáfora da prisão.

Ele diz que inventamos a prisão na qual acreditamos estar e que reconhecer isso abre a possibilidade de liberdade.

O texto também afirma que o Filho de Deus permanece como Deus o criou e não pode ser transformado naquilo que uma percepção equivocada tentou fazer dele.

ESSA É UMA DAS IDEIAS QUE MAIS PRECISAM DE CONTEXTO

O Curso não está necessariamente dizendo:

“Você fabricou todos os acontecimentos físicos que lhe ocorreram.”

Ele está desenvolvendo sua metafísica da percepção.

Na aplicação prática:

construímos interpretações sobre aquilo que vemos.

O MUNDO PSICOLÓGICO QUE EXPERIMENTO É FORMADO POR SIGNIFICADOS

O mesmo acontecimento pode tornar-se:

prova de fracasso

ou:

oportunidade de aprendizado.

Uma crítica pode significar:

“Não tenho valor”

ou:

“Existe algo que preciso avaliar.”

Um fim pode significar:

“Minha vida acabou”

ou:

“Uma fase terminou.”

NÃO CONTROLAMOS TUDO O QUE ACONTECE

Mas participamos profundamente daquilo que:

fazemos significar.

Essa distinção evita transformar a ideia em culpa.

SE EU PARTICIPO DO SIGNIFICADO, TENHO PODER DE REVISÃO

Se um pensamento diz:

“Nada dará certo.”

posso perguntar:

“Isso é um fato ou um mundo que minha mente está construindo?”

Se digo:

“Todos me abandonam.”

posso perguntar:

“Estou transformando acontecimentos passados numa lei universal?”

RECONHECER QUE INVENTEI UMA INTERPRETAÇÃO NÃO É AUTOCONDENAÇÃO

É:

recuperar poder de escolha.

Se eu acreditasse que minha percepção fosse simplesmente uma realidade objetiva imutável:

nada poderia mudar.

Mas se existe construção mental:

existe possibilidade de correção.

PRÁTICA PARA A SEGUNDA IDEIA

Quando uma interpretação parecer absoluta, diga:

“Eu inventei o mundo que vejo.”

Depois pergunte:

• Que significado dei a isso?

• Que história estou contando?

• Que papel atribuí a mim?

• Que papel atribuí à outra pessoa?

• Essa é a única interpretação possível?

3. EXISTE UM OUTRO MODO DE OLHAR O MUNDO

A terceira ideia é:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

O comentário explica que, se o propósito que demos ao mundo não é seu verdadeiro propósito, então:

precisa existir outra maneira de vê-lo.

O texto afirma que vemos as coisas “de cabeça para baixo” e convida a transformar a percepção do mundo como prisão em uma percepção de mundo como lugar no qual a libertação pode ser encontrada.

ESSA É UMA IDEIA DE GRANDE ESPERANÇA

Talvez você ainda não saiba:

qual é a outra maneira.

Não importa.

O primeiro passo é admitir:

ela existe.

MUITAS VEZES NOSSO SOFRIMENTO É AUMENTADO PELA CRENÇA:

“Não existe outra maneira.”

“Essa pessoa nunca mudará.”

“Eu nunca vou mudar.”

“Esse problema não tem saída.”

“Só existe uma interpretação.”

A Lição 57 introduz:

possibilidade.

OUTRO MODO DE OLHAR NÃO É NECESSARIAMENTE OPOSTO AO PRIMEIRO

A mente pode pensar:

“Se não é terrível, então preciso achar maravilhoso.”

Não.

Às vezes a nova percepção é simplesmente:

mais ampla.

Por exemplo:

“Isso foi doloroso, mas não define toda a minha vida.”

Ou:

“Esse comportamento foi inadequado, mas não preciso transformar a pessoa em inimiga eterna.”

UMA NOVA VISÃO PODE INCLUIR LIMITES

Ver de maneira diferente não significa:

abandonar discernimento.

Você pode perceber:

“Preciso sair desta situação.”

Isso também pode ser uma visão mais clara.

UMA NOVA VISÃO PODE INCLUIR PERDÃO SEM RECONCILIAÇÃO

Você pode dizer:

“Não quero mais carregar ódio.”

E também:

“Não quero retomar essa relação.”

Essas duas coisas podem coexistir.

PRÁTICA PARA A TERCEIRA IDEIA

Quando pensar:

“Só existe uma saída.”

ou:

“Só existe uma maneira de entender isso.”

diga:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

Depois:

não force a nova resposta.

Permaneça alguns segundos aberta.

UMA PERGUNTA PODEROSA

“Como eu veria isto se não estivesse tentando defender minha interpretação anterior?”

Talvez nenhuma resposta venha imediatamente.

A abertura já é prática.

4. EU PODERIA VER PAZ EM VEZ DISSO

A quarta ideia oferece uma alternativa clara:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

O comentário afirma que, quando vemos o mundo como lugar de liberdade, começamos a reconhecer que ele pode refletir as leis de Deus em vez das regras inventadas pela percepção.

Então a paz, em vez da guerra, torna-se aquilo que podemos reconhecer tanto no mundo quanto nos corações daqueles que o compartilham conosco.

A PALAVRA “PODERIA” É MUITO IMPORTANTE

Não diz:

“Eu tenho que ver paz agora.”

Diz:

“Eu poderia.”

Existe possibilidade.

Existe escolha.

Existe gentileza.

A PRÁTICA NÃO EXIGE QUE VOCÊ SINTA PAZ IMEDIATAMENTE

Você pode estar:

• irritada;

• triste;

• assustada;

e ainda dizer:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

Isso significa:

“Minha percepção atual talvez não seja a única possível.”

PAZ NÃO SIGNIFICA QUE O PROBLEMA DESAPARECEU

Talvez você ainda precise:

• resolver;

• conversar;

• trabalhar;

• agir;

• buscar ajuda.

A diferença está em:

de que estado mental você fará isso.

GUERRA INTERIOR PODE AGRAVAR UMA SITUAÇÃO

Pensamentos como:

“Isso não poderia ter acontecido.”

“Nunca vou superar.”

“Preciso vencer.”

podem aumentar:

sofrimento.

A prática oferece:

outra base.

UMA SITUAÇÃO PODE SER DIFÍCIL E AINDA SER ENFRENTADA EM PAZ

Paz não é ausência de ação.

Às vezes:

paz produz ação mais clara.

PRÁTICA PARA A QUARTA IDEIA

Quando sua paz for perturbada, diga:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

Depois pergunte:

• O que mudaria se eu não precisasse reagir imediatamente?

• Posso respirar antes de responder?

• Posso reconhecer os fatos sem acrescentar guerra?

• Existe uma resposta firme e pacífica?

5. A MINHA MENTE É PARTE DA MENTE DE DEUS. EU SOU MUITO SANTO.

A quinta ideia leva toda a revisão à identidade.

Depois de questionar:

• vitimização;

• prisão;

• percepção;

• guerra,

o Curso dirige a atenção para:

quem é a mente que está aprendendo a ver.

A ideia afirma:

“A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.”

Dentro da metafísica do Curso, a verdadeira identidade não nasce:

• do corpo;

• dos erros;

• das histórias;

• do medo;

• da percepção separada.

Ela nasce:

da união com Deus.

ESSA IDEIA NÃO SIGNIFICA SUPERIORIDADE

“Santo” aqui não quer dizer:

“melhor do que os outros.”

Na lógica de UCEM:

a santidade é compartilhada.

Se minha mente é parte da Mente de Deus:

a separação não pode ser minha verdade final.

A SANTIDADE NÃO PRECISA SER CONQUISTADA

A ideia não diz:

“Um dia, se eu fizer tudo certo, serei santo.”

Ela afirma:

“Eu sou.”

O treinamento não seria uma fabricação de santidade.

Seria:

reconhecimento.

ISSO CONTRASTA COM A AUTOIMAGEM DO EGO

O ego pode dizer:

“Sou culpada.”

“Sou indigna.”

“Sou vulnerável.”

“Sou aquilo que fiz.”

A lição começa a introduzir:

uma identidade anterior a essas histórias.

VOCÊ PODE RECONHECER UM ERRO SEM FAZER DELE SUA IDENTIDADE

Isso é uma aplicação muito importante.

“Cometi um erro.”

não precisa significar:

“Sou um erro.”

“Fiz algo inadequado.”

não precisa significar:

“Sou para sempre indigna.”

A SANTIDADE NÃO ELIMINA RESPONSABILIDADE

Pelo contrário.

Uma identidade baseada em amor pode facilitar:

• reconhecer;

• corrigir;

• reparar;

• mudar.

Sem necessidade de:

autopunição eterna.

PRÁTICA PARA A QUINTA IDEIA

Quando surgir autocrítica, repita:

“A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.”

Depois pergunte:

• Estou me definindo apenas por um erro?

• Estou confundindo culpa com identidade?

• Posso corrigir sem me condenar?

• Posso considerar que existe em mim algo que não foi destruído pelo passado?

COMO AS CINCO IDEIAS SE CONECTAM

A Lição 57 apresenta um verdadeiro caminho de libertação.

1. EU NÃO SOU VÍTIMA DO MUNDO QUE VEJO

Reconheço:

não preciso permanecer mentalmente aprisionada.

2. EU INVENTEI O MUNDO QUE VEJO

Percebo:

minha mente participa da construção de significado.

3. EXISTE UM OUTRO MODO DE OLHAR O MUNDO

Abro:

uma possibilidade diferente.

4. EU PODERIA VER PAZ EM VEZ DISSO

Escolho:

paz como alternativa ao conflito.

5. A MINHA MENTE É PARTE DA MENTE DE DEUS. EU SOU MUITO SANTO.

Recordo:

a identidade a partir da qual essa nova visão pode nascer.

UM EXEMPLO COMPLETO

Imagine que você esteja enfrentando um conflito com alguém.

PRIMEIRA IDEIA

Pensamento:

“Essa pessoa controla completamente minha paz.”

Você recorda:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

Talvez não controle o comportamento do outro.

Mas pode começar a recuperar:

sua resposta mental.

SEGUNDA IDEIA

Você pensa:

“Ela faz isso porque quer me destruir.”

Pergunte:

“Isso é fato ou interpretação?”

Depois:

“Eu inventei o mundo que vejo.”

TERCEIRA IDEIA

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

Talvez ainda não saiba qual.

Mas abre espaço.

QUARTA IDEIA

Antes de responder:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

Você pode colocar limite:

sem transformar a conversa em guerra.

QUINTA IDEIA

Quando o conflito ameaçar sua identidade:

“A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.”

Você recorda:

minha identidade não precisa depender de vencer essa discussão.

COMO PRATICAR A LIÇÃO 57

Continuamos seguindo as orientações da Revisão I.

• Comece o dia lendo as cinco ideias e seus comentários.

• Pratique cada uma pelo menos uma vez.

• Dedique aproximadamente dois minutos ou mais a cada período.

• Retorne às ideias várias vezes ao longo do dia.

• Não é necessário seguir uma ordem rígida.

• Se uma ideia tocar mais profundamente, permaneça mais tempo com ela.

• Ao final do dia, revise novamente todas as cinco.

• Sempre que possível, pratique em quietude e de olhos fechados.

PRÁTICA DA MANHÃ

Leia lentamente:

• Eu não sou vítima do mundo que vejo.

• Eu inventei o mundo que vejo.

• Existe um outro modo de olhar o mundo.

• Eu poderia ver paz em vez disso.

• A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.

Depois permaneça alguns minutos em silêncio.

Escolha a ideia que mais se aplica:

à sua experiência de hoje.

PRÁTICA PARA QUANDO VOCÊ SE SENTIR SEM SAÍDA

Pensamento:

“Não posso fazer nada.”

Diga:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

Depois pergunte:

“Qual escolha ainda existe?”

Talvez seja:

• escolher sua resposta;

• pedir ajuda;

• estabelecer limite;

• esperar;

• não atacar;

• parar de se condenar.

PRÁTICA PARA UMA INTERPRETAÇÃO RÍGIDA

Quando pensar:

“Eu sei exatamente o que isso significa.”

diga:

“Eu inventei o mundo que vejo.”

Depois:

“Talvez eu esteja confundindo interpretação com realidade.”

PRÁTICA PARA UMA SITUAÇÃO SEM SOLUÇÃO APARENTE

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

Não exija resposta.

Permita:

possibilidade.

PRÁTICA PARA ANSIEDADE

Quando perceber o corpo e a mente em estado de guerra:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

Depois:

• respire;

• observe os fatos;

• adie conclusões se puder;

• faça apenas o próximo passo necessário.

PRÁTICA PARA RAIVA

Antes de responder:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

Pergunte:

“Posso dizer a verdade sem usar a verdade como arma?”

PRÁTICA PARA CULPA

Pensamento:

“Não mereço paz depois do que fiz.”

Diga:

“A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.”

Depois pergunte:

“Existe algo que preciso reparar?”

Se sim:

repare.

Mas não transforme correção em:

condenação eterna.

PRÁTICA PARA O PASSADO

Quando um acontecimento antigo definir sua identidade:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

Depois:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

E finalmente:

“A minha mente é parte da Mente de Deus.”

PRÁTICA PARA RELACIONAMENTOS

Quando pensar:

“Só ficarei em paz quando essa pessoa mudar”,

observe.

Talvez esteja entregando ao outro:

controle completo sobre seu estado interior.

Diga:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

Isso não significa permanecer numa relação inadequada.

Pode significar justamente:

encontrar paz suficiente para tomar uma decisão clara.

PRÁTICA PARA O TRABALHO

Quando algo der errado:

“Isso prova que sou incapaz.”

Observe.

Isso é:

uma interpretação.

Diga:

“Eu inventei o mundo que vejo.”

Depois:

“O que realmente aconteceu?”

Separe:

• fato;

• interpretação;

• ação necessária.

PRÁTICA PARA NOTÍCIAS OU SITUAÇÕES COLETIVAS

Quando o mundo parecer apenas:

• guerra;

• caos;

• conflito,

não precisa negar os acontecimentos.

Mas pode repetir:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

E perguntar:

“Também existem respostas de cooperação, cuidado e paz que minha atenção não está percebendo?”

UMA MICROPRÁTICA DE 30 SEGUNDOS

1. PARE.

2. OBSERVE A HISTÓRIA MENTAL.

3. DIGA:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

4. ACRESCENTE:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

5. FINALIZE:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

UMA MICROPRÁTICA PARA AUTOCULPA

1. RECONHEÇA O ERRO OU A LEMBRANÇA.

2. PERGUNTE SE EXISTE ALGO A CORRIGIR.

3. FAÇA O QUE FOR POSSÍVEL.

4. REPITA:

“A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.”

O QUE OBSERVAR HOJE

Perceba quando surgir:

• “Não tenho escolha.”

• “Ele me faz sentir assim.”

• “Sempre será dessa maneira.”

• “Não existe outra solução.”

• “Só haverá paz quando tudo mudar.”

• “Meu erro define quem sou.”

Esses pensamentos são oportunidades para:

a revisão.

MARCADORES DE QUE POSSO ESTAR ME COLOCANDO NA POSIÇÃO DE VÍTIMA

• Acredito que minha paz depende totalmente de outra pessoa.

• Não reconheço nenhuma possibilidade de escolha.

• Repito continuamente o mesmo acontecimento passado.

• Minha identidade gira em torno do que alguém fez.

• Espero que o mundo mude antes de permitir qualquer paz interior.

Reconhecer esses movimentos não é:

culpar-se.

É:

recuperar agência.

PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE

• Em que situação mais me sinto vítima?

• Que parte dessa situação realmente não posso controlar?

• Que parte da minha resposta ainda posso escolher?

• Que interpretação estou tratando como fato?

• Onde acredito que não existe outra maneira de ver?

• Em que situação eu poderia escolher paz em vez de guerra?

• Que erro ainda uso para definir minha identidade?

• O que muda quando considero que minha mente é parte da Mente de Deus?

EXERCÍCIO DE ESCRITA — DA VÍTIMA À ESCOLHA

Escolha uma situação.

O QUE ACONTECEU?

Descreva apenas os fatos.

O QUE NÃO POSSO CONTROLAR?

Liste.

O QUE POSSO ESCOLHER?

Liste:

• resposta;

• limite;

• atitude;

• pensamento;

• pedido de ajuda.

Finalize:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

EXERCÍCIO — O MUNDO QUE INVENTEI

Complete:

“ESSA SITUAÇÃO SIGNIFICA QUE…”

Escreva sua interpretação.

Depois pergunte:

“Eu sei isso ou estou interpretando?”

Finalize:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

EXERCÍCIO — PAZ EM VEZ DISSO

Escolha uma perturbação.

Escreva:

GUERRA DIZ:

“O que minha mente está dizendo?”

Depois:

PAZ PODERIA DIZER:

Não force uma resposta perfeita.

Talvez seja apenas:

• “Espere.”

• “Não responda agora.”

• “Você não precisa vencer.”

• “Faça sua parte.”

Finalize:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

EXERCÍCIO — IDENTIDADE

Complete:

“TENHO ME DEFINIDO COMO…”

Talvez:

• vítima;

• rejeitada;

• culpada;

• incapaz.

Depois:

“ESSA É UMA IMAGEM OU MINHA IDENTIDADE COMPLETA?”

Finalize:

“A minha mente é parte da Mente de Deus.”

FRASES PARA USAR DURANTE O DIA

• “Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

• “Minha resposta ainda pode ser escolhida.”

• “Minha interpretação não é necessariamente a realidade.”

• “Existe um outro modo de olhar o mundo.”

• “Eu poderia ver paz em vez disso.”

• “Não preciso esperar que tudo mude para começar a escolher paz.”

• “Minha identidade não termina nos meus erros.”

• “A minha mente é parte da Mente de Deus.”

ESCOLHA DE HOJE

Hoje escolho observar onde tenho entregado meu poder interior.

Às pessoas.

Ao passado.

Às circunstâncias.

À minha própria interpretação.

Não posso controlar tudo.

Mas isso não significa:

que não exista escolha.

Quando a mente disser:

“Você está presa”

quero recordar:

Eu não sou vítima do mundo que vejo.

Quando minha interpretação parecer absoluta:

Eu inventei o mundo que vejo.

Quando não enxergar saída:

Existe um outro modo de olhar o mundo.

Quando o conflito parecer inevitável:

Eu poderia ver paz em vez disso.

E quando esquecer quem sou:

A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.

ORAÇÃO DE ENTREGA

Espírito Santo,

hoje entrego a Ti

as prisões que construí na minha percepção.

As histórias em que me vejo sem escolha.

As situações às quais entreguei todo o poder

sobre minha paz.

Não quero negar aquilo que aconteceu.

Não quero apagar fatos.

Não quero fugir das responsabilidades.

Mas também não quero fazer do passado

uma sentença eterna.

Quando eu disser:

“Não posso fazer nada”,

lembra-me:

Eu não sou vítima do mundo que vejo.

Mostra-me aquilo que posso escolher.

Quando minha mente transformar uma interpretação em realidade,

lembra-me:

Eu inventei o mundo que vejo.

Que eu não use essa ideia para me culpar,

mas para recuperar liberdade.

Quando eu acreditar que só existe uma saída,

abre minha mente:

Existe um outro modo de olhar o mundo.

Quando eu escolher conflito,

ataque

ou guerra interior,

recorda-me:

Eu poderia ver paz em vez disso.

Ensina-me a reconhecer paz

sem abandonar discernimento,

limites

ou responsabilidade.

E quando eu me definir por meus erros,

minhas perdas

ou minhas feridas,

leva-me além da autoimagem.

Recorda-me:

A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.

Que eu possa corrigir sem me condenar.

Aprender sem me aprisionar.

Perdoar sem negar a verdade.

Agir sem atacar.

E olhar para este dia

como um lugar onde a liberdade

pode ser escolhida novamente.

Amém.

FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA

“Eu não sou vítima do mundo que vejo. Existe outro modo de olhar, e eu poderia escolher paz em vez de conflito.”

AO FINAL DO DIA

Revise novamente as cinco ideias:

• Eu não sou vítima do mundo que vejo.

• Eu inventei o mundo que vejo.

• Existe um outro modo de olhar o mundo.

• Eu poderia ver paz em vez disso.

• A minha mente é parte da Mente de Deus. Eu sou muito santo.

Depois pergunte:

EM QUE SITUAÇÃO MAIS ME SENTI VÍTIMA HOJE?

Observe.

QUE PARTE DELA ESTAVA FORA DO MEU CONTROLE?

Reconheça.

QUE PARTE DA MINHA RESPOSTA EU PODERIA ESCOLHER?

Observe.

QUAL INTERPRETAÇÃO TRATEI COMO REALIDADE?

Reconheça.

CONSEGUI CONSIDERAR OUTRA MANEIRA DE VER?

Mesmo por alguns segundos?

EM QUE MOMENTO EU PODERIA TER VISTO PAZ EM VEZ DE CONFLITO?

Observe sem culpa.

USEI ALGUM ERRO OU ACONTECIMENTO PARA DEFINIR QUEM SOU?

Reconheça.

Finalize:

“Eu não sou vítima do mundo que vejo.”

Depois:

“Existe um outro modo de olhar o mundo.”

E finalmente:

“Eu poderia ver paz em vez disso.”

LIÇÃO 57 — ESSÊNCIA

• A Lição 57 continua a Revisão I e reúne as ideias das Lições 31 a 35.

• A primeira ideia afirma: “Eu não sou vítima do mundo que vejo.” O comentário usa a imagem de correntes soltas e de uma porta de prisão aberta para mostrar a possibilidade de abandonar uma percepção que mantém a mente aprisionada.

• A segunda afirma: “Eu inventei o mundo que vejo.” O comentário apresenta a prisão percebida como algo construído pela própria percepção e afirma que reconhecer isso abre caminho para a liberdade e para a lembrança de que o Filho de Deus permanece como Deus o criou.

• A terceira ensina: “Existe um outro modo de olhar o mundo.” A revisão afirma que, se atribuímos ao mundo um propósito equivocado, deve existir outra maneira de vê-lo — não como prisão, mas como lugar de libertação.

• A quarta afirma: “Eu poderia ver paz em vez disso.” O comentário apresenta a paz, e não a guerra, como algo que pode ser reconhecido quando a percepção deixa de ser organizada pelas regras que fabricamos.

• O conjunto conduz da sensação de aprisionamento para uma possibilidade de escolha: reconhecer que a percepção pode ser revista, que existe outra maneira de olhar e que a paz pode ocupar o lugar do conflito.

A Lição 57 começa com uma prisão e termina com uma escolha.

A mente diz:

“Estou presa.”

A revisão responde:

Eu não sou vítima do mundo que vejo.

A mente diz:

“É assim porque a realidade é assim.”

A revisão responde:

Eu inventei o mundo que vejo.

A mente diz:

“Não existe outra forma.”

A revisão responde:

Existe um outro modo de olhar o mundo.

A mente diz:

“Só posso reagir com medo e conflito.”

A revisão responde:

Eu poderia ver paz em vez disso.

Talvez eu ainda não consiga fazer essa escolha em todos os momentos.

Mas hoje posso começar reconhecendo:

a porta não está trancada.

Existe outra maneira.

Existe outra percepção.

Existe outra resposta.

E existe:

paz em vez disso.