LIÇÃO 51

Lição 51 de Um Curso em Milagres: Revisão I das Lições 1 a 5, reflexão sobre percepção, julgamentos, pensamentos, significado, perturbação e nova visão

Revisão I — Lições 1 a 5

365 Dias com Um Curso em Milagres

Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior

HOJE COMEÇA A PRIMEIRA REVISÃO

Depois das primeiras cinquenta lições, Um Curso em Milagres inicia um novo momento do treinamento:

REVISÃO I

Agora não avançamos imediatamente para uma ideia inédita.

Voltamos às primeiras lições.

Mas não para simplesmente repeti-las.

A proposta é começar a perceber:

como todas elas se relacionam.

A introdução da revisão explica que cada dia reunirá cinco ideias já estudadas, acompanhadas de comentários que ajudam a compreender a unidade do sistema de pensamento que o Curso está construindo.

AS CINCO IDEIAS DA LIÇÃO 51

Hoje revisamos:

1. Nada do que eu vejo significa coisa alguma.

2. Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.

3. Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.

4. Esses pensamentos não significam coisa alguma.

5. Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

A LÓGICA DA REVISÃO

Observe como as cinco ideias formam quase uma sequência.

Primeiro:

aquilo que vejo não possui o significado que penso.

Depois:

reconheço que fui eu quem atribuiu esse significado.

Então:

percebo que não compreendo verdadeiramente aquilo que vejo.

Em seguida:

questiono também os pensamentos usados para interpretar o mundo.

Finalmente:

começo a reconhecer que a verdadeira causa da minha perturbação não é aquilo que imaginei.

É um movimento de:

questionamento da percepção.

1. NADA DO QUE EU VEJO SIGNIFICA COISA ALGUMA

A primeira ideia retorna à origem do treinamento:

“Nada do que eu vejo significa coisa alguma.”

O comentário da revisão explica que aquilo que atualmente pensamos estar vendo está ocupando o lugar da verdadeira visão.

Por isso, é necessário reconhecer a ausência de significado que atribuímos às aparências para abrir espaço a uma nova maneira de ver.

ISSO NÃO SIGNIFICA QUE O MUNDO SEJA “INÚTIL”

A prática não precisa ser interpretada como:

“Nada importa.”

O ponto é:

talvez eu ainda não saiba o verdadeiro significado daquilo que vejo.

HÁ UMA DIFERENÇA ENTRE:

“Isso não possui significado algum”

e

“O significado que atribuí a isso não é necessariamente verdadeiro.”

O CURSO ESTÁ DESOCUPANDO A PERCEPÇÃO

Imagine uma xícara cheia.

Se estiver completamente cheia de interpretações antigas:

não há espaço para algo novo.

A primeira lição começa a esvaziar.

O QUE PENSO QUE VEJO ESTÁ TOMANDO O LUGAR DA VISÃO

Essa é uma afirmação central do comentário da revisão.

Em outras palavras:

minha interpretação pode estar impedindo que eu veja.

EXEMPLO

Alguém não responde uma mensagem.

Você imediatamente pensa:

“Ela está me ignorando.”

Talvez essa interpretação ocupe todo o espaço.

Então você já não vê:

o acontecimento.

Vê:

a história que construiu sobre ele.

A PRÁTICA PODE SER

“Nada do que vejo aqui possui, por si só, o significado que estou atribuindo.”

UMA PERCEPÇÃO ANTIGA PRECISA SER QUESTIONADA PARA QUE UMA NOVA POSSA SURGIR

Isso exige:

humildade.

É admitir:

“Talvez eu não esteja vendo tudo.”

Essa frase pode abrir muito mais espaço do que:

“Tenho absoluta certeza do que isso significa.”

2. EU TENHO DADO AO QUE VEJO TODO O SIGNIFICADO QUE TEM PARA MIM

A segunda ideia torna a prática ainda mais pessoal.

O Curso afirma:

“Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.”

O comentário da revisão explica que julgamos tudo aquilo que contemplamos e, depois, vemos justamente esses julgamentos.

ISSO SIGNIFICA QUE NÃO VEMOS APENAS O QUE ESTÁ DIANTE DOS OLHOS

Também vemos:

  • memórias;
  • expectativas;
  • experiências anteriores;
  • crenças;
  • julgamentos.

DUAS PESSOAS PODEM OLHAR PARA A MESMA SITUAÇÃO E VER COISAS COMPLETAMENTE DIFERENTES

Porque cada uma leva consigo:

um sistema de significados.

UMA CASA PODE SIGNIFICAR:

Para alguém:

segurança.

Para outra pessoa:

prisão.

Para outra:

infância.

Para outra:

perda.

A FORMA É A MESMA

O significado psicológico:

não.

“EU TENHO JULGADO TUDO O QUE CONTEMPLO”

O comentário é muito direto.

Ele diz que aquilo que chamamos de visão é, muitas vezes:

julgamento.

ISSO NÃO SIGNIFICA QUE TODO DISCERNIMENTO SEJA ERRADO

Precisamos avaliar situações na vida prática.

Mas existe diferença entre:

discernir

e

acreditar que nossa interpretação é a realidade absoluta.

MEUS JULGAMENTOS TÊM ME FERIDO

Essa é uma das afirmações mais importantes da revisão.

O texto diz:

“Os meus julgamentos têm me ferido e não quero mais ver de acordo com eles.”

TALVEZ EU PENSE QUE O OUTRO ESTÁ ME FERINDO

Mas parte do sofrimento pode vir de:

aquilo que estou continuamente dizendo a mim mesma sobre o acontecimento.

POR EXEMPLO

Fato:

alguém não concordou comigo.

Julgamento:

“Ela não me respeita.”

Ampliação:

“Ninguém reconhece meu valor.”

Conclusão:

“Estou sozinha.”

Um acontecimento ganhou:

uma história inteira.

A LIÇÃO NÃO PEDE QUE VOCÊ CULPE A SI MESMA POR ISSO

O objetivo não é:

“Veja como você cria seus próprios problemas.”

É:

recuperar a possibilidade de escolha.

Se atribuí parte do significado:

posso aprender a atribuir de outro modo.

3. EU NÃO COMPREENDO COISA ALGUMA DO QUE VEJO

Essa ideia pode parecer desconfortável.

Temos grande necessidade de dizer:

“Eu entendo.”

“Eu sei o que aconteceu.”

“Sei por que ele fez isso.”

Mas a revisão pergunta:

como eu poderia compreender corretamente aquilo que já julguei de maneira equivocada?

O TEXTO DIZ QUE VEMOS A PROJEÇÃO DE NOSSOS PRÓPRIOS ERROS DE PENSAMENTO

Dentro da estrutura de UCEM, nossa percepção é moldada pelo sistema mental através do qual olhamos.

Por isso:

aquilo que vemos pode estar carregado de projeção.

O QUE É PROJEÇÃO, NA PRÁTICA?

Pode acontecer quando atribuímos fora:

algo que nossa própria mente está carregando.

Por exemplo:

você está insegura.

Então percebe:

julgamento em cada olhar.

OU ESTÁ COM MEDO DE REJEIÇÃO

E interpreta pequenos sinais como:

abandono.

ISSO NÃO SIGNIFICA QUE TUDO SEJA “COISA DA SUA CABEÇA”

Existem fatos externos.

Pessoas realmente:

  • mentem;
  • rejeitam;
  • machucam;
  • ajudam;
  • amam.

A prática questiona:

o significado total que construímos sobre esses fatos.

A REVISÃO OFERECE UMA ALTERNATIVA

O texto diz que podemos abandonar aquilo que não compreendemos e abrir espaço para algo que:

possa ser visto;

compreendido;

amado.

ESSA É UMA PALAVRA IMPORTANTE:

AMADO.

O objetivo da nova visão não é simplesmente:

compreender intelectualmente melhor.

É caminhar em direção a uma percepção que possibilite:

amor.

“EU POSSO TROCAR O QUE VEJO AGORA”

A revisão afirma que essa mudança requer:

disposição.

Não precisa existir compreensão completa.

Talvez baste:

“Estou disposta a considerar que existe outra maneira de ver.”

ESSA FRASE PODE SER UMA DAS PRÁTICAS MAIS ÚTEIS DO DIA

Diante de uma situação difícil:

“Talvez eu não compreenda isso como penso.”

Depois:

“Estou disposta a ver de outra maneira.”

4. ESSES PENSAMENTOS NÃO SIGNIFICAM COISA ALGUMA

A quarta ideia volta o treinamento para dentro.

Não apenas aquilo que vemos é questionado.

Também:

aquilo que pensamos.

O COMENTÁRIO DIZ

Os pensamentos dos quais estamos conscientes não possuem o significado que imaginamos porque estamos tentando pensar separados de Deus.

O Curso distingue esses pensamentos daquilo que chama de:

pensamentos reais

— aqueles que pensamos com Deus.

ISSO RETOMA DIRETAMENTE A LIÇÃO 45

“Deus é a Mente com a qual eu penso.”

A revisão reafirma:

os pensamentos superficiais que ocupam nossa consciência não precisam ser confundidos com:

nosso pensamento verdadeiro.

POSSO TER UM PENSAMENTO SEM TRANSFORMÁ-LO EM VERDADE

Essa distinção é extremamente útil.

Pensamento:

“Vou fracassar.”

Isso não é necessariamente:

previsão.

PENSAMENTO:

“Ninguém gosta de mim.”

Não é automaticamente:

fato.

PENSAMENTO:

“Algo ruim vai acontecer.”

Não é:

profecia.

UM PENSAMENTO É UM EVENTO MENTAL

A prática começa a ensinar:

observá-lo

antes de:

obedecê-lo.

“MEUS PENSAMENTOS REAIS SÃO AQUELES QUE PENSO COM DEUS”

Essa é a linguagem usada pelo comentário.

Dentro do sistema do Curso, a mente possui um fundamento em Deus que não foi destruído pelos pensamentos superficiais.

POR ISSO, NÃO PRECISO FABRICAR A VERDADE

Preciso:

deixar espaço para reconhecê-la.

A REVISÃO FALA EM ABANDONAR OS PENSAMENTOS SEM SIGNIFICADO

Isso não significa:

deixar de pensar funcionalmente.

Precisamos pensar para:

  • trabalhar;
  • planejar;
  • resolver.

O exercício fala da identificação com pensamentos que:

substituem a visão verdadeira.

5. EU NUNCA ESTOU TRANSTORNADO PELA RAZÃO QUE IMAGINO

A quinta ideia fecha o conjunto.

E agora podemos entender por quê.

Se:

atribuí significado;

julguei;

interpretei;

projetei;

então talvez a causa do sofrimento não seja simplesmente:

aquilo que está fora.

O TEXTO DIZ QUE TENTAMOS JUSTIFICAR NOSSOS PENSAMENTOS

E tentamos:

fazê-los verdadeiros.

COMO?

A mente pensa:

“Ele é meu inimigo.”

Depois começa a procurar:

evidências.

TODO GESTO PASSA A CONFIRMAR

Se ele fala:

“Está me atacando.”

Se não fala:

“Está me desprezando.”

O sistema torna-se:

autoconfirmatório.

TRANSFORMAMOS AS COISAS EM INIMIGOS PARA JUSTIFICAR RAIVA E ATAQUE

Essa é a formulação forte do comentário da revisão.

ISSO NÃO SIGNIFICA QUE NÃO EXISTAM CONFLITOS REAIS

A questão é:

o quanto o sistema de pensamento adiciona ao conflito.

ÀS VEZES PRECISAMOS TER RAZÃO PARA JUSTIFICAR NOSSA RAIVA

Então coletamos provas.

Relembramos conversas.

Reinterpretamos gestos.

Repassamos histórias.

Cada repetição diz:

“Veja? Minha raiva é necessária.”

MAS QUEM PERMANECE PRESA À RAIVA?

a própria mente.

A REVISÃO DIZ:

Esse sistema de pensamento tem nos ferido.

E termina com uma decisão:

“Estou disposto a abandoná-lo.”

ESSA TALVEZ SEJA A FRASE CENTRAL DA LIÇÃO 51

Não:

“Já abandonei.”

Mas:

“Estou disposto.”

DISPOSIÇÃO É O COMEÇO DA MUDANÇA

Você pode ainda sentir:

  • raiva;
  • medo;
  • julgamento.

E simultaneamente reconhecer:

“Não quero permanecer nisso para sempre.”

COMO PRATICAR A REVISÃO I

As instruções gerais da Revisão I estabelecem um ritmo diferente das lições anteriores.

Comece o dia:

lendo as cinco ideias e seus comentários.

Ao longo do dia:

cada uma deve ser praticada pelo menos uma vez.

Dedique:

dois minutos ou mais

a cada período de prática, refletindo sobre a ideia e seu comentário.

A revisão deve ser feita:

com a maior frequência possível.

NÃO É NECESSÁRIO SEGUIR UMA ORDEM RÍGIDA

Você pode escolher a ideia que mais se relaciona com o momento.

Mas:

todas devem ser praticadas.

SE UMA IDEIA TOCAR MAIS PROFUNDAMENTE

O Curso permite:

concentrar-se nela.

Ainda assim:

revise todas novamente no final do dia.

NÃO PRECISA MEMORIZAR O COMENTÁRIO INTEIRO

A introdução diz que não é necessário reproduzir literalmente cada comentário.

O objetivo é:

captar o tema central

e refletir sobre ele.

QUANDO POSSÍVEL, PRATIQUE EM QUIETUDE

Neste estágio do treinamento, o Curso recomenda:

  • olhos fechados;
  • estar sozinho;
  • local tranquilo,

quando possível.

MAS ISSO NÃO SERÁ SEMPRE NECESSÁRIO

A introdução já prepara para um aprendizado posterior:

levar a paz para qualquer situação.

Não apenas encontrar paz quando tudo está quieto.

O verdadeiro objetivo é conseguir levar a quietude para situações que parecem produzir perturbação.

NÃO SE TRATA DE FUGIR DO TUMULTO

O texto diz que não aprendemos a curar a aflição simplesmente:

evitando-a

e buscando isolamento.

A META É LEVAR A PAZ CONOSCO

Isso muda completamente a espiritualidade.

Não:

“Eu tenho paz quando ninguém me incomoda.”

Mas:

“Posso aprender a levar paz comigo quando sou desafiada.”

A PAZ NÃO DEPENDE DO LOCAL

A revisão afirma que aprenderemos que:

a paz é parte de nós

e pode estar presente onde estivermos.

PRÁTICA 1 — NADA DO QUE VEJO SIGNIFICA COISA ALGUMA

Olhe para uma situação que está ocupando sua mente.

Diga:

“Nada do que eu vejo significa coisa alguma.”

Depois acrescente:

“Talvez eu esteja atribuindo a isso um significado que ainda não é verdadeiro.”

PRÁTICA 2 — EU TENHO DADO O SIGNIFICADO

Pergunte:

“O que exatamente estou dizendo que isso significa?”

Talvez:

“Significa que não sou amada.”

“Significa que fracassei.”

“Significa que nunca dará certo.”

Agora reconheça:

“Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.”

PRÁTICA 3 — EU NÃO COMPREENDO

Diga:

“Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.”

Depois:

“Estou disposta a não decidir antecipadamente o que isso significa.”

PRÁTICA 4 — ESSES PENSAMENTOS NÃO SIGNIFICAM COISA ALGUMA

Observe:

o que sua mente está repetindo.

Então:

“Esses pensamentos não significam coisa alguma.”

Não porque pensamentos não tenham efeitos.

Mas porque você não precisa tratá-los como:

verdade absoluta.

PRÁTICA 5 — EU NÃO ESTOU TRANSTORNADA PELA RAZÃO QUE IMAGINO

Quando algo perturbá-la:

pare.

Diga:

“Eu nunca estou transtornada pela razão que imagino.”

Depois pergunte:

“Que interpretação estou tentando justificar?”

UM EXEMPLO COMPLETO

Imagine que alguém não respondeu sua mensagem.

PRIMEIRO

“Nada do que eu vejo significa coisa alguma.”

Talvez eu ainda não saiba o significado.

SEGUNDO

“Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.”

Eu disse:

“Ela está me rejeitando.”

TERCEIRO

“Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.”

Eu não conheço todos os fatos.

QUARTO

“Esses pensamentos não significam coisa alguma.”

“Ela não gosta de mim” é:

um pensamento.

Não necessariamente um fato.

QUINTO

“Eu nunca estou transtornada pela razão que imagino.”

Talvez minha reação esteja ligada a:

uma antiga crença de rejeição.

VEJA COMO AS CINCO LIÇÕES FUNCIONAM JUNTAS

É exatamente isso que a Revisão I começa a revelar:

as ideias não estão isoladas.

ELAS FORMAM UM PROCESSO

1. Questiono o significado.

2. Reconheço que eu o atribuí.

3. Admito que talvez não compreenda.

4. Questiono meus próprios pensamentos.

5. Questiono a causa da minha perturbação.

ESSE PROCESSO ABRE ESPAÇO

Antes:

reação automática.

Depois:

pausa.

E dentro dessa pausa pode surgir:

outra percepção.

NÃO PRECISO DESCOBRIR IMEDIATAMENTE O “SIGNIFICADO CORRETO”

Essa é uma armadilha comum.

A mente pode dizer:

“Se meu significado está errado, qual é o certo?”

Talvez ainda não seja necessário saber.

PRIMEIRO RETIRE A CERTEZA DO JULGAMENTO

“Talvez eu não saiba.”

Esse já é um enorme movimento.

A VISÃO PRECISA DE ESPAÇO

Se minha mente já decidiu:

quem alguém é;

o que algo significa;

por que aconteceu;

não há abertura para:

uma nova visão.

UMA MICROPRÁTICA PARA O DIA

Quando algo incomodar:

“Talvez eu não esteja vendo isso como realmente é.”

Depois escolha uma das cinco ideias da revisão.

PARA RAIVA

“Eu nunca estou transtornada pela razão que imagino.”

PARA JULGAMENTO

“Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.”

PARA CONFUSÃO

“Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.”

PARA PENSAMENTOS REPETITIVOS

“Esses pensamentos não significam coisa alguma.”

PARA UMA SITUAÇÃO QUE PARECE TER UM SIGNIFICADO ABSOLUTO

“Nada do que eu vejo significa coisa alguma.”

NÃO USE AS FRASES PARA INVALIDAR SEUS SENTIMENTOS

Se você está triste:

reconheça a tristeza.

A prática não precisa dizer:

“Não deveria me sentir assim.”

Ela pergunta:

“Será que compreendo completamente por que estou me sentindo assim?”

ISSO É MUITO DIFERENTE

A emoção pode ser acolhida.

A interpretação pode ser:

questionada.

UMA PRÁTICA PARA CONFLITOS

Quando estiver muito certa de que o outro é o problema:

pergunte:

“Que significado atribuí a ele?”

“Que pensamentos estou tentando provar verdadeiros?”

“Existe algo que ainda não compreendo?”

UMA PRÁTICA PARA AUTOCULPA

Você pensa:

“Meu erro prova que sou incapaz.”

Aplique:

“Eu tenho dado a esse acontecimento todo o significado que ele tem para mim.”

Depois:

“Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.”

Talvez um erro signifique:

necessidade de aprendizado,

não:

condenação da identidade.

UMA PRÁTICA PARA O PASSADO

Uma lembrança aparece e parece determinar o presente.

Pergunte:

“Estou vendo o acontecimento ou minha interpretação acumulada dele?”

Isso prepara diretamente as próximas revisões, que aprofundarão a relação entre:

passado e percepção.

UMA PRÁTICA PARA O FUTURO

Pensamento:

“Isso vai dar errado.”

Observe:

“Estou dando significado a algo que ainda nem aconteceu.”

Depois:

“Esses pensamentos não significam coisa alguma.”

PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE

  • Que situação estou tratando como se soubesse exatamente o que significa?
  • Que julgamento repito com maior frequência?
  • O que acredito compreender completamente, embora talvez não tenha todos os fatos?
  • Qual pensamento recorrente trato como verdade?
  • Que situação estou usando para justificar raiva ou ataque?
  • Estou disposta a abandonar pelo menos parte desse sistema de pensamento?
  • Qual das cinco ideias gera mais resistência?
  • Qual delas parece trazer mais alívio?

EXERCÍCIO DE ESCRITA — CINCO CAMADAS

Escolha uma situação.

Escreva:

1. O QUE VEJO?

Descreva apenas os fatos.

2. QUE SIGNIFICADO DEI?

Escreva sua interpretação.

3. O QUE TALVEZ EU NÃO COMPREENDA?

Liste o que não sabe.

4. QUE PENSAMENTOS ESTOU REPETINDO?

Escreva-os.

5. POR QUE ACHO QUE ESTOU TRANSTORNADA?

Depois pergunte:

“Pode existir uma causa mais profunda relacionada à minha interpretação?”

ESSE EXERCÍCIO TRANSFORMA AS CINCO LIÇÕES EM UM ÚNICO MAPA

E mostra por que a revisão começa justamente aqui.

UMA PRÁTICA DE DOIS MINUTOS

Escolha uma das cinco ideias.

Feche os olhos.

Repita-a lentamente.

Depois permita que o comentário central venha à mente.

Não analise demais.

Observe como essa ideia se relaciona:

com sua experiência de hoje.

AO LONGO DO DIA

Volte às cinco ideias.

Não é necessário seguir ordem fixa.

Mas tente não transformar a revisão em:

mera leitura.

A REVISÃO PRECISA SER APLICADA

A pergunta é:

“Onde isso está acontecendo em minha mente agora?”

ESCOLHA DE HOJE

Hoje escolho reconhecer que talvez eu não veja o mundo tão objetivamente quanto imagino.

Levo comigo:

  • julgamentos;
  • histórias;
  • expectativas;
  • pensamentos.

E depois posso confundir tudo isso com:

realidade.

Não preciso me culpar por isso.

Posso aprender.

Hoje estou disposta a reconhecer:

Nada do que eu vejo significa coisa alguma.

Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.

Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.

Esses pensamentos não significam coisa alguma.

Eu nunca estou transtornada pela razão que imagino.

Não preciso saber imediatamente como enxergar corretamente.

Talvez hoje seja suficiente:

deixar de insistir que minha maneira antiga é a única possível.

ORAÇÃO DE ENTREGA

Espírito Santo,

hoje começo esta revisão entregando a Ti

minha maneira habitual de ver.

Os significados que atribuí.

Os julgamentos que transformei em certezas.

As interpretações que repeti tantas vezes

que passei a chamá-las de realidade.

Ensina-me a admitir:

talvez eu não compreenda.

Quando eu olhar para uma situação

e decidir imediatamente o que ela significa,

lembra-me:

Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.

Quando minha mente se encher de pensamentos,

ajuda-me a não transformá-los automaticamente em verdade.

Quando eu me sentir perturbada,

faz-me perguntar:

“Estou realmente transtornada pela razão que imagino?”

Não quero usar estas ideias para negar meus sentimentos.

Quero usá-las para retirar da minha interpretação

a autoridade absoluta que lhe dei.

Mostra-me aquilo que estou disposta a abandonar.

Os julgamentos que me ferem.

As histórias que me aprisionam.

Os inimigos que criei em minha percepção.

E, no espaço que surgir,

permite que uma nova visão possa nascer.

Hoje não preciso saber tudo.

Preciso apenas estar disposta

a ver de outra maneira.

Amém.

FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA

“Talvez eu não esteja vendo esta situação como realmente é. Posso questionar o significado que lhe dei e abrir espaço para uma nova visão.”

AO FINAL DO DIA

Revise novamente as cinco ideias:

1. Nada do que eu vejo significa coisa alguma.

2. Eu tenho dado ao que vejo todo o significado que tem para mim.

3. Eu não compreendo coisa alguma do que vejo.

4. Esses pensamentos não significam coisa alguma.

5. Eu nunca estou transtornado pela razão que imagino.

Depois pergunte:

• QUAL DELAS MAIS SE APLICOU AO MEU DIA?

• EM QUAL SITUAÇÃO PERCEBI QUE ESTAVA ATRIBUINDO SIGNIFICADO?

• QUE JULGAMENTO ME FERIU?

• QUE PENSAMENTO TRATEI COMO FATO?

• QUE PERTURBAÇÃO TALVEZ TENHA UMA CAUSA DIFERENTE DAQUELA QUE IMAGINEI?

• ESTOU UM POUCO MAIS DISPOSTA A ABANDONAR MINHA INTERPRETAÇÃO?

Finalize em silêncio.

Não procure respostas perfeitas.

Apenas recorde:

“Estou disposta a ver de outra maneira.”

LIÇÃO 51 — ESSÊNCIA

  • A Lição 51 inicia a Revisão I do Livro de Exercícios.
  • A revisão de hoje reúne as Lições 1 a 5.
  • A primeira ideia reconhece que aquilo que pensamos ver atualmente está ocupando o lugar da verdadeira visão.
  • A segunda mostra que atribuímos significado ao que vemos através de nossos próprios julgamentos.
  • A terceira reconhece que não compreendemos verdadeiramente aquilo que percebemos quando nossa visão já foi distorcida pelo julgamento.
  • A quarta distingue os pensamentos superficiais daquilo que o Curso chama de pensamentos reais, pensados com Deus.
  • A quinta questiona a causa aparente de nossas perturbações e mostra como tentamos justificar nossos pensamentos, nossa raiva e nossos ataques.
  • O conjunto das cinco ideias ajuda a questionar percepção, julgamento, pensamento e reação emocional.
  • Nas instruções gerais da Revisão I, devemos começar o dia lendo as cinco ideias e seus comentários.
  • Cada ideia deve ser praticada pelo menos uma vez, por dois minutos ou mais, com a maior frequência possível.
  • Não é necessário seguir uma ordem rígida, e é permitido dedicar mais atenção à ideia que parecer mais significativa naquele dia.
  • Todas as cinco devem ser novamente revisadas ao final do dia.
  • Quando possível, os períodos de prática são feitos de olhos fechados e em quietude.
  • O objetivo maior é aprender gradualmente a levar a quietude conosco para situações que parecem produzir aflição e tumulto, em vez de depender de isolamento para sentir paz.

A Lição 51 não acrescenta uma sexta ideia.

Ela nos pede algo diferente:

olhar novamente.

Voltar ao início

e perceber que talvez as primeiras lições

já estivessem dizendo muito mais

do que conseguimos compreender na primeira leitura.

Primeiro questionamos aquilo que vemos.

Depois o significado que demos.

Depois nossa compreensão.

Depois nossos pensamentos.

E finalmente:

a própria razão pela qual acreditamos estar perturbados.

A revisão começa assim:

não oferecendo mais certezas,

mas retirando algumas das certezas antigas.

Porque talvez a visão verdadeira

só possa ocupar o lugar

que deixamos livre

quando finalmente somos capazes de dizer:

“Talvez eu não saiba o que isto significa. Estou disposta a ver de outra maneira.”