LIÇÃO 185 — QUERO A PAZ DE DEUS

Infográfico da Lição 185 de Um Curso em Milagres — Quero a paz de Deus

365 Dias com Um Curso em Milagres

Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior

A IDEIA CENTRAL DE HOJE

A Lição 185 apresenta uma afirmação simples:

QUERO A PAZ DE DEUS.

Dizer essas palavras é fácil.

Podemos pronunciá-las rapidamente, repeti-las durante uma oração ou escrevê-las em um caderno.

Entretanto, a lição nos convida a investigar algo mais profundo:

Eu realmente quero a paz de Deus?

Não se trata apenas de falar sobre paz.

Também não se trata de desejar que as circunstâncias externas fiquem exatamente como queremos.

A prática de hoje pede sinceridade.

Ela nos ajuda a observar se queremos verdadeiramente a paz ou se ainda esperamos encontrá-la através de:

  • controle;
  • reconhecimento;
  • vitória;
  • aprovação;
  • segurança externa;
  • relacionamentos especiais;
  • conquistas;
  • mudanças no comportamento dos outros;
  • realização dos nossos planos.

A ideia de hoje nos conduz ao centro da mente, onde precisamos escolher entre a paz permanente e os inúmeros sonhos que parecem oferecê-la.

DIZER AS PALAVRAS NÃO É SUFICIENTE

Podemos afirmar:

“Quero a paz de Deus.”

Mas continuar pensando:

“Só ficarei em paz quando essa pessoa mudar.”

“Só estarei em paz quando receber aquilo que quero.”

“Preciso vencer essa discussão para recuperar minha paz.”

“Minha paz depende de o futuro acontecer conforme planejei.”

“Preciso provar que estou certo.”

Nesse caso, nossas palavras pedem paz, mas nossos desejos ainda pedem condições.

A Lição 185 não nos condena por essa divisão.

Ela nos ajuda a reconhecê-la.

Enquanto não percebemos o conflito entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente queremos, continuamos procurando paz em lugares que não podem oferecê-la de forma permanente.

DIZER COM REAL INTENÇÃO

A lição diferencia a simples repetição verbal de uma escolha feita com real intenção.

Dizer com real intenção significa permitir que as palavras expressem aquilo que queremos de verdade.

Não é repetir mecanicamente.

Não é tentar convencer Deus.

Não é usar uma frase espiritual para esconder emoções.

É olhar honestamente para a mente e declarar:

“Acima das ilusões que ainda persigo, existe em mim um desejo verdadeiro de paz.”

Talvez ainda haja medo.

Talvez ainda existam desejos conflitantes.

Talvez uma parte de nós ainda queira vencer, controlar, possuir ou ser reconhecida.

Mesmo assim, podemos começar a desenvolver uma intenção sincera.

A prática não exige perfeição instantânea.

Exige honestidade.

O QUE SIGNIFICA QUERER A PAZ DE DEUS?

Querer a paz de Deus significa desejar uma paz que:

  • não dependa da opinião dos outros;
  • não desapareça quando alguém nos critica;
  • não seja destruída por uma mudança inesperada;
  • não precise da derrota de ninguém;
  • não seja comprada através de sacrifício;
  • não resulte de controle;
  • não esteja limitada a determinados lugares;
  • não termine quando as circunstâncias mudam.

A paz de Deus não é uma recompensa externa.

Ela é uma condição da mente alinhada com a Verdade, o perdão e a unidade.

Querer essa paz significa permitir que ela se torne mais importante do que os pequenos objetivos através dos quais tentamos encontrar segurança.

A PAZ NÃO É APENAS AUSÊNCIA DE PROBLEMAS

Muitas vezes chamamos de paz uma situação em que nada está nos incomodando.

Pensamos:

“Estou em paz porque tudo está funcionando.”

“Estou em paz porque ninguém me contrariou.”

“Estou em paz porque recebi boas notícias.”

“Estou em paz porque consegui o que desejava.”

Essa tranquilidade pode ser agradável, mas permanece dependente das circunstâncias.

Quando alguma coisa muda, ela desaparece.

A paz de Deus é diferente.

Ela não exige que o mundo permaneça imóvel.

Ela nos acompanha enquanto atravessamos as mudanças do mundo.

Podemos sentir tristeza e ainda conservar um centro de paz.

Podemos enfrentar uma dificuldade sem perder completamente nossa estabilidade interior.

Podemos colocar um limite sem transformar a situação em guerra.

Podemos não saber o que acontecerá e, ainda assim, escolher não entregar toda a mente ao medo.

A CURA COMEÇA COM UM DESEJO SINCERO

A Lição 185 relaciona o desejo verdadeiro pela paz à cura da mente.

Isso acontece porque, quando desejamos a paz com sinceridade, começamos a abandonar as decisões que sustentam o conflito.

Não podemos querer, ao mesmo tempo e plenamente:

  • paz e vingança;
  • paz e condenação;
  • paz e superioridade;
  • paz e controle absoluto;
  • paz e punição;
  • paz e a necessidade de provar que estamos certos.

Podemos sentir esses impulsos.

Não precisamos fingir que desapareceram.

Mas precisamos reconhecer que eles nos conduzem em uma direção diferente da paz.

A cura começa quando perguntamos:

“O que desejo preservar: esta exigência ou a paz?”

O CÉU DEVOLVIDO À CONSCIÊNCIA

A paz de Deus não precisa ser criada.

Ela precisa ser reconhecida.

A mente pode encobri-la com:

  • medo;
  • culpa;
  • julgamento;
  • ressentimento;
  • ansiedade;
  • desejos conflitantes;
  • memórias dolorosas;
  • tentativas de controle.

Mas aquilo que foi encoberto não deixou de existir.

Quando queremos verdadeiramente a paz, permitimos que a lembrança de Deus ocupe novamente a consciência.

Por um instante, não precisamos carregar todas as histórias que utilizamos para justificar a perturbação.

Podemos simplesmente desejar a paz mais do que desejamos continuar alimentando o conflito.

NÃO SOMOS O SONHO

A lição também nos convida a questionar nossa identificação com os sonhos do mundo.

Enquanto acreditamos que somos apenas o personagem da nossa história, tudo parece ameaçador.

Pensamos:

“Minha segurança depende de conseguir isso.”

“Meu valor depende de vencer.”

“Minha identidade depende desse relacionamento.”

“Meu futuro depende totalmente daquilo que acontecer agora.”

O personagem do sonho vive cercado por riscos.

Ele pode ganhar e perder.

Pode ser admirado e rejeitado.

Pode sentir-se superior hoje e inferior amanhã.

Quando a mente deseja verdadeiramente a paz de Deus, começa a perceber que sua Identidade não está limitada ao personagem.

Existe algo em nós que pode observar o sonho sem ser definido por ele.

OS SONHOS PARECEM DIFERENTES

Cada pessoa parece buscar uma coisa.

Uma busca dinheiro.

Outra busca amor romântico.

Outra quer reconhecimento.

Outra deseja segurança.

Outra procura poder.

Outra quer beleza.

Outra busca conhecimento.

Outra quer uma experiência espiritual extraordinária.

As formas parecem diferentes.

Mas, por trás delas, frequentemente existe o mesmo pedido:

“Quero sentir-me completo, seguro e em paz.”

A mente espera que cada sonho entregue aquilo que somente a paz de Deus pode oferecer de maneira permanente.

Quando um sonho fracassa, ela procura outro.

Quando uma conquista deixa de satisfazer, procura uma conquista maior.

Quando uma forma muda, acredita que talvez a próxima finalmente funcione.

OS SONHOS SÃO UM SÓ EM SEU RESULTADO

Os sonhos do ego podem assumir muitas formas, mas compartilham uma característica:

não oferecem paz permanente.

Uma conquista produz entusiasmo.

Depois surge o medo de perdê-la.

Um relacionamento produz alegria.

Depois pode surgir dependência, insegurança ou controle.

O reconhecimento produz satisfação.

Depois aparece a necessidade de receber ainda mais aprovação.

O dinheiro resolve problemas práticos.

Depois pode nascer o medo de não ter o suficiente.

Nada disso significa que relacionamentos, dinheiro ou conquistas sejam maus.

O problema está na função que lhes damos.

Quando exigimos que uma forma temporária nos ofereça segurança eterna, colocamos sobre ela uma responsabilidade impossível.

A MENTE QUE BARGANHA

Nos sonhos, a mente costuma negociar.

Ela pensa:

“Eu farei isso se você fizer aquilo.”

“Serei amoroso se for correspondido.”

“Perdoarei se você reconhecer que errou.”

“Ficarei em paz se tudo acontecer do meu jeito.”

“Abandonarei meu ressentimento quando receber uma reparação perfeita.”

Essas barganhas parecem razoáveis para o ego.

Entretanto, mantêm a paz sempre condicionada a alguma coisa externa.

A paz de Deus não é o resultado de uma negociação.

Ela não exige que alguém perca para que possamos ganhar.

Ela não depende de um acordo no qual cada pessoa sacrifica uma parte de si.

A paz verdadeira nasce de um propósito compartilhado.

CONCESSÃO NÃO É UNIÃO

Muitos relacionamentos parecem unidos porque chegaram a uma concessão.

Cada pessoa abre mão de alguma coisa para receber outra.

Isso pode ser necessário em decisões práticas.

Mas uma negociação não é, por si mesma, a união das mentes.

Podemos concordar externamente e permanecer interiormente em conflito.

Podemos dizer:

“Tudo bem, faça do seu jeito.”

Enquanto pensamos:

“Nunca esquecerei o que você fez.”

Podemos permanecer em uma relação e ainda usar o outro como instrumento para preencher nossas carências.

Podemos evitar uma discussão sem abandonar o julgamento.

A paz não depende apenas da forma externa da relação.

Ela depende do propósito escolhido pela mente.

DUAS MENTES COM UM ÚNICO PROPÓSITO

A lição ensina que as mentes podem unir-se verdadeiramente quando compartilham um mesmo propósito.

No ego, os interesses parecem competir.

Se eu ganho, você perde.

Se você recebe atenção, eu fico sem ela.

Se você está certo, eu estou errado.

Se você prospera, meu valor parece diminuir.

Na verdade, a paz não produz perdedores.

Quando uma mente escolhe a paz, essa escolha oferece uma bênção a todas as outras.

A paz compartilhada aumenta.

O perdão compartilhado fortalece.

A lembrança do Amor não precisa ser dividida em partes.

A paz de Deus é uma dádiva que ninguém perde quando outro a recebe.

O QUE AINDA QUERO NO LUGAR DA PAZ?

A prática de hoje pede que observemos nossos desejos com coragem.

Podemos dizer que queremos paz, mas talvez também queiramos:

  • que alguém se sinta culpado;
  • que uma pessoa reconheça nossa superioridade;
  • receber aprovação;
  • provar que fomos injustiçados;
  • preservar uma imagem especial;
  • controlar o resultado de uma situação;
  • garantir que nunca seremos rejeitados;
  • impedir qualquer mudança;
  • possuir alguém;
  • vencer uma disputa;
  • ser admirados;
  • manter um ressentimento.

Não precisamos sentir vergonha dessas descobertas.

Elas revelam os lugares em que a mente ainda procura uma forma de satisfação no lugar da paz.

A pergunta não é:

“Como pude desejar isso?”

A pergunta é:

“Ainda quero conservar isso mais do que quero a paz?”

NÃO JULGAR OS DESEJOS OCULTOS

Alguns desejos são fáceis de admitir.

Outros são escondidos porque parecem inadequados.

Podemos reconhecer que desejamos dinheiro, mas esconder nossa vontade de ser superiores.

Podemos admitir tristeza, mas esconder o desejo de punir alguém através do silêncio.

Podemos falar sobre justiça, mas esconder a vontade de vingança.

Podemos dizer que queremos ajudar, mas também desejar ser considerados indispensáveis.

A Lição 185 não pede que façamos uma hierarquia moral entre os sonhos.

Ela nos convida a reconhecer que todos são tentativas de encontrar paz através de uma forma externa.

Não precisamos classificar alguns como aceitáveis e esconder outros com vergonha.

Podemos levar todos à luz.

A PERGUNTA ESSENCIAL

Diante de cada sonho, podemos perguntar:

“É isso que quero no lugar da paz de Deus?”

A pergunta não significa que devemos abandonar responsabilidades, projetos ou relacionamentos.

Ela investiga a função que atribuímos a essas formas.

Por exemplo, podemos desejar realizar um projeto.

Mas precisamos perguntar:

“Quero que esse projeto expresse amor e serviço ou espero que ele prove meu valor?”

Podemos desejar um relacionamento.

Mas podemos observar:

“Quero compartilhar ou quero que essa pessoa elimine toda a minha insegurança?”

Podemos buscar estabilidade financeira.

Mas também perguntar:

“Estou resolvendo necessidades práticas ou acreditando que o dinheiro me tornará invulnerável?”

A forma pode continuar.

O propósito pode ser curado.

NÃO HÁ CONCESSÃO ENTRE PAZ E SONHOS

A mente costuma tentar preservar as duas coisas.

Ela pensa:

“Quero a paz de Deus, mas também quero continuar julgando essa pessoa.”

“Quero paz, desde que eu não precise abandonar minha versão da história.”

“Quero paz, mas preciso que o outro seja punido.”

“Quero paz, contanto que o futuro obedeça aos meus planos.”

A lição mostra que essa tentativa produz conflito.

A paz não pode ocupar plenamente uma mente que ainda reserva um lugar especial para o ataque.

Isso não significa que precisamos eliminar todos os pensamentos de conflito antes de praticar.

Significa apenas que precisamos reconhecer:

o ataque não pode nos dar aquilo que a paz oferece.

ESCOLHER A PAZ NÃO É PASSIVIDADE

Querer a paz de Deus não significa aceitar abusos, injustiças ou situações perigosas.

A paz não exige que permaneçamos onde somos feridos.

Podemos:

  • dizer não;
  • afastar-nos;
  • denunciar;
  • procurar ajuda;
  • encerrar uma relação;
  • proteger o corpo;
  • estabelecer consequências;
  • recorrer à Justiça;
  • corrigir um erro;
  • tomar decisões firmes.

A questão é o estado mental a partir do qual agimos.

Podemos agir guiados pelo desejo de corrigir e proteger.

Ou agir movidos pela vontade de destruir, humilhar e punir.

A mesma ação externa pode nascer de propósitos interiores diferentes.

Paz não é fraqueza.

Paz é a ausência da necessidade de transformar o outro em inimigo para fazermos o que precisa ser feito.

A PAZ NÃO DESAPARECE NA CURVA DO CAMINHO

As satisfações do mundo mudam conforme as circunstâncias.

Hoje algo nos alegra.

Amanhã a mesma coisa pode nos preocupar.

Hoje acreditamos ter encontrado segurança.

Amanhã surge uma ameaça inesperada.

A paz de Deus não se comporta dessa maneira.

Ela não muda de forma a cada curva do caminho.

Ela não exige que recomecemos continuamente nossa busca.

Não aparece apenas quando tudo está tranquilo para desaparecer diante da primeira dificuldade.

Ela permanece porque sua Fonte não está nas circunstâncias.

TODOS QUEREM A PAZ

Mesmo aqueles que parecem buscar conflito estão, em algum nível, procurando paz.

Uma pessoa pode atacar porque acredita que o ataque lhe dará segurança.

Pode controlar porque pensa que o controle eliminará o medo.

Pode acumular porque espera sentir-se protegida.

Pode exigir atenção porque deseja sentir-se amada.

Pode buscar poder porque acredita que assim não será ferida.

Os meios estão equivocados.

Mas, por trás deles, existe uma tentativa de alcançar paz.

Reconhecer isso não torna corretos os comportamentos prejudiciais.

Ajuda-nos, porém, a ver que o erro está no meio escolhido, não no desejo mais profundo.

PEDIR PAZ POR TODOS

Quando dizemos com sinceridade:

“Quero a paz de Deus”,

não pedimos apenas por nós.

A verdadeira paz não exclui.

Ela inclui todos os que parecem procurar satisfação em sonhos.

Podemos olhar para uma pessoa em conflito e reconhecer:

“Ela também quer paz, embora ainda esteja escolhendo meios que produzem sofrimento.”

Essa percepção reduz a condenação.

Em vez de enxergar apenas um inimigo, começamos a ver uma mente confusa sobre como encontrar aquilo que deseja.

Talvez ainda sejam necessários limites.

Mas o limite pode ser estabelecido sem ódio.

A AJUDA JÁ FOI DADA

Em muitos momentos, sentimo-nos confusos.

Pensamos:

“Não sei o que quero.”

“Não sei onde procurar.”

“Não sei qual caminho seguir.”

“Não consigo encontrar a paz.”

A lição nos recorda que a ajuda está disponível.

Não precisamos resolver sozinhos todos os conflitos da mente.

Podemos pedir uma nova percepção.

Podemos entregar nossos desejos contraditórios.

Podemos reconhecer:

“Eu não sei distinguir perfeitamente o que me dará paz. Estou disposto a aprender.”

Essa disposição abre espaço para a orientação do Espírito Santo.

COMPARTILHAR A AJUDA

Aquilo que recebemos torna-se mais forte quando compartilhado.

Se aprendemos a responder com mais serenidade, essa mudança alcança nossos relacionamentos.

Se abandonamos uma condenação, libertamos também a imagem que mantínhamos do outro.

Se oferecemos perdão, recordamos que o perdão também está disponível para nós.

A paz não é uma posse privada.

Não podemos guardá-la apenas para nós.

Quando a recebemos, naturalmente começamos a estendê-la.

NINGUÉM QUE BUSCA VERDADEIRAMENTE PODE FRACASSAR

A paz de Deus já nos pertence.

Por isso, buscá-la sinceramente não é procurar algo distante.

É pedir para não continuarmos negando aquilo que já recebemos.

A mente não precisa convencer Deus a conceder paz.

Precisa deixar de escolher aquilo que a encobre.

Não estamos pedindo que uma dádiva seja criada.

Estamos aceitando uma dádiva que sempre esteve disponível.

PEDIR AQUILO QUE JÁ TEMOS

A pergunta da lição é profundamente consoladora:

Como poderíamos permanecer sem resposta ao pedir aquilo que já nos pertence?

A paz foi criada para nós.

Foi dada por Deus.

Não está condicionada ao nosso desempenho perfeito.

Não é retirada quando cometemos um erro.

Não depende de um estado constante de santidade.

Ela permanece como nossa herança.

Podemos esquecê-la.

Podemos resistir a ela.

Podemos escolher temporariamente o conflito.

Mas não podemos destruir aquilo que Deus nos deu.

AS DÁDIVAS DE DEUS SÃO COMPARTILHADAS

As coisas do mundo parecem diminuir quando são divididas.

Se entrego parte do meu dinheiro, fico com menos.

Se cedo um objeto, deixo de possuí-lo.

A paz funciona de outra maneira.

Quanto mais a oferecemos, mais reconhecemos que a possuímos.

O mesmo ocorre com:

  • amor;
  • perdão;
  • compreensão;
  • gentileza;
  • inocência;
  • união.

As dádivas de Deus não produzem perda.

Sua natureza é a extensão.

Quando alguém recebe paz, ninguém precisa ficar sem ela.

DEUS DÁ PARA UNIR

O ego pensa em termos de ganho e perda.

A lógica do ego afirma:

“Para eu ter mais, alguém precisa ter menos.”

“Para eu estar certo, alguém precisa estar errado.”

“Para eu vencer, alguém precisa perder.”

Deus dá apenas para unir.

Sua dádiva não estabelece diferenças entre favoritos e excluídos.

A paz não é oferecida a alguns às custas de outros.

Quando aceitamos isso, começamos a abandonar a crença de que o bem de outra pessoa ameaça o nosso.

UM ÚNICO PROPÓSITO

A prática de hoje busca um objetivo que todas as mentes compartilham, ainda que não o reconheçam conscientemente.

Por trás de cada pedido existe um apelo por paz.

Por trás da raiva, pode existir um pedido para não sentir medo.

Por trás do controle, um pedido por segurança.

Por trás da arrogância, um pedido para reconhecer valor.

Por trás do isolamento, um pedido para não ser ferido.

Por trás do ataque, um pedido de amor expresso de forma distorcida.

Hoje unimos nosso desejo de paz ao desejo profundo de todos os nossos irmãos.

COMO PRATICAR A LIÇÃO 185

PELA MANHÃ

Antes de começar as atividades, sente-se em silêncio.

Respire naturalmente.

Diga com atenção:

Quero a paz de Deus.

Não repita rapidamente.

Permita que as palavras sejam ouvidas pela mente.

Depois pergunte:

“Quero realmente essa paz?”

Observe o que surgir.

Não force uma resposta perfeita.

EXAMINE OS DESEJOS

Pergunte:

  • O que acredito que me fará feliz?
  • De quem espero receber paz?
  • Que situação preciso controlar?
  • Que pessoa ainda quero culpar?
  • Qual sonho considero indispensável?
  • O que temo perder?
  • O que preciso provar?
  • O que ainda desejo preservar no lugar da paz?

Não se condene pelas respostas.

Apenas traga-as à consciência.

FAÇA A PERGUNTA CENTRAL

Diante de cada desejo, pergunte:

“É isso que desejo no lugar da paz de Deus?”

Talvez a resposta seja:

“Ainda não sei.”

Tudo bem.

Você pode continuar:

“Quero aprender a escolher a paz.”

DURANTE O DIA

Sempre que perceber perturbação, pare por alguns instantes.

Observe qual condição você estabeleceu para ficar em paz.

Talvez seja:

“Preciso que ele concorde comigo.”

“Preciso receber uma resposta agora.”

“Isso tem que sair exatamente como planejei.”

“Ela precisa reconhecer meu valor.”

Então recorde:

Quero a paz de Deus.

À NOITE

Antes de dormir, revise o dia sem julgamento.

Pergunte:

  • Em que momento escolhi a paz?
  • Quando preferi estar certo?
  • Qual sonho pareceu indispensável?
  • Tentei controlar alguém?
  • Transformei um problema na totalidade da minha vida?
  • Consegui estabelecer algum limite sem ódio?
  • Compartilhei paz com alguém?
  • Fui sincero sobre aquilo que realmente queria?

Termine repetindo lentamente:

Quero a paz de Deus.

MICROPRÁTICA DE 60 SEGUNDOS

0–15 SEGUNDOS

Observe a perturbação presente.

Não tente justificá-la.

15–30 SEGUNDOS

Pergunte:

“Que resultado estou exigindo para poder ficar em paz?”

30–45 SEGUNDOS

Reconheça a exigência sem culpa.

Diga:

“Talvez eu tenha acreditado que isso poderia me salvar.”

45–60 SEGUNDOS

Escolha novamente:

Quero a paz de Deus.

Respire e retorne ao momento presente.

PRÁTICA DURANTE UM CONFLITO

Antes de responder, pergunte:

“Quero paz ou quero vencer?”

Talvez seja necessário dizer algo firme.

Mas examine o propósito.

Pergunte:

  • Quero esclarecer ou ferir?
  • Quero proteger ou punir?
  • Quero resolver ou provar superioridade?
  • Quero comunicar um limite ou provocar culpa?
  • Quero paz ou submissão do outro?

Depois recorde:

“Posso ser firme sem abandonar a paz.”

PRÁTICA QUANDO QUISER CONTROLAR

Quando perceber a necessidade de controlar uma pessoa ou situação, observe o pensamento:

“Se eu não controlar isso, algo terrível acontecerá.”

Não lute com o medo.

Reconheça:

“Estou tentando fabricar segurança através do controle.”

Depois diga:

“Quero uma paz que não dependa de controlar tudo.”

Faça o que estiver ao seu alcance.

Mas entregue a exigência de comandar o resultado inteiro.

PRÁTICA DIANTE DE UMA DECISÃO

Quando estiver confuso, não pergunte apenas:

“Qual opção me dará mais vantagens?”

Pergunte também:

  • Qual escolha preserva minha integridade?
  • Qual delas reduz o conflito interior?
  • Estou escolhendo por medo?
  • Estou tentando provar alguma coisa?
  • Esta decisão exige que alguém perca para que eu me sinta vencedor?
  • Consigo escolher sem abandonar minha paz?

A paz não substitui a análise prática.

Ela limpa parte do medo que distorce a análise.

PRÁTICA COM UMA PESSOA DIFÍCIL

Pense em alguém que desafia sua paz.

Observe o que você exige dessa pessoa.

Talvez pense:

“Ela precisa pedir desculpas.”

“Ele precisa reconhecer que eu estava certo.”

“Ela precisa mudar para eu ficar bem.”

Agora diga:

“Minha paz não precisa permanecer prisioneira da decisão dessa pessoa.”

Isso não elimina a responsabilidade dela.

Liberta sua mente da crença de que somente o outro possui a chave da sua paz.

PRÁTICA QUANDO SENTIR ANSIEDADE

A ansiedade geralmente afirma:

“Só estarei em paz quando souber o que acontecerá.”

Mas talvez a certeza completa não esteja disponível.

Você pode responder:

“Não preciso conhecer todo o futuro para escolher paz neste instante.”

Respire.

Reconheça o que pode ser feito agora.

Entregue o que ainda não pode ser resolvido.

Repita:

Quero a paz de Deus.

EXERCÍCIO — MINHAS CONDIÇÕES PARA A PAZ

Pegue uma folha e escreva:

“SÓ FICAREI EM PAZ QUANDO…”

Complete a frase várias vezes.

Por exemplo:

  • quando alguém mudar;
  • quando eu ganhar mais dinheiro;
  • quando receber reconhecimento;
  • quando meu corpo estiver diferente;
  • quando resolver todos os problemas;
  • quando ninguém me criticar;
  • quando eu tiver certeza sobre o futuro;
  • quando alguém admitir que errou.

Depois de cada resposta, escreva:

“Tenho colocado minha paz sob esta condição.”

Ao final, declare:

“Quero aprender uma paz que não dependa dessas condições.”

EXERCÍCIO — OS SONHOS QUE AINDA VALORIZO

Escreva:

“O QUE ACREDITO QUE FINALMENTE ME COMPLETARÁ?”

Seja sincero.

Talvez apareçam:

  • um relacionamento;
  • uma conquista;
  • uma quantia de dinheiro;
  • uma mudança de lugar;
  • uma aparência;
  • uma posição profissional;
  • uma experiência espiritual;
  • aprovação;
  • poder;
  • reconhecimento.

Agora pergunte diante de cada item:

“Isso pode fazer parte da minha vida sem ocupar o lugar da paz de Deus?”

Não precisa rejeitar o objetivo.

Apenas retire dele a função de completar sua Identidade.

EXERCÍCIO — PAZ OU VITÓRIA?

Pense em um conflito atual.

Divida a folha em duas partes.

De um lado, escreva:

“O QUE PRECISO PARA VENCER”

Do outro:

“O QUE PRECISO PARA ESTAR EM PAZ”

Compare as respostas.

Talvez vencer exija:

  • provar que está certo;
  • receber concordância;
  • controlar a narrativa;
  • fazer o outro sentir culpa;
  • não demonstrar vulnerabilidade.

Talvez a paz peça:

  • clareza;
  • honestidade;
  • limites;
  • desapego do resultado;
  • ausência de ataque;
  • disposição para ouvir;
  • entrega.

Pergunte:

“Qual propósito quero fortalecer?”

O QUE OBSERVAR HOJE

Observe quando surgir algum destes pensamentos:

  • “Só ficarei bem quando isso acontecer.”
  • “Preciso vencer esta discussão.”
  • “Não posso ter paz enquanto essa pessoa não mudar.”
  • “Se eu perdoar, ela sairá vencedora.”
  • “Minha felicidade depende desse resultado.”
  • “Preciso provar meu valor.”
  • “Não posso descansar antes de controlar tudo.”
  • “Quero paz, mas não abrirei mão do meu ressentimento.”
  • “Quero que ele sofra como eu sofri.”
  • “Sem esse sonho, minha vida não terá sentido.”

Essas frases não fazem de você uma pessoa má.

Elas apenas mostram onde a mente ainda acredita que o conflito pode oferecer alguma coisa valiosa.

FRASES PARA RECORDAR DURANTE O DIA

  • Quero uma paz que não dependa das circunstâncias.
  • Não preciso vencer para estar em paz.
  • Posso estabelecer limites sem escolher o ódio.
  • Minha paz não está nas mãos de outra pessoa.
  • Nenhum sonho pode substituir a paz de Deus.
  • Posso desejar uma forma sem fazer dela minha salvação.
  • A paz não exige que alguém perca.
  • Não preciso controlar todo o futuro.
  • Posso escolher novamente neste instante.
  • Quero a paz de Deus.

A LIÇÃO 185 E A LIÇÃO 184

Na Lição 184 aprendemos:

“O Nome de Deus é a minha herança.”

Agora afirmamos:

“Quero a paz de Deus.”

Primeiro, reconhecemos aquilo que recebemos.

Depois, expressamos nossa disposição de aceitá-lo.

A Lição 184 ensina que nossa verdadeira Identidade não pode ser substituída pelos nomes do mundo.

A Lição 185 nos convida a escolher a paz que pertence a essa Identidade.

Ontem:

minha herança não foi perdida.

Hoje:

quero aceitar essa herança em minha consciência.

O QUE VEM NA LIÇÃO 186

A próxima lição apresenta uma ideia que pode parecer grandiosa:

“A salvação do mundo depende de mim.”

Ela não será uma afirmação de superioridade pessoal.

Ao contrário, ensinará sobre responsabilidade, função e verdadeira humildade.

Depois de reconhecer nossa herança e escolher a paz, seremos convidados a aceitar a função que nasce dessa escolha.

ORAÇÃO DE ENTREGA

Pai,

hoje digo que quero a Tua paz.

Mas também reconheço
que muitas vezes tentei encontrá-la
nas condições do mundo.

Acreditei que estaria em paz
quando alguém mudasse,
quando meus planos se realizassem,
quando eu fosse reconhecido
ou quando pudesse controlar o futuro.

Entrego-Te essas condições.

Mostra-me os sonhos
que ainda tento colocar no lugar da Tua paz.

Que eu não os esconda com vergonha
nem os defenda com medo.

Ajuda-me a perguntar com sinceridade:

“É isso que quero no lugar da paz de Deus?”

Ensina-me a ser firme sem atacar.

A estabelecer limites sem odiar.

A corrigir sem condenar.

A agir sem transformar meus irmãos em inimigos.

Que meu desejo de paz
se una ao desejo profundo
presente em cada coração.

E que eu reconheça
que a paz que recebo
não pertence apenas a mim.

Ela foi dada para ser compartilhada.

Hoje, acima dos meus medos,
dos meus planos
e das minhas exigências,
quero recordar:

Quero a paz de Deus.

Amém.

FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA

QUERO A PAZ DE DEUS.

AO FINAL DO DIA

Antes de dormir, não pergunte:

“Consegui permanecer em paz o tempo inteiro?”

Isso poderia transformar a lição em mais uma exigência.

Pergunte:

  • Reconheci algum desejo conflitante?
  • Percebi alguma condição que coloquei sobre minha paz?
  • Consegui escolher paz antes de responder?
  • Em algum momento preferi compreender em vez de vencer?
  • Estabeleci algum limite sem alimentar o ódio?
  • Entreguei alguma tentativa de controlar o futuro?
  • Compartilhei serenidade com alguém?
  • Houve um instante em que realmente quis a paz de Deus?

Mesmo um único instante de sinceridade possui valor.

Não julgue os momentos em que esqueceu.

Use este momento para recordar.

LIÇÃO 185 — ESSÊNCIA

A ideia: Quero a paz de Deus.

O desafio: não apenas dizer as palavras, mas desejá-las com sinceridade.

O conflito: afirmar que queremos paz enquanto ainda exigimos controle, vitória, reconhecimento ou punição.

Os sonhos: formas diferentes através das quais procuramos segurança e felicidade permanentes.

A barganha: oferecer alguma coisa para receber do mundo a paz que acreditamos não possuir.

A escolha: perguntar se ainda queremos determinado sonho no lugar da paz de Deus.

A correção: reconhecer que a paz já nos foi dada e não depende das circunstâncias.

A prática: examinar honestamente aquilo que desejamos.

A união: desejar a paz por nós e por todos os nossos irmãos.

A dádiva: ninguém perde quando a paz é recebida e compartilhada.

O movimento: das condições externas para uma decisão interior.

A lembrança: ninguém que procure verdadeiramente a paz de Deus pode deixar de encontrá-la.

A MENSAGEM CENTRAL DE HOJE

Todos dizem querer paz.

Mas muitas vezes queremos uma paz construída conforme nossos próprios planos.

Queremos paz se o outro mudar.

Paz se formos reconhecidos.

Paz se não houver perdas.

Paz se pudermos controlar o futuro.

Paz se vencermos.

Paz se a vida obedecer às nossas expectativas.

A Lição 185 nos convida a desejar algo diferente.

Uma paz que não seja refém dos acontecimentos.

Uma paz que não dependa da derrota de ninguém.

Uma paz que não precise ser comprada através de sacrifícios.

Uma paz que permaneça mesmo quando a estrada mudar.

Isso não significa que deixaremos de sentir.

Não significa que nenhuma situação será dolorosa.

Não significa que nos tornaremos passivos.

Significa que não entregaremos às formas temporárias a autoridade de definir completamente nosso estado interior.

Hoje podemos olhar para cada exigência e perguntar:

“É isso que quero no lugar da paz de Deus?”

Talvez ainda não consigamos abandonar todos os sonhos.

Mas podemos começar a retirar deles a função de nos salvar.

Podemos reconhecer que toda busca, por mais confusa que seja, esconde um desejo profundo de voltar à paz.

Essa paz já nos pertence.

Não precisamos convencer Deus a oferecê-la.

Precisamos permitir que nossa mente a aceite.

Por isso, hoje, não repetimos uma frase vazia.

Paramos.

Observamos.

Questionamos.

E procuramos dizê-la com toda a sinceridade possível:

QUERO A PAZ DE DEUS.