365 Dias com Um Curso em Milagres
Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior
A IDEIA CENTRAL DE HOJE
A Lição 183 nos conduz da quietude da lição anterior para uma prática de profunda simplicidade:
recordar Deus através do Seu Nome.
A ideia de hoje é:
“Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.”
À primeira vista, pode parecer apenas uma prática de repetição.
Mas a proposta é muito mais profunda.
O Nome de Deus representa, nesta lição:
- nossa Fonte;
- nossa verdadeira Identidade;
- aquilo que permanece além das identidades temporárias;
- a unidade entre Pai e Filho;
- a lembrança da realidade além das aparências;
- um ponto de quietude para o qual a mente pode retornar.
A prática não procura acrescentar algo novo à mente.
Procura ajudá-la a recordar o que esqueceu.
O NOME DE DEUS E O NOSSO NOME
A primeira afirmação da lição é surpreendente.
O texto ensina que o Nome de Deus é santo e relaciona diretamente esse Nome ao nosso próprio nome espiritual, usando a imagem de um pai que dá seu nome ao filho.
Isso não significa que nosso nome civil seja literalmente o Nome de Deus.
Não estamos falando de:
“Fernanda”,
“João”,
“Maria”,
“Pedro”.
“André”
Esses são nomes utilizados no mundo para distinguir uma pessoa de outra.
A lição aponta para algo anterior a todas essas distinções.
É como se dissesse:
antes de receber todos os nomes pelos quais o mundo identifica você, Deus já havia lhe dado uma Identidade.
E essa Identidade permanece.
O MUNDO NOS DEU MUITOS NOMES
Desde pequenos, aprendemos a responder a muitos nomes.
Não apenas ao nome escrito em nossos documentos.
Também aprendemos nomes psicológicos:
- inteligente;
- incapaz;
- bonito;
- feio;
- vencedor;
- fracassado;
- rico;
- pobre;
- desejado;
- rejeitado;
- saudável;
- doente;
- culpado;
- inocente;
- importante;
- insignificante.
Com o tempo, esses nomes podem se transformar em identidades.
Passamos a dizer:
“Eu sou isso.”
A Lição 183 começa a retirar a mente desse labirinto.
Ela nos convida a recordar que nenhum rótulo criado no tempo pode substituir aquilo que Deus criou.
OS PEQUENOS NOMES
O texto fala dos muitos “nomes pequenos” aos quais damos importância e que podem ocupar o lugar que pertence à lembrança de Deus.
Podemos compreender esses pequenos nomes como tudo aquilo que transformamos em fonte de significado absoluto.
Dinheiro.
Status.
Profissão.
Corpo.
Relacionamentos.
Reconhecimento.
Poder.
Reputação.
Posses.
Ideologias.
Conquistas.
Nada disso precisa ser atacado.
A questão é:
que função estamos dando a essas coisas?
Quando alguma delas se torna aquilo que acreditamos poder nos salvar, começamos a tratá-la como um pequeno deus.
OS ÍDOLOS NÃO PRECISAM SER OBJETOS RELIGIOSOS
No contexto psicológico do Curso, um ídolo pode ser qualquer coisa à qual atribuímos o poder de nos completar.
Podemos pensar:
“Quando eu conseguir isso, finalmente estarei em paz.”
Ou:
“Sem essa pessoa, não posso ser feliz.”
Ou:
“Se eu perder isso, perco quem sou.”
Ou:
“Preciso que o mundo reconheça meu valor para que eu tenha valor.”
É nesse sentido que alguma coisa temporária pode ocupar o lugar reservado ao eterno.
A prática de hoje não exige destruir o ídolo.
Ela nos convida simplesmente a retirar dele a função impossível que lhe demos.
INVOCO O NOME DE DEUS
Invocar, aqui, não precisa ser compreendido como tentar chamar um Deus distante.
A prática aponta para uma lembrança.
Quando invocamos o Nome de Deus, estamos orientando a mente novamente para sua Fonte.
É um movimento interior:
do múltiplo para o Uno;
do ruído para a quietude;
dos rótulos para a Identidade;
das aparências para a verdade;
do medo para a lembrança do Amor.
O NOME DE DEUS NOS LEMBRA QUEM SOMOS
A lição afirma que o Nome do Pai nos recorda quem somos mesmo enquanto parecemos estar em um mundo que não conhecemos e mesmo quando não nos lembramos conscientemente da nossa verdadeira Identidade.
Essa ideia é central.
Não precisamos fabricar nossa Identidade.
Não precisamos conquistá-la.
Não precisamos nos tornar dignos dela.
Precisamos recordá-la.
Essa diferença muda todo o caminho espiritual.
O ego diz:
“Torne-se alguma coisa.”
O Curso aponta:
“Recorde o que você é.”
REPETIR PARA RECORDAR
A prática proposta é extraordinariamente simples.
A lição orienta que o Nome de Deus seja repetido lentamente, novamente e novamente, deixando os demais pensamentos se aquietarem.
Não é necessário criar uma oração complexa.
Não precisamos explicar nossos problemas.
Não precisamos construir longos pedidos.
Não precisamos produzir uma experiência mística.
A mente recebe apenas um ponto de referência.
Deus.
E retorna a ele.
MAS QUAL NOME DE DEUS DEVO REPETIR?
Essa é uma pergunta natural diante desta lição.
O próprio texto concentra-se no Nome de Deus, sem estabelecer aqui uma fórmula especial que precise ser inventada.
Por isso, é prudente não transformar o exercício em busca de uma palavra secreta.
A essência está menos na fonética e mais no que a mente está escolhendo recordar.
Se você utiliza simplesmente:
Deus
isso já pode cumprir a função prática de direcionar a atenção para aquilo que a lição simboliza.
O importante é não transformar o exercício em superstição.
Não é uma palavra mágica.
É uma prática de lembrança.
NÃO É UM MANTRA PARA CONSEGUIR COISAS
A prática não é:
“Vou repetir o Nome de Deus para ganhar dinheiro.”
“Vou repetir para alguém voltar.”
“Vou repetir para conseguir determinado resultado.”
“Vou repetir para controlar o futuro.”
Isso faria do Nome de Deus apenas mais um instrumento para fortalecer nossos pequenos objetivos.
A direção é inversa.
Não usamos Deus para alcançar os ídolos.
Permitimos que a lembrança de Deus coloque os ídolos em perspectiva.
QUANDO OS PEQUENOS NOMES PERDEM IMPORTÂNCIA
Imagine que você esteja extremamente preocupado com alguma coisa.
Naquele instante, o problema recebeu um enorme “nome”.
Parece ser tudo.
Ocupa a mente inteira.
Então você para.
Respira.
E repete lentamente:
Deus.
Novamente:
Deus.
Você não está dizendo que o problema não existe no nível prático.
Está dizendo:
“Não permitirei que esse problema defina toda a realidade.”
Isso é completamente diferente.
O NOME DE DEUS COLOCA AS COISAS EM PERSPECTIVA
O texto afirma que, ao repetir o Nome de Deus e invocar o Ser, as pequenas coisas da terra entram em sua perspectiva correta.
Essa é uma excelente chave prática.
A espiritualidade não precisa fazer desaparecer todas as situações.
Pode mudar a proporção que damos a elas.
Uma dificuldade continua sendo uma dificuldade.
Mas deixa de ser o universo inteiro.
Uma perda continua sendo sentida.
Mas não precisa destruir nossa Identidade.
Uma crítica continua sendo ouvida.
Mas não define nosso valor.
Um erro continua podendo ser corrigido.
Mas não precisa receber o nome de “pecado irreparável”.
A perspectiva muda.
NÃO CONFUNDIR O CORPO COM O FILHO DE DEUS
A lição também relaciona a prática à correção de uma identificação fundamental: não confundir corpos com a verdadeira Identidade do Filho de Deus.
Isso não significa desprezar o corpo.
Significa não reduzir o Ser ao corpo.
Podemos cuidar dele.
Alimentá-lo.
Protegê-lo.
Tratamos doenças quando necessário.
Respeitamos seus limites.
Mas não precisamos concluir:
“Tudo o que sou começa e termina aqui.”
A Lição 183 aponta para uma Identidade maior do que a forma.
A PRÁTICA COM UM IRMÃO
Existe uma passagem particularmente bela.
A lição diz que, quando nos unimos interiormente a um irmão em silêncio e repetimos o Nome de Deus numa mente quieta, estabelecemos simbolicamente um altar que alcança Deus e Seu Filho.
Isso oferece uma prática poderosa para relacionamentos.
Quando estiver diante de alguém com quem existe conflito, experimente não começar pela história.
Antes de pensar:
“ele fez isso”,
“ela deveria ter feito aquilo”,
“eu estou certo”,
“ele está errado”,
faça silêncio.
Recorde Deus.
E então tente olhar novamente.
Talvez o problema ainda precise ser resolvido.
Mas você estará tentando resolvê-lo a partir de outro estado mental.
O NOME QUE COMPARTILHAMOS
No mundo, nossos nomes parecem separar.
Eu tenho um nome.
Você tem outro.
Cada corpo possui uma história.
Cada pessoa possui características.
Mas a lição utiliza o Nome de Deus como símbolo daquilo que compartilhamos.
Por baixo das diferenças:
a mesma Fonte.
Por baixo dos papéis:
a mesma origem.
Por baixo das histórias:
uma Identidade compartilhada em Deus.
É por isso que a prática não é apenas individual.
Ela possui uma dimensão de união.
QUANDO ALGUÉM IRRITAR VOCÊ
Antes de construir mentalmente uma lista de acusações, experimente:
pare.
Não responda imediatamente.
Recorde:
Deus.
Depois olhe para a pessoa.
Pergunte:
“Estou vendo apenas o pequeno nome que dei a ela?”
Talvez você a tenha chamado interiormente de:
egoísta,
mentirosa,
difícil,
injusta,
arrogante,
inimiga.
Você ainda pode reconhecer comportamentos inadequados.
Mas não precisa transformar o comportamento em identidade eterna.
QUANDO VOCÊ SE JULGAR
A mesma prática vale para nós.
Talvez você tenha cometido um erro e imediatamente apareça:
“Sou um fracasso.”
Observe.
“Fracasso” tornou-se um nome.
Talvez apareça:
“Sou indigno.”
Outro nome.
Ou:
“Nunca consigo fazer nada direito.”
Outro.
Hoje, pare.
E coloque diante desses pequenos nomes uma lembrança maior:
Deus.
Não como fuga da responsabilidade.
Mas como recusa em transformar um erro temporal em definição eterna.
QUANDO O MEDO DO FUTURO APARECER
O medo costuma dar nomes a acontecimentos que ainda nem ocorreram.
“Fracasso.”
“Perda.”
“Abandono.”
“Doença.”
“Ruína.”
“Solidão.”
A mente começa a viver dentro desses nomes.
A prática de hoje interrompe esse movimento.
Não sabemos o que acontecerá.
Mas podemos escolher qual pensamento ocupará o centro da mente agora.
QUANDO A MENTE ESTIVER MUITO ACELERADA
Você não precisa discutir com cada pensamento.
Imagine tentar responder individualmente a cinquenta pensamentos ansiosos.
Seria exaustivo.
A Lição 183 oferece algo muito mais simples.
Um único ponto.
Deus.
Um pensamento aparece.
Deus.
Outro aparece.
Deus.
Outra preocupação.
Deus.
Não como repressão.
Como redirecionamento.
UM ÚNICO PENSAMENTO
A instrução da lição é radicalmente simples: sentar em silêncio, deixar o Nome ocupar a mente e permitir que os demais pensamentos se aquietem diante dele.
Podemos entender isso como um exercício de unificação da atenção.
Normalmente nossa mente está dividida entre:
ontem,
amanhã,
dinheiro,
relacionamentos,
medos,
desejos,
lembranças,
corpo,
trabalho,
comparações.
Hoje, durante a prática:
um pensamento.
NÃO PRECISAMOS LUTAR CONTRA OS OUTROS PENSAMENTOS
Se um pensamento surgir durante o exercício, não precisamos pensar:
“Estraguei a meditação.”
Apenas percebemos.
E voltamos.
Deus.
Surge outro.
Voltamos.
Deus.
Quantas vezes?
Quantas forem necessárias.
Cada retorno já faz parte da prática.
COMO PRATICAR A LIÇÃO 183
INÍCIO DA PRÁTICA
Sente-se confortavelmente.
Feche os olhos, se isso ajudar.
Respire naturalmente.
Não procure nenhuma experiência extraordinária.
Diga uma vez a ideia:
“Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.”
Depois simplifique.
REPITA LENTAMENTE
Repita interiormente:
Deus.
Sem pressa.
Não transforme a palavra numa corrida.
Permita algum silêncio.
Depois:
Deus.
E novamente.
DEIXE OS OUTROS NOMES PASSAREM
Se aparecer:
trabalho,
problema,
dinheiro,
relacionamento,
medo,
lembrança,
planejamento,
apenas observe.
Não precisa desenvolver a história.
Volte:
Deus.
DESCANSE
Em algum momento, talvez até a repetição pareça menos importante do que o silêncio.
Não force.
Permita a quietude.
A própria lição aponta para uma comunicação que finalmente transcende as palavras.
MICROPRÁTICA DE 60 SEGUNDOS
0–15 SEGUNDOS
Observe a mente.
Não tente modificá-la.
15–30 SEGUNDOS
Diga interiormente:
Deus.
Faça uma pausa.
Repita.
30–45 SEGUNDOS
Quando outro pensamento surgir:
não lute.
Volte ao Nome.
45–60 SEGUNDOS
Permaneça em silêncio.
E permita que a mente descanse.
PRÁTICA AO ACORDAR
Antes de tocar no telefone:
pare.
Antes de lembrar todas as obrigações:
pare.
Antes de colocar todos os nomes do mundo de volta na mente:
recorde o Nome que representa sua Fonte.
Deus.
Comece o dia daí.
PRÁTICA ANTES DE UMA DECISÃO
Quando estiver confuso:
não use a repetição para exigir uma resposta específica.
Use-a primeiro para aquietar a mente.
Repita o Nome de Deus.
Depois pergunte:
“Consigo olhar para essa decisão com menos medo agora?”
Às vezes, clareza não significa receber uma resposta sobrenatural.
Significa simplesmente remover parte do ruído que impedia o discernimento.
PRÁTICA EM UM CONFLITO
Quando estiver prestes a enviar uma mensagem agressiva:
pare.
Repita interiormente:
Deus.
Espere.
Leia novamente o que escreveu.
Pergunte:
“É isso que quero ensinar?”
Talvez ainda seja necessário colocar um limite.
Talvez seja necessário dizer não.
Talvez seja necessário corrigir algo.
Mas agora existe uma oportunidade de fazê-lo sem transformar o outro em inimigo.
PRÁTICA DIANTE DO ESPELHO
Olhe para si mesmo.
Observe quantos nomes você costuma dar à imagem.
“Bonito.”
“Velho.”
“Jovem.”
“Cansado.”
“Imperfeito.”
“Desejável.”
“Indesejável.”
Agora reconheça:
nenhum desses nomes contém toda a minha Identidade.
E recorde Deus.
PRÁTICA COM UMA PESSOA DIFÍCIL
Pense por alguns segundos em alguém que desafia sua paz.
Não tente justificar o comportamento dela.
Não tente fingir que nada aconteceu.
Apenas retire temporariamente todos os nomes que você colocou sobre essa pessoa.
E recorde:
ela também possui sua Fonte em Deus.
Permaneça alguns instantes nessa ideia.
O QUE OBSERVAR HOJE
Observe quantas vezes você transforma coisas pequenas em absolutos.
Preste atenção quando pensar:
- “Isso é tudo.”
- “Sem isso não consigo viver.”
- “Essa pessoa define minha felicidade.”
- “Esse erro define quem sou.”
- “Esse problema destruiu tudo.”
- “Minha aparência determina meu valor.”
- “Minha profissão é minha identidade.”
- “Minha conta bancária diz quem sou.”
- “A opinião dessa pessoa determina meu valor.”
Cada vez que isso acontecer, talvez um pequeno nome tenha ocupado espaço demais.
EXERCÍCIO — OS NOMES QUE DEI A MIM MESMO
Escreva:
“QUEM O MUNDO DISSE QUE EU ERA?”
Liste os nomes que você recebeu ao longo da vida.
Por exemplo:
- inteligente;
- difícil;
- sensível;
- incapaz;
- forte;
- fraco;
- bonito;
- inadequado;
- vencedor;
- fracassado.
Depois pergunte:
“Qual desses nomes eu transformei em identidade?”
Finalmente escreva:
“Nenhum nome temporal pode substituir aquilo que Deus criou.”
EXERCÍCIO — MEUS PEQUENOS DEUSES
Escreva:
“O QUE ACREDITO QUE PRECISO TER PARA FINALMENTE ESTAR EM PAZ?”
Não julgue suas respostas.
Talvez apareçam:
- dinheiro;
- relacionamento;
- aprovação;
- sucesso;
- reconhecimento;
- segurança;
- corpo ideal;
- determinada conquista.
Agora escreva:
“Isso pode ter valor relativo na minha experiência, mas não precisa ocupar o lugar de Deus.”
O NOME NÃO É MAGIA
Este ponto merece atenção.
A lição não precisa ser transformada em técnica supersticiosa.
Não estamos utilizando uma fórmula para controlar acontecimentos externos.
A transformação buscada é na mente que percebe.
O Nome funciona como lembrança da Fonte.
Como retorno.
Como unificação.
Como abandono temporário dos milhares de significados que atribuímos ao mundo.
DA MULTIPLICIDADE PARA A UNIDADE
Pense em quantas coisas competem pela nossa atenção diariamente.
Cada uma parece dizer:
“Eu sou importante.”
Outra diz:
“Não, eu sou mais importante.”
Outra:
“Você precisa resolver a mim primeiro.”
E outra:
“Se você não cuidar de mim agora, tudo dará errado.”
A mente se fragmenta.
A Lição 183 responde:
um Nome.
Um centro.
Uma Fonte.
Uma Identidade.
A GRAÇA
O texto afirma que a prática pode abrir a mente à experiência da graça, da libertação e da lembrança daquilo que o mundo esqueceu.
Isso não precisa significar um fenômeno espetacular.
Talvez a graça apareça simplesmente como:
um minuto sem medo.
Uma súbita ausência de julgamento.
Um instante de profunda quietude.
Uma percepção de união.
Uma sensação de que não precisamos resolver tudo.
Uma paz sem explicação.
Não determine previamente como a experiência deve ser.
NÃO PROCURE EXPERIÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS
Existe uma armadilha possível.
Começamos a repetir o Nome de Deus esperando:
luzes,
visões,
vozes,
sensações especiais,
fenômenos.
Então transformamos a prática em mais uma busca do ego.
Hoje podemos fazer algo mais simples.
Não pedir nada.
Não fabricar nada.
Não avaliar nada.
Apenas recordar.
UMA PRECE QUE CONTÉM AS OUTRAS
Perto do final, a lição apresenta o voltar-se para o Nome de Deus como suficiente para a libertação e diz que nenhuma outra prece é necessária nesse sentido, porque essa lembrança contém as demais.
Podemos compreender a lógica:
se recordo verdadeiramente minha Fonte,
muitas necessidades que pareciam absolutas perdem seu poder sobre mim.
Talvez não desapareçam externamente.
Mas deixam de definir minha paz.
QUANDO AS PALAVRAS TERMINAM
Curiosamente, uma lição baseada no Nome termina apontando para além das palavras.
O texto descreve um relacionamento eterno entre Pai e Filho no qual a comunicação ultrapassa aquilo que as palavras conseguem transmitir.
Esse é o movimento da prática:
começamos com uma palavra.
Deus.
A palavra reúne a atenção.
A atenção se aquieta.
E, finalmente, talvez haja apenas:
silêncio.
PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE
Hoje você pode refletir:
- Que nomes uso para definir quem sou?
- Quais rótulos ainda me aprisionam?
- Que nomes dei às pessoas que considero difíceis?
- O que transformei em fonte da minha felicidade?
- Que coisa temporária trato como se fosse absoluta?
- Quem eu seria por um instante sem meus rótulos?
- Consigo recordar Deus sem pedir nada?
- O que acontece quando repito Seu Nome lentamente?
- O silêncio depois do Nome me incomoda ou me traz paz?
- Consigo olhar para outra pessoa sem reduzi-la ao papel que desempenha na minha história?
FRASES PARA RECORDAR DURANTE O DIA
- Minha Identidade não está nos pequenos nomes.
- Nenhum rótulo pode definir o Filho de Deus.
- Meu valor não depende da opinião do mundo.
- Posso retirar dos ídolos o poder que lhes dei.
- Deus é minha Fonte.
- Não preciso transformar meus problemas em minha identidade.
- Posso olhar além dos nomes que dei aos meus irmãos.
- Um erro não é meu nome.
- Um corpo não contém toda a minha Identidade.
- Hoje escolho recordar.
A LIÇÃO 183 E A LIÇÃO 182
A sequência é muito bela.
Na Lição 182:
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
Na Lição 183:
“Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.”
Primeiro:
aquietamos.
Depois:
recordamos.
Primeiro:
o ruído diminui.
Depois:
o Nome ocupa o espaço antes preenchido pelos pequenos nomes.
Primeiro:
voltamos para Casa.
Depois:
recordamos a Quem pertencemos.
O QUE VEM NA LIÇÃO 184
A próxima lição aprofunda diretamente o tema iniciado hoje:
“O Nome de Deus é a minha herança.”
Hoje invocamos o Nome.
Amanhã examinaremos mais profundamente o contraste entre o Nome dado por Deus e os inúmeros nomes que inventamos para organizar um mundo percebido como separado.
ORAÇÃO DE ENTREGA
Pai,
hoje quero deixar descansar
os muitos nomes que dei a mim mesmo.
Os nomes do medo.
Os nomes da culpa.
Os nomes do passado.
Os nomes que recebi do mundo
e confundi com a minha Identidade.
Quero também retirar dos meus irmãos
os nomes que usei para aprisioná-los
em meus julgamentos.
Que eu me lembre da nossa Fonte.
Que o Teu Nome
traga minha mente de volta à quietude.
Quando eu estiver com medo,
que eu me lembre.
Quando estiver julgando,
que eu me lembre.
Quando acreditar que alguma coisa do mundo
pode me completar ou destruir,
que eu me lembre.
Que todos os pequenos nomes se aquietem
por um instante.
E que reste apenas a lembrança
do Amor do qual nunca nos separamos.
Amém.
FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA
INVOCO O NOME DE DEUS E O MEU PRÓPRIO.
AO FINAL DO DIA
Antes de dormir, pergunte:
- Que nome teve mais poder sobre mim hoje?
- Qual situação transformei em algo absoluto?
- Em algum momento recordei Deus antes de reagir?
- Consegui olhar para alguém além do rótulo que lhe dei?
- Consegui olhar para mim além dos meus próprios rótulos?
- Houve algum instante em que a repetição deu lugar ao silêncio?
Não transforme as respostas em julgamento.
Observe.
Entregue.
E volte novamente ao Nome.
LIÇÃO 183 — ESSÊNCIA
A ideia: Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.
O problema: demos inúmeros nomes às coisas e passamos a confundi-los com a realidade.
A identificação falsa: acreditar que nossos rótulos, papéis, corpos e histórias dizem o que somos.
Os pequenos deuses: tudo aquilo que recebe de nós a função de nos completar ou salvar.
A correção: recordar a Fonte.
A prática: repetir lentamente o Nome de Deus e permitir que os demais pensamentos se aquietem.
O movimento: dos muitos nomes para um só Nome.
A lembrança: invocar Deus é também recordar nossa verdadeira Identidade.
A experiência buscada: quietude, unidade, graça e paz.
O destino da palavra: conduzir-nos finalmente ao silêncio que está além das palavras.
A MENSAGEM CENTRAL DE HOJE
Passamos grande parte da vida aprendendo nomes.
Nomeamos pessoas.
Nomeamos acontecimentos.
Nomeamos nossos sentimentos.
Nomeamos nossos corpos.
Nomeamos nossos erros.
Nomeamos nossos sucessos.
E finalmente nomeamos a nós mesmos.
Mas talvez tenhamos confundido aquilo que nomeamos com aquilo que somos.
A Lição 183 nos convida a interromper esse movimento.
Por alguns instantes, não precisamos ser:
o nosso passado,
a nossa profissão,
a nossa aparência,
os nossos erros,
os nossos títulos,
as nossas conquistas,
os nossos fracassos,
nem aquilo que alguém decidiu pensar sobre nós.
Podemos ficar em silêncio.
E recordar a Fonte.
O texto diz que, nessa lembrança, os pequenos sons se aquietam e aponta para uma paz na comunicação entre Pai e Filho que ultrapassa as palavras.
Talvez seja essa a jornada da prática de hoje:
começamos pronunciando um Nome.
Depois o repetimos.
Depois escutamos.
E finalmente descobrimos que aquilo para o qual o Nome apontava sempre esteve além de todas as palavras.
Deus.
E, na linguagem da lição, ao invocar Seu Nome, começamos também a recordar o nosso.
