EU ME AQUIETAREI POR UM MOMENTO E IREI PARA CASA
365 Dias com Um Curso em Milagres
Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior
A IDEIA CENTRAL DESTA REVISÃO
A Lição 202 continua a Revisão VI e retoma a ideia apresentada na Lição 182:
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
O tema central da revisão permanece:
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.”
Hoje unimos duas lembranças:
- nossa Identidade não está limitada ao corpo;
- nossa verdadeira Casa não está no sistema de medo, conflito e separação.
A lição pergunta:
“Por que eu escolheria ficar mais um momento onde não é o meu lugar, quando o Próprio Deus deu-me a Sua Voz para chamar-me de volta à casa?”
Essa pergunta não fala necessariamente de abandonar um lugar físico.
Ela fala de abandonar um estado mental.
Podemos estar em nossa própria casa, cercados por pessoas conhecidas, e ainda sentir que estamos longe de Casa.
Também podemos atravessar uma situação difícil e experimentar um instante de profunda quietude interior.
A Casa que buscamos não depende da geografia.
Ela é a lembrança da paz e da unidade que permanecem em Deus.
O QUE SIGNIFICA IR PARA CASA
Ir para Casa não significa desaparecer do mundo.
Não é morrer.
Não é abandonar o corpo.
Não é rejeitar a vida humana.
Não é fugir das responsabilidades.
Ir para Casa significa permitir que a mente se afaste, por um momento, do sistema de pensamento do ego.
É deixar descansar:
- a necessidade de controlar;
- a compulsão de julgar;
- o desejo de vencer;
- o medo do futuro;
- a repetição do passado;
- a defesa permanente;
- a busca desesperada por segurança;
- a identificação exclusiva com o corpo.
Quando esses movimentos se aquietam, ainda que brevemente, a mente pode recordar aquilo que o ruído estava encobrindo.
Casa é um estado de pertencimento ao Amor.
A QUIETUDE NÃO PRECISA SER PERFEITA
Ao ouvir a instrução “Eu me aquietarei”, podemos imaginar que precisamos eliminar todos os pensamentos.
Então começamos uma batalha mental:
“Não posso pensar.”
“Preciso silenciar completamente.”
“Estou fazendo errado.”
“Minha mente está muito agitada.”
Essa luta cria ainda mais ruído.
A quietude desta lição não exige uma mente vazia.
Ela começa quando deixamos de seguir automaticamente todos os pensamentos.
Um pensamento pode surgir.
Nós o percebemos.
Não precisamos desenvolvê-lo.
Não precisamos discuti-lo.
Não precisamos transformá-lo em história.
A mente pode estar agitada e, ainda assim, existir um pequeno espaço de observação.
Esse espaço já é uma porta para Casa.
A CASA QUE NÃO PODE SER CONSTRUÍDA PELO EGO
O ego tenta construir muitas casas psicológicas.
Ele pensa:
“Estarei em Casa quando encontrar a pessoa certa.”
“Estarei em Casa quando tiver estabilidade financeira.”
“Estarei em Casa quando meu corpo estiver saudável.”
“Estarei em Casa quando todos me aceitarem.”
“Estarei em Casa quando compreender tudo espiritualmente.”
Essas condições podem trazer experiências importantes.
Podemos valorizar:
- um lar físico seguro;
- relações amorosas;
- estabilidade;
- saúde;
- pertencimento;
- conhecimento;
- realização profissional.
Mas nenhuma forma temporária pode oferecer a segurança absoluta que a mente realmente procura.
Tudo no mundo da forma pode mudar.
Se transformarmos uma condição externa em nossa Casa definitiva, viveremos com medo de perdê-la.
A Casa recordada nesta lição não precisa ser construída.
Ela precisa ser reconhecida.
O SENTIMENTO DE NÃO PERTENCIMENTO
Muitas pessoas experimentam, em algum momento, uma sensação difícil de explicar.
Parece que falta algo.
Mesmo quando as condições externas estão razoavelmente bem, permanece um vazio.
A mente pensa:
“Deveria estar feliz, mas alguma coisa ainda não está completa.”
“Não sei exatamente o que estou procurando.”
“Sinto-me estrangeiro em minha própria vida.”
“Nenhum lugar parece ser totalmente meu.”
A Lição 182, agora revisada, interpreta esse anseio como uma memória distante da nossa verdadeira Casa.
Isso não significa que devemos desprezar a vida presente.
Significa que não precisamos exigir do mundo aquilo que ele não pode oferecer.
O anseio pode ser utilizado como um chamado para a quietude.
Em vez de preenchê-lo imediatamente com mais atividades, compras, relações ou distrações, podemos perguntar:
“O que acontece se eu simplesmente parar por um momento?”
EU NÃO SOU UM CORPO. EU SOU LIVRE.
O tema central da revisão amplia o significado de voltar para Casa.
Se acreditamos ser apenas um corpo, nossa casa parece precisar ser algum lugar onde o corpo esteja protegido e satisfeito.
Mas, se nossa Identidade é maior do que o corpo, Casa não pode ser apenas um local físico.
O corpo pode estar seguro e a mente continuar em conflito.
O corpo pode estar imóvel e a mente percorrer centenas de cenários de medo.
O corpo pode estar numa bela paisagem e a mente permanecer presa à culpa.
Da mesma maneira, o corpo pode estar realizando uma tarefa comum enquanto a mente escolhe um instante de paz.
A liberdade não depende exclusivamente da posição do corpo.
Ela começa com a escolha da mente.
A VOZ QUE NOS CHAMA DE VOLTA
A Lição 202 recorda que Deus nos deu Sua Voz para chamar-nos de volta à Casa.
No vocabulário do Curso, essa Voz é associada ao Espírito Santo.
Não é necessário esperar uma voz audível.
A orientação pode ser reconhecida como um movimento interior em direção a:
- paz;
- perdão;
- honestidade;
- união;
- responsabilidade;
- gentileza;
- ausência de ataque;
- correção sem condenação.
A voz do ego costuma dizer:
“Reaja imediatamente.”
“Ataque antes que ataquem você.”
“Prove que está certo.”
“Controle tudo.”
“Não confie em ninguém.”
“Você está sozinho.”
A Voz que chama para Casa não grita.
Ela convida:
“Pare.”
“Olhe novamente.”
“Você não precisa escolher o medo.”
“Existe outra maneira de perceber.”
COMO RECONHECER A ORIENTAÇÃO INTERIOR
Nem todo pensamento que aparece na mente representa orientação espiritual.
Por isso, o discernimento é importante.
Uma orientação coerente com o Espírito Santo não incentiva:
- violência;
- humilhação;
- superioridade espiritual;
- abandono irresponsável;
- invasão dos limites de alguém;
- desprezo pelo corpo;
- rejeição de cuidados necessários;
- decisões impulsivas justificadas como revelações;
- medo de punição divina.
A orientação da paz pode pedir uma atitude firme.
Pode revelar que um limite precisa ser estabelecido.
Pode indicar que devemos pedir ajuda.
Pode mostrar que uma decisão foi adiada.
Mas não necessita do ataque para comunicar clareza.
IR PARA CASA NÃO É FUGIR DOS PROBLEMAS
A quietude não substitui a ação prática.
Depois de aquietar a mente, talvez ainda seja necessário:
- responder a uma mensagem;
- organizar as finanças;
- procurar atendimento profissional;
- realizar uma conversa difícil;
- cumprir um compromisso;
- corrigir um erro;
- pedir desculpas;
- estabelecer um limite;
- encerrar uma situação prejudicial;
- tomar uma decisão.
A diferença está no estado mental a partir do qual agimos.
Sem quietude, reagimos como se o medo fosse nosso único conselheiro.
Depois de uma pausa, podemos reconhecer alternativas que antes estavam encobertas.
A prática não elimina a responsabilidade.
Ela nos ajuda a exercê-la com mais clareza.
OS ESCUDOS QUE CARREGAMOS
A mente constrói defesas psicológicas para tentar proteger-se.
Algumas dessas defesas aparecem como:
- controle;
- ironia;
- agressividade;
- isolamento;
- desconfiança automática;
- necessidade de agradar;
- perfeccionismo;
- fuga;
- justificativas;
- indiferença artificial;
- tentativa de prever todos os resultados.
Esses escudos parecem oferecer segurança, mas exigem energia constante.
A lição nos convida a abaixá-los por um instante.
Não precisamos abandonar cuidados sensatos.
Abaixar o escudo significa interromper a defesa mental automática.
Podemos perguntar:
“Preciso realmente me defender deste momento ou estou reagindo a uma ameaça imaginada?”
A AUSÊNCIA DE DEFESAS COMO FORÇA
Para o ego, estar sem defesas parece perigoso.
Ele pensa:
“Se eu não atacar, serei fraco.”
“Se eu não controlar, tudo dará errado.”
“Se eu não preparar minha resposta, perderei.”
Mas o Curso associa a ausência de defesas à força.
Isso não significa permanecer fisicamente exposto a perigos.
Significa não utilizar o ataque psicológico como fonte de segurança.
Uma pessoa pode tomar medidas protetivas sem ódio.
Pode sair de uma situação insegura sem desejar vingança.
Pode procurar ajuda sem cultivar condenação.
Pode dizer não sem atacar a dignidade do outro.
A verdadeira ausência de defesas é interior.
A CRIANÇA SANTA COMO SÍMBOLO
Na Lição 182, a imagem da Criança santa representa a inocência que ainda conhece a Casa do Pai.
Essa Criança não é necessariamente uma criança física nem uma personalidade separada dentro de nós.
É um símbolo da parte da mente que não esqueceu completamente sua origem.
O mundo pode ter ensinado:
- medo;
- competição;
- culpa;
- defesa;
- desconfiança;
- comparação;
- ataque.
Entretanto, permanece em nós uma memória da paz.
A voz dessa lembrança pode parecer pequena porque o ruído do mundo é intenso.
Ainda assim, ela não desapareceu.
A revisão de hoje nos convida a escutá-la.
A INOCÊNCIA NÃO FOI PERDIDA
Talvez pensemos:
“Eu me afastei demais.”
“Cometi erros demais.”
“Não sou digno de voltar.”
“Minha mente está confusa demais para encontrar paz.”
A ideia central da Revisão VI responde:
“Pois ainda sou como Deus me criou.”
A palavra “ainda” é essencial.
Apesar das experiências.
Apesar dos erros.
Apesar das imagens construídas.
Apesar do medo.
Apesar da culpa.
Aquilo que Deus criou permanece.
Voltar para Casa não exige que fabriquemos uma nova Identidade.
Exige que deixemos de substituir nossa Identidade por aquilo que não somos.
NÃO PRECISAMOS MERECER A QUIETUDE
Algumas pessoas transformam a paz em recompensa.
Pensam:
“Só poderei descansar depois de resolver tudo.”
“Preciso terminar todas as tarefas antes de parar.”
“Não mereço paz porque cometi erros.”
“Descansar é irresponsabilidade.”
A prática de hoje rompe essa condição.
Não precisamos concluir todas as batalhas antes de experimentar um instante de paz.
Talvez seja justamente a pausa que nos permita escolher quais batalhas não precisam continuar.
A quietude não é prêmio por desempenho perfeito.
É um recurso oferecido agora.
A PRÁTICA FORMAL DA REVISÃO VI
A Revisão VI orienta uma prática frequente e concentrada.
Hoje, procure realizar:
- pelo menos quinze minutos pela manhã;
- pelo menos quinze minutos à noite;
- uma lembrança a cada hora;
- retornos frequentes nos intervalos;
- aplicações especiais quando surgir perturbação;
- períodos de silêncio além das palavras.
A ideia é simples, mas não superficial.
Cada retorno ensina à mente que ela não precisa seguir o fluxo do medo até o fim.
PRÁTICA DE QUINZE MINUTOS PELA MANHÃ
Sente-se confortavelmente.
Feche os olhos, se isso ajudar.
Comece com:
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.”
Depois diga:
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
Não procure imagens específicas.
Não force sensações.
Não espere fenômenos.
Permita que os pensamentos passem sem acompanhá-los.
Se surgir uma preocupação, reconheça:
“Isso pode esperar por alguns instantes.”
Volte à ideia.
Ao final, repita novamente o tema central.
A LEMBRANÇA A CADA HORA
A cada hora, interrompa brevemente o que estiver fazendo, quando for seguro.
Recorde:
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre.”
“Pois ainda sou como Deus me criou.”
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
Pode ser uma pausa de trinta segundos.
O objetivo é retirar a mente, por um instante, da identificação automática com o ruído.
Se esquecer uma ou várias horas, não transforme isso em culpa.
Retome no momento em que lembrar.
APLICAÇÃO DIANTE DE UM PENSAMENTO PERTURBADOR
A Revisão VI oferece uma fórmula direta:
“Não quero este pensamento. Escolho em lugar dele…”
Hoje, complete:
“Não quero este pensamento. Escolho em lugar dele: eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
Se aparecer:
“Preciso resolver tudo agora”,
responda:
“Não quero este pensamento de urgência. Escolho uma pausa para recuperar a clareza.”
Se surgir:
“Estou completamente sozinho”,
responda:
“Não quero entregar minha mente a essa conclusão. Escolho recordar minha Fonte.”
Se surgir:
“Nunca terei paz”,
responda:
“Este pensamento não precisa governar minha mente. Posso aceitar um instante de quietude agora.”
COMO PRATICAR A LIÇÃO 202
AO ACORDAR
Antes de tocar no telefone, permaneça alguns instantes em silêncio.
Recorde:
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre.”
Depois permita:
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
EM MOMENTOS DE PRESSA
Pare por alguns segundos.
Respire naturalmente.
Pergunte:
“Tudo precisa ser resolvido neste exato instante?”
Organize a próxima ação possível sem carregar mentalmente todas as tarefas ao mesmo tempo.
DIANTE DA RAIVA
Não responda imediatamente, se houver espaço para esperar.
Observe o impulso de atacar.
Diga:
“Posso voltar para Casa antes de responder.”
Depois decida se precisa falar, estabelecer um limite ou afastar-se.
DIANTE DO MEDO
Não tente expulsar o medo.
Reconheça:
“O medo está presente, mas não precisa decidir por mim.”
Volte ao tema central.
ANTES DE UMA DECISÃO
Aquietar-se não significa esperar uma resposta sobrenatural.
Pode simplesmente remover parte da agitação que impede o discernimento.
Pergunte:
“Qual decisão preserva responsabilidade, honestidade e paz?”
ANTES DE DORMIR
Reserve pelo menos quinze minutos.
Entregue o ruído acumulado.
Não tente resolver mentalmente o dia seguinte.
Permita-se voltar para Casa por alguns instantes.
MICROPRÁTICA DE 60 SEGUNDOS
0–15 SEGUNDOS — PARE
Interrompa o movimento automático.
15–30 SEGUNDOS — RESPIRE
Não force a respiração.
Apenas acompanhe seu ritmo natural.
30–45 SEGUNDOS — RECORDE
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.”
45–60 SEGUNDOS — RETORNE
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
Permaneça brevemente em silêncio.
EXERCÍCIO DE ESCRITA — OS LUGARES ONDE TENTO MORAR
Escreva:
“ACREDITO QUE FINALMENTE ESTAREI EM CASA QUANDO…”
Complete a frase livremente.
Talvez apareça:
- quando tiver estabilidade financeira;
- quando encontrar um relacionamento;
- quando mudar de cidade;
- quando minha família mudar;
- quando meu corpo estiver diferente;
- quando for reconhecido;
- quando não tiver mais problemas;
- quando alcançar determinado nível espiritual;
- quando compreender tudo.
Ao lado de cada resposta, escreva:
“Isso pode contribuir para minha experiência, mas não precisa carregar a responsabilidade de completar quem sou.”
Depois pergunte:
“Como seria permitir um instante de pertencimento agora?”
EXERCÍCIO — MEUS ESCUDOS
Escreva:
“COMO ME DEFENDO QUANDO SINTO MEDO?”
Talvez você reconheça que:
- controla;
- acusa;
- agrada;
- se fecha;
- ironiza;
- foge;
- ataca;
- tenta explicar excessivamente;
- busca aprovação;
- imagina todos os perigos;
- evita pedir ajuda.
Escolha um desses escudos e pergunte:
“Posso abaixá-lo por um minuto sem abandonar minha segurança prática?”
Observe a resposta da mente.
O QUE OBSERVAR HOJE
Observe cada vez que pensar:
- “Preciso resolver tudo agora.”
- “Só poderei descansar quando tudo estiver perfeito.”
- “A paz está em outro lugar.”
- “Não pertenço a lugar algum.”
- “Preciso me defender o tempo todo.”
- “Se eu parar, perderei o controle.”
- “Minha mente está agitada demais para praticar.”
- “Cometi erros demais para voltar.”
Use cada pensamento como chamado para a quietude.
PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE
- Onde acredito que encontrarei minha Casa?
- Qual condição transformei em promessa de pertencimento?
- O que temo que aconteça se eu parar?
- Que ruído ocupa minha mente?
- Qual escudo costumo levantar?
- Estou confundindo quietude com passividade?
- Existe alguma responsabilidade prática que preciso cumprir?
- Posso agir depois de recuperar meu centro?
- Estou procurando fenômenos em vez de quietude?
- Que pensamento não quero mais alimentar?
- Consigo ficar em silêncio sem exigir resultados?
- Em quais momentos me sinto distante de Casa?
- O que muda quando faço uma pausa antes de responder?
- Estou disposto a retornar por apenas um minuto?
FRASES PARA RECORDAR DURANTE O DIA
- Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.
- Não preciso resolver tudo agora.
- Minha Casa não depende da geografia.
- Posso parar sem abandonar minhas responsabilidades.
- A quietude não exige uma mente perfeita.
- O medo pode estar presente sem decidir por mim.
- Posso abaixar minhas defesas por um instante.
- Minha inocência não foi perdida.
- A Voz da paz ainda me chama.
- Não preciso construir a Casa que Deus já me deu.
- Eu não sou um corpo. Eu sou livre.
- Pois ainda sou como Deus me criou.
A LIÇÃO 202 E A LIÇÃO 182
A Lição 202 revisa diretamente a Lição 182.
Na primeira apresentação, a imagem da Criança santa mostrou a parte da mente que ainda conhece a Casa do Pai.
Agora, a Revisão VI envolve essa imagem com uma afirmação sobre nossa Identidade:
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.”
A Lição 182 ensinou:
aquietar-se é recordar o caminho para Casa.
A Lição 202 acrescenta:
posso voltar porque minha Identidade nunca foi realmente modificada.
A Casa permanece.
A inocência permanece.
A Voz que chama permanece.
O caminho não precisa ser construído novamente.
Precisamos apenas parar de correr na direção contrária.
A LIÇÃO 202 E A LIÇÃO 201
Na Lição 201, revisamos:
“Confio em meus irmãos, que são um comigo.”
Hoje revisamos:
“Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.”
Existe uma continuidade importante.
Na unidade com nossos irmãos, reconhecemos que não estamos sozinhos.
Na quietude, reconhecemos onde verdadeiramente pertencemos.
Ontem:
retiramos nossos irmãos das imagens de separação.
Hoje:
retiramos nossa mente do ruído que encobre a Casa.
Unidade e quietude caminham juntas.
Quando o julgamento diminui, a mente se aquieta.
Quando a mente se aquieta, torna-se mais fácil reconhecer a unidade.
O QUE VEM NA LIÇÃO 203
A próxima lição revisará a Lição 183:
“Invoco o Nome de Deus e o meu próprio.”
O tema central continuará:
“Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.”
Hoje nos aquietamos e voltamos para Casa.
Amanhã recordaremos o Nome que representa nossa Fonte e nossa verdadeira Identidade.
ORAÇÃO DE ENTREGA
Pai,
hoje quero parar por alguns instantes.
Entrego a pressa.
A necessidade de controlar.
As conversas que continuo repetindo.
Os problemas que tento resolver
antes mesmo de acontecerem.
As batalhas que mantenho vivas
somente em minha mente.
Ajuda-me a reconhecer
que a quietude não é abandono.
Que descansar por um momento
não significa fugir das responsabilidades.
Que posso voltar ao centro
e depois agir com mais clareza.
Quando eu levantar meus escudos,
recorda-me de que não preciso atacar
para estar seguro em Ti.
Quando eu acreditar
que minha Casa está distante,
ajuda-me a perceber
que a Tua Voz continua chamando.
Quando eu pensar
que perdi minha inocência,
recorda-me:
ainda sou como Deus me criou.
Não peço experiências extraordinárias.
Não peço visões.
Não peço sinais.
Peço apenas disposição
para permanecer em silêncio
e permitir que a paz seja lembrada.
Por um momento,
deixo o mundo afastar-se da minha atenção.
Por um momento,
não sigo o medo.
Por um momento,
abaixo as defesas.
Eu não sou um corpo.
Eu sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.
Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.
Amém.
FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA
EU NÃO SOU UM CORPO. EU SOU LIVRE.
POIS AINDA SOU COMO DEUS ME CRIOU.
EU ME AQUIETAREI POR UM MOMENTO E IREI PARA CASA.
AO FINAL DO DIA
Antes de dormir, reserve o período de prática e pergunte:
- Em quais momentos consegui parar?
- Onde procurei minha Casa?
- Que escudo levantei hoje?
- Confundi quietude com passividade?
- Cumpri minhas responsabilidades sem abandonar a paz?
- Qual pensamento substituí conscientemente?
- Em algum momento ouvi a orientação da quietude?
- Procurei fenômenos ou permiti simplicidade?
- Recordei que não sou um corpo?
- Houve um instante em que me senti em Casa?
- O que quero entregar antes de dormir?
Não avalie o dia com condenação.
Talvez você tenha lembrado apenas uma vez.
Esse retorno já faz parte do treinamento.
Agradeça pela lembrança e descanse.
LIÇÃO 202 — ESSÊNCIA
A revisão: Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.
O tema central: Eu não sou um corpo. Eu sou livre. Pois ainda sou como Deus me criou.
A Casa: o estado de pertencimento, unidade e paz em Deus.
O problema: procuramos Casa em formas temporárias e mantemos a mente ocupada pelo ruído.
Os escudos: controle, ataque, fuga, julgamento, perfeccionismo e necessidade de aprovação.
A confusão: imaginar que quietude significa passividade ou abandono das responsabilidades.
A correção: aquietar a mente antes de agir.
A Voz: a orientação interior que nos chama do medo para a paz.
A prática formal: pelo menos quinze minutos pela manhã e quinze minutos à noite.
A lembrança: repetir o tema e a ideia a cada hora.
A aplicação especial: “Não quero este pensamento. Escolho em lugar dele…”
O movimento: do ruído para a quietude.
O retorno: do exílio psicológico para a lembrança de Casa.
A MENSAGEM CENTRAL DE HOJE
Talvez tenhamos procurado Casa em muitos lugares.
Em pessoas.
Em relacionamentos.
Em cidades.
Em profissões.
Em conquistas.
Em reconhecimento.
Em conhecimento.
Em experiências espirituais.
Nada disso precisa ser rejeitado.
Mas nenhuma forma precisa carregar a responsabilidade de completar quem somos.
A edição online autorizada da Lição 202 resume a prática numa pergunta: por que permanecer onde não é o nosso lugar quando a Voz de Deus nos chama de volta à Casa?
Não precisamos interpretar esse chamado como fuga do mundo.
Ele é uma convocação para sair, por um momento, do sistema mental do medo.
O corpo pode permanecer onde está.
A tarefa pode continuar esperando.
A situação pode ainda precisar de uma resposta.
Mas a mente pode parar.
Pode respirar.
Pode abaixar o escudo.
Pode deixar de seguir todos os pensamentos.
Pode reconhecer que não precisa resolver a vida inteira neste instante.
E, nesse pequeno intervalo, algo antigo pode ser lembrado.
A Casa não desapareceu.
A inocência não foi destruída.
A Voz não deixou de chamar.
A paz não precisa ser fabricada.
Hoje, por alguns momentos, podemos deixar de procurar.
Eu não sou um corpo.
Eu sou livre.
Pois ainda sou como Deus me criou.
Eu me aquietarei por um momento e irei para casa.
