LIÇÃO 129 — ALÉM DESSE MUNDO HÁ UM MUNDO QUE EU QUERO

Lição 129 de Um Curso em Milagres — Além desse mundo há um mundo que eu quero

Ideia central do dia:

“Além desse mundo há um mundo que eu quero.”

A Lição 129 nasce diretamente da prática anterior.

Na Lição 128, fomos convidados a perceber:

“O mundo que vejo não contém nada do que eu quero.”

Agora surge uma pergunta inevitável:

Se este mundo não contém aquilo que verdadeiramente procuro, então onde está o que eu quero?

A resposta começa hoje.

O Curso não quer nos conduzir ao vazio, à tristeza ou à renúncia amarga.

Ele não nos pede que abandonemos aquilo que conhecemos sem nos mostrar uma alternativa.

Pelo contrário.

A proposta é uma troca.

• Trocar conflito por paz.

• Trocar medo por confiança.

• Trocar instabilidade por segurança interior.

• Trocar apego por liberdade.

• Trocar ilusões passageiras por algo que não pode ser perdido.

O próprio ensinamento destaca que a intenção não é simplesmente desistir do mundo, mas escolher algo muito mais satisfatório, capaz de oferecer alegria e paz.

O QUE É ESSE “OUTRO MUNDO”?

Não precisamos imaginar outro planeta.

Nem um lugar distante.

Nem necessariamente uma realidade física separada desta.

O “outro mundo” começa como uma nova maneira de perceber.

É um mundo visto através de uma mente que já não está governada pelo medo.

Quando nossa percepção muda, começamos a enxergar:

• oportunidades de perdão onde antes víamos ofensa;

• irmãos onde antes víamos inimigos;

• aprendizado onde antes víamos somente fracasso;

• paz onde antes acreditávamos existir apenas conflito;

• presença onde antes havia ansiedade;

• amor onde antes nossas defesas escondiam tudo.

O mundo parece diferente porque a mente que olha está diferente.

NÃO É PRECISO ODIAR O MUNDO PARA TRANSCENDÊ-LO

Essa compreensão é essencial.

A prática do UCEM não pede desprezo pela vida.

Você não precisa rejeitar:

• sua família;

• sua casa;

• seu trabalho;

• seus projetos;

• seu corpo;

• seus relacionamentos;

• suas experiências humanas.

A mudança ocorre no significado atribuído a tudo isso.

Quando uma coisa deixa de ser sua fonte de identidade, segurança ou salvação, ela perde o poder de aprisioná-lo.

Você pode continuar vivendo no mundo.

Mas já não precisa acreditar que sua plenitude depende dele.

O MUNDO DO TEMPO É INSTÁVEL

Tudo aquilo que existe na experiência temporal muda.

Corpos mudam.

Relacionamentos mudam.

Circunstâncias mudam.

Dinheiro chega e parte.

Objetos envelhecem.

Projetos começam e terminam.

Situações que pareciam permanentes desaparecem.

Por isso, quando colocamos nossa segurança absoluta em alguma coisa passageira, inevitavelmente surge medo.

O pensamento é simples:

“Se isso pode desaparecer, preciso protegê-lo.”

Então aparecem:

• apego;

• ansiedade;

• controle;

• ciúme;

• comparação;

• defesa;

• medo de perder.

A Lição 129 apresenta outra possibilidade:

buscar aquilo que não depende do tempo para permanecer.

UM MUNDO EM QUE O AMOR NÃO TERMINA

O texto da lição nos convida a considerar uma realidade na qual não existe verdadeira perda, o amor permanece e o ódio não possui significado.

Esse é um contraste poderoso.

No sistema de pensamento do ego, pensamos:

“Se amo, posso perder.”

“Se tenho, podem tirar de mim.”

“Se estou feliz, algo pode acontecer.”

“Se estou seguro, preciso garantir que tudo permaneça igual.”

Mas o Amor de que o Curso fala não depende dessas condições.

É um estado que não pode ser roubado por acontecimentos externos.

Por isso, o “mundo que eu quero” é também o mundo que começa quando escolho uma percepção orientada pelo Amor.

O MUNDO MUDA QUANDO O VALOR MUDA

Aquilo a que damos valor orienta nossa atenção.

Se valorizamos aprovação, procuraremos constantemente sinais de aprovação ou rejeição.

Se valorizamos controle, veremos ameaças em tudo aquilo que não podemos controlar.

Se valorizamos superioridade, viveremos comparando.

Se valorizamos paz, começaremos a reconhecer caminhos que antes passavam despercebidos.

Por isso, a mudança profunda começa com uma pergunta:

“O que estou valorizando?”

Porque aquilo que valorizamos influencia aquilo que escolhemos ver.

O QUE VOCÊ TEM BUSCADO?

Observe por alguns instantes.

Talvez você esteja buscando:

• que alguém reconheça seu valor;

• que determinada situação termine;

• que outra comece;

• mais dinheiro;

• mais controle;

• uma resposta;

• uma oportunidade;

• uma confirmação;

• uma vitória.

Não há necessidade de condenar nenhum desses desejos.

A prática é apenas olhar mais profundamente.

Pergunte:

“O que espero sentir quando isso acontecer?”

Talvez a resposta seja:

“Quero paz.”

“Quero me sentir amado.”

“Quero segurança.”

“Quero liberdade.”

“Quero alegria.”

Então perceba: o objeto do desejo pode ser apenas a forma.

O conteúdo verdadeiro que você procura é interior.

A TROCA QUE A LIÇÃO PROPÕE

Hoje podemos imaginar duas direções.

O MUNDO QUE NÃO QUERO

É a percepção baseada em:

• medo;

• competição;

• separação;

• culpa;

• ataque;

• comparação;

• controle;

• ressentimento;

• insegurança.

O MUNDO QUE EU QUERO

É a percepção baseada em:

• paz;

• perdão;

• união;

• confiança;

• gentileza;

• liberdade;

• presença;

• compreensão;

• Amor.

Esses dois mundos podem parecer externos.

Mas a escolha entre eles acontece primeiro na mente.

NÃO ESTAMOS PERDENDO NADA REAL

Uma das resistências ao desapego é o medo.

Pensamos:

“Se eu soltar isso, vou perder.”

Mas talvez aquilo que estamos soltando não seja a coisa em si.

Talvez estejamos soltando:

• a necessidade de controlar;

• a dependência emocional;

• uma interpretação;

• uma expectativa;

• uma identidade;

• um julgamento;

• uma exigência.

Você pode continuar amando alguém e abandonar a necessidade de controlá-lo.

Pode continuar trabalhando e abandonar a crença de que seu valor depende de produtividade.

Pode continuar construindo riqueza sem acreditar que dinheiro define sua segurança espiritual.

Pode continuar desejando algo sem transformar esse desejo numa prisão.

O OUTRO MUNDO COMEÇA AGORA

Talvez pareça que a paz completa esteja muito distante.

Mas cada pequena escolha muda nossa experiência.

Quando você perdoa uma interpretação, o outro mundo aparece.

Quando escolhe não atacar, ele aparece.

Quando deixa de alimentar um ressentimento, ele aparece.

Quando percebe que não precisa vencer todas as discussões, ele aparece.

Quando abre mão de controlar aquilo que não lhe pertence, ele aparece.

Quando escolhe paz em vez de provar que está certo, ele aparece.

O mundo que queremos começa em pequenas mudanças de percepção.

PRÁTICA PRINCIPAL — TRÊS PERÍODOS DE 10 MINUTOS

O exercício da lição propõe três períodos de aproximadamente dez minutos: pela manhã, à noite e mais uma vez entre esses dois momentos.

1º PERÍODO — PELA MANHÃ

Sente-se confortavelmente.

Feche os olhos.

Respire algumas vezes.

Repita lentamente:

“Além desse mundo há um mundo que eu quero.”

Depois acrescente:

“Escolho ver esse outro mundo em vez deste.”

Agora deixe por alguns minutos as preocupações do dia.

Não tente resolver nada.

Não analise.

Apenas permita que sua mente descanse.

Imagine que, por trás de todas as imagens de conflito, existe uma luz tranquila que permanece intacta.

Permaneça com ela.

2º PERÍODO — DURANTE O DIA

Faça novamente uma pausa de aproximadamente dez minutos.

Observe aquilo que mais tem ocupado sua mente.

Pode ser:

• uma preocupação;

• uma pessoa;

• um desejo;

• uma cobrança;

• uma expectativa;

• alguma coisa que teme perder.

Pergunte:

“Isso representa o mundo que realmente quero?”

Depois diga:

“Posso escolher paz em vez disso.”

Não é necessário resolver a situação externa naquele instante.

Apenas escolha mudar a direção da mente.

3º PERÍODO — À NOITE

Antes de encerrar o dia, volte ao silêncio.

Repita:

“Além desse mundo há um mundo que eu quero.”

Recorde alguns acontecimentos do dia.

Onde você escolheu medo?

Onde escolheu paz?

Onde tentou controlar?

Onde conseguiu liberar?

Não julgue nenhuma resposta.

Apenas entregue tudo.

E permaneça alguns minutos em silêncio.

A CADA HORA, LEMBRE-SE DA ESCOLHA

A lição também orienta que nos recordemos da decisão ao longo do dia, reafirmando a escolha entre o mundo que não queremos e aquele que desejamos verdadeiramente.

Você pode usar duas frases:

• “O mundo que vejo não contém nada do que realmente quero.”

• “Além desse mundo há um mundo que eu quero.”

Não é necessário repetir mecanicamente.

Use-as como um lembrete de direção.

QUANDO O MEDO APARECER

Experimente dizer:

• “Existe outra maneira de perceber isso.”

• “Não preciso interpretar esta situação através do medo.”

• “Minha paz não depende deste resultado.”

• “Posso escolher novamente.”

• “Além desta percepção existe outra que eu quero.”

Essas frases funcionam como pequenas interrupções no automatismo mental.

QUANDO VOCÊ SE SENTIR PRESO

Pergunte:

“Qual corrente estou colocando sobre minha própria mente?”

Talvez seja:

• uma expectativa;

• uma mágoa;

• a necessidade de aprovação;

• medo do futuro;

• culpa pelo passado;

• comparação;

• controle.

Depois pergunte:

“Estou disposto a soltá-la por alguns instantes?”

Não precisa ser para sempre.

Comece por alguns segundos.

A liberdade muitas vezes começa assim.

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

• Qual mundo tenho escolhido diariamente através dos meus pensamentos?

• O que mais valorizo atualmente?

• Minha paz depende de alguma circunstância externa?

• O que tenho medo de perder?

• Qual expectativa poderia entregar hoje?

• Onde ainda acredito que preciso controlar?

• Que situação poderia olhar através do perdão?

• Como seria escolher paz antes de escolher reação?

• Que mundo quero fortalecer dentro da minha mente?

FRASES PARA RECORDAR

• Além desse mundo há um mundo que eu quero.

• Minha percepção pode mudar.

• Não preciso permanecer preso ao que não me oferece paz.

• Posso trocar medo por uma nova interpretação.

• O que é verdadeiro não precisa ser defendido.

• Minha escolha interior muda aquilo que vejo.

ESCOLHA DE HOJE

Hoje escolho não permanecer preso ao mundo construído pelo medo.

Escolho reconhecer que existe outra maneira de perceber.

Não quero fazer da instabilidade minha segurança.

Não quero fazer do julgamento minha proteção.

Não quero fazer do controle minha paz.

Escolho aprender a ver através do perdão.

Escolho abrir espaço para uma percepção mais amorosa.

Escolho lembrar:

Além desse mundo há um mundo que eu quero.

ORAÇÃO

Pai,

hoje reconheço que muitas vezes procurei paz onde ela não poderia permanecer.

Procurei segurança no que muda.

Procurei amor em formas que poderiam desaparecer.

Procurei valor na aprovação.

Procurei descanso no controle.

Hoje quero escolher de maneira diferente.

Mostra-me o mundo que nasce quando minha mente escolhe o Amor.

Ajuda-me a perceber além das aparências.

Quando eu vir conflito, ensina-me a procurar a paz.

Quando eu vir culpa, recorda-me do perdão.

Quando sentir medo, ajuda-me a lembrar que existe outra maneira de ver.

Quando eu quiser controlar, ensina-me a confiar.

Que eu não confunda desapego com perda.

Que eu compreenda que deixar uma ilusão não significa perder alguma coisa verdadeira.

Liberta minha mente das pequenas correntes que eu mesmo construí.

Que meus olhos continuem vendo este mundo, mas que minha mente aprenda a reconhecer além dele.

Hoje escolho a paz.

Hoje escolho o Amor.

Hoje escolho o mundo que realmente quero.

Amém.

AO FINAL DO DIA

Antes de dormir, pergunte:

“Qual mundo alimentei hoje?”

O mundo do medo?

Ou o mundo da paz?

Talvez tenha escolhido ambos em momentos diferentes.

Tudo bem.

A prática não exige perfeição.

Exige disposição para escolher novamente.

Respire profundamente.

E termine o dia repetindo:

“Além desse mundo há um mundo que eu quero.”

Amanhã, a Lição 130 — “É impossível ver dois mundos” aprofundará exatamente essa escolha: nossa percepção segue aquilo que decidimos valorizar.

OnlineCristo.com.br

CONSCIÊNCIA • AMOR • UNIDADE