Acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente
365 Dias com Um Curso em Milagres
Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior
A IDEIA DE HOJE
Acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente.
A Lição 28 transforma a disposição da lição anterior em uma aplicação concreta.
Ontem afirmamos:
“Acima de tudo eu quero ver.”
Hoje damos um passo além:
quero ver de modo diferente aquilo que está diante de mim agora.
O Livro de Exercícios explica que a prática de hoje é uma aplicação específica da ideia anterior. Ao aplicá-la a objetos aparentemente comuns, assumimos o compromisso de retirar nossas ideias preconcebidas e abrir a mente para um propósito que ainda não reconhecemos.
NÃO BASTA QUERER VER EM TEORIA
É relativamente fácil dizer:
“Quero ter uma nova percepção da vida.”
Mas hoje o Curso pergunta:
“Você está disposto a aplicar isso a uma mesa?”
A uma cadeira?
A uma janela?
A uma caneta?
A uma pessoa?
A qualquer coisa que esteja diante dos seus olhos?
A transformação deixa de ser abstrata.
Ela começa no cotidiano.
POR QUE UMA MESA?
A própria lição usa esse exemplo.
Talvez a mente diga: “Que diferença faz olhar uma mesa de modo diferente?”
O Curso responde de maneira surpreendente:
o objeto em si não é o ponto.
O que importa é o hábito mental através do qual você olha.
Quando olha para uma mesa, você já acredita saber:
• o que ela é;
• para que serve;
• o que significa;
• qual importância possui.
Ou seja:
você não olha com uma mente aberta.
Olha através de definições anteriores.
O PASSADO JÁ DEFINIU AQUILO QUE VOCÊ VÊ
Você olha para uma mesa e pensa automaticamente: “Mesa.”
Em frações de segundo, a mente acrescenta:
• função;
• categoria;
• lembranças;
• utilidade;
• valor.
Parece que simplesmente vimos.
Mas o Curso sugere que, na verdade, estamos reconhecendo aquilo que já definimos anteriormente.
VER DE MODO DIFERENTE COMEÇA QUANDO PARAMOS DE DIZER ÀS COISAS O QUE ELAS SÃO
O texto apresenta uma distinção profunda.
Ao praticar: “Acima de tudo eu quero ver esta mesa de modo diferente”
você começa a deixar de dizer:
“Eu já sei o que isso é.”
E passa a perguntar:
“O que isso realmente é?”
O exercício propõe retirar ideias preconcebidas e permitir que o significado não seja limitado apenas por experiências passadas.
NÃO QUESTIONAMOS AQUILO QUE JÁ DEFINIMOS
Esse é um dos pontos mais importantes da Lição 28.
Se penso: “Eu já sei quem essa pessoa é” não vou olhar novamente.
Se penso: “Essa situação é péssima” não perguntarei se existe outra maneira de percebê-la.
Se penso: “Eu sei exatamente para que isso serve” não estarei aberta a outro propósito.
A certeza fecha.
A pergunta abre.
O EXERCÍCIO TREINA UMA MENTE QUE PERGUNTA
O texto diz que o objetivo é aprender a:
fazer perguntas
e
receber respostas.
Isso é diferente de fabricar respostas.
Não precisamos inventar um novo significado.
Primeiro retiramos nossa certeza.
UMA MENTE ABERTA NÃO DIZ “NÃO SEI NADA”
Ela diz:
“Talvez eu ainda não veja completamente.”
Isso é diferente.
Você continua sabendo:
• que uma cadeira serve para sentar;
• que uma porta abre e fecha;
• que uma mesa pode sustentar objetos.
Mas começa a reconhecer:
talvez o significado total da experiência não termine na função prática.
QUANDO DEFINIMOS UMA PESSOA, PARAMOS DE VÊ-LA
Isso fica ainda mais claro nos relacionamentos.
Pense em alguém conhecido.
Talvez você já tenha uma definição:
• “Ele é egoísta.”
• “Ela é difícil.”
• “Ele é maravilhoso.”
• “Ela é confiável.”
• “Ele nunca muda.”
A partir daí, tudo o que a pessoa faz é filtrado por essa definição.
ATÉ AS DEFINIÇÕES POSITIVAS PODEM LIMITAR
Quando idealizamos alguém: “Ela é perfeita.” também deixamos de ver.
Porque agora esperamos que a pessoa corresponda à imagem criada.
Se ela demonstra uma característica diferente, podemos nos decepcionar profundamente.
Ver de modo diferente não significa trocar uma definição negativa por uma positiva.
Significa:
deixar a definição menos rígida.
EXEMPLO: “ELE É IRRESPONSÁVEL”
Talvez essa pessoa realmente tenha demonstrado irresponsabilidade.
Isso é um fato comportamental possível.
Mas existe diferença entre:
“Ele agiu irresponsavelmente nessa situação.”
e
“Ele é irresponsável e nada mais.”
A segunda frase transforma comportamento em identidade.
A Lição 28 começa a desfazer essa rigidez.
VER DE MODO DIFERENTE NÃO SIGNIFICA NEGAR FATOS
Esse cuidado continua essencial.
Você pode perceber:
• uma mentira;
• uma agressão;
• um erro;
• uma atitude inadequada.
E ainda assim estar aberta a uma percepção mais ampla.
O Curso não exige que você diga: “Isso não aconteceu.”
A prática pergunta:
“Minha interpretação atual é tudo o que existe para ser visto?”
UMA MESA E UMA PESSOA ENTRAM NO MESMO TREINAMENTO
Isso pode parecer estranho, mas existe um princípio importante.
Se aprendemos a olhar um objeto comum sem impor imediatamente todo o passado, começamos a treinar a mesma capacidade necessária para olhar:
• pessoas;
• conflitos;
• memórias;
• nós mesmos.
A mesa torna-se um laboratório de percepção.
O TEXTO DIZ QUE UMA COISA PODE ABRIR O CAMINHO PARA TODAS
A lição afirma que, quando aprendermos verdadeiramente a ver uma coisa de modo diferente, veremos todas as coisas de modo diferente.
A luz reconhecida em uma será a mesma reconhecida em todas.
Esse princípio sugere:
a visão não é fragmentada.
Não existe uma visão verdadeira para uma coisa e outra completamente diferente para outra.
A mudança acontece no modo de olhar.
NÃO É A MESA QUE PRECISA MUDAR
A mesa continua mesa.
O que muda?
a mente que olha.
Esse é um princípio recorrente em UCEM.
Tentamos continuamente mudar:
• objetos;
• pessoas;
• circunstâncias;
• acontecimentos.
Mas o treinamento volta repetidamente para:
percepção.
UMA EXPERIÊNCIA COMUM
Imagine entrar num lugar que você conhece há anos.
Um dia, por alguma razão, percebe algo que nunca havia notado.
Uma janela.
Uma árvore.
Uma luz.
O objeto sempre esteve ali.
Mas sua atenção mudou.
Isso nos mostra uma coisa simples:
ver não é apenas ter algo diante dos olhos.
MUITA COISA ESTÁ DIANTE DE NÓS E NÃO VEMOS
Nosso cérebro e nossa mente selecionam continuamente.
Ignoramos milhares de detalhes.
Prestamos atenção ao que parece:
• relevante;
• conhecido;
• ameaçador;
• desejável.
A Lição 28 utiliza um exercício espiritual para interromper essa automatização.
“ACIMA DE TUDO” AINDA É A PARTE CENTRAL
Não diga apenas: “Gostaria de ver isso de outra maneira.”
A formulação é:
“Acima de tudo eu quero ver isto de modo diferente.”
Por quê?
Porque existem outros desejos competindo.
Talvez você queira ver alguém de modo diferente.
Mas também queira:
• continuar ressentida;
• provar que estava certa;
• proteger sua versão dos fatos.
A expressão “acima de tudo” coloca a visão como prioridade.
O COMPROMISSO DE HOJE
O texto diz que, ao aplicar a ideia, estamos assumindo um compromisso.
Mas não precisamos nos preocupar agora se conseguiremos mantê-lo para sempre.
O importante é:
estar dispostos a assumi-lo neste momento.
Essa disposição já começa a nos conduzir na direção proposta pela prática.
NÃO PRECISAMOS PROMETER PARA SEMPRE
Essa é uma forma muito gentil de treinamento.
Talvez você pense:
“Não sei se conseguirei olhar essa pessoa de maneira diferente amanhã.”
Tudo bem.
Hoje basta:
“Neste instante, estou disposta.”
O PRESENTE É SUFICIENTE
Não precisamos afirmar:“Nunca mais vou julgar.”
Podemos dizer:
“Agora, quero olhar novamente.”
Depois outro instante.
Depois outro.
A transformação é construída nesses pequenos momentos.
O OBJETO NÃO TEM IMPORTÂNCIA ESPECIAL
A lição insiste que a aplicação não é exclusiva.
A mesa não é mais importante que a cadeira.
A cadeira não é mais importante que a planta.
A planta não é mais importante que outra coisa escolhida.
Todos os objetos usados na prática recebem o mesmo compromisso.
POR QUE ESSA IGUALDADE É IMPORTANTE?
Porque nossa mente cria hierarquias:
“Isso é importante.”
“Aquilo não importa.”
“Essa pessoa merece minha atenção.”
“Aquela não.”
Mas o treinamento da percepção começa a enfraquecer essas classificações automáticas.
A LUZ É A MESMA EM TODAS AS COISAS
O texto diz que, quando aprendermos a ver uma coisa de modo diferente, a mesma luz será reconhecida em todas.
Essa linguagem prepara diretamente a Lição 29:
“Deus está em tudo o que eu vejo.”
Hoje ainda estamos treinando a abertura necessária para essa ideia.
POR TRÁS DAS IDEIAS QUE IMPOMOS, EXISTE OUTRO PROPÓSITO
A lição afirma que, por trás de nossas ideias sobre um objeto, existe um propósito real que ele compartilha com todo o universo.
Dentro da metafísica de UCEM, isso significa que nenhuma coisa precisa permanecer limitada ao significado particular que o ego lhe atribuiu.
UM OBJETO PODE SERVIR AO TREINAMENTO DA MENTE
Essa é uma aplicação simples e poderosa.
Uma mesa pode aparentemente servir apenas para apoiar objetos.
Mas durante a prática de hoje, ela também pode servir para:
• suspender julgamentos;
• abandonar definições;
• treinar abertura;
• aprender a olhar.
Assim, seu propósito dentro da experiência muda.
UMA FILA PODE RECEBER OUTRO PROPÓSITO
Você está esperando.
A mente pensa: “Que perda de tempo.”
Talvez possa dizer:
“Acima de tudo eu quero ver esta situação de modo diferente.”
A fila pode tornar-se oportunidade para:
• observar impaciência;
• praticar presença;
• perceber o ambiente;
• abandonar pressa por alguns minutos.
UMA DISCUSSÃO PODE RECEBER OUTRO PROPÓSITO
Antes: “Preciso vencer.”
Depois:
“Acima de tudo eu quero ver esta discussão de modo diferente.”
Talvez o propósito deixe de ser vencer e passe a incluir:
• compreender;
• comunicar;
• estabelecer limites;
• aprender.
UMA PERDA PODE SER VISTA SEM QUE VOCÊ PRECISE CHAMÁ-LA DE “BOA”
Ver diferente não significa romantizar sofrimento.
Você não precisa dizer: “Esta perda foi maravilhosa.”
Pode simplesmente abrir espaço:
“Não quero limitar para sempre o significado desta experiência àquilo que sinto hoje.”
UMA MEMÓRIA PODE SER VISTA DE OUTRA MANEIRA
Talvez exista algo do passado que você definiu como:
“O pior momento da minha vida.”
A prática não pede que você negue a dor.
Mas talvez permita reconhecer:
• o que aprendeu;
• como mudou;
• o que deixou para trás;
• aquilo que hoje enxerga de modo diferente.
O passado não muda.
A percepção pode mudar.
VOCÊ TAMBÉM PODE SER VISTA DE MODO DIFERENTE
Essa talvez seja uma das aplicações mais importantes.
Pense na imagem que possui de si mesma.
Talvez:
• “sou insegura”;
• “sou difícil”;
• “sou fraca”;
• “sou aquela que sempre cuida de todos”;
• “sou aquela que precisa ser forte.”
Diga:
“Acima de tudo eu quero me ver de modo diferente.”
Embora a prática formal da lição seja aplicada às coisas que você vê ao redor, o princípio pode inspirar uma observação profunda da autoimagem.
NÃO TENTE DECIDIR QUAL SERÁ A NOVA VISÃO
Esse ponto é essencial.
A lição não diz: “Troque sua definição atual por esta nova definição.”
Ela pede:
abra a mente.
Se você imediatamente substitui: “Essa mesa é comum”
por: “Essa mesa é sagrada e mágica” talvez apenas tenha colocado outra definição.
A ABERTURA É MAIS IMPORTANTE DO QUE UMA NOVA EXPLICAÇÃO
Talvez o verdadeiro exercício seja: “Não quero limitar isto ao que já penso.”
E permanecer alguns segundos sem resposta.
Esse vazio pode parecer desconfortável.
Mas também pode ser fértil.
A MENTE QUER NOMEAR RAPIDAMENTE
Ela diz:
• isso é bom;
• isso é ruim;
• isso é útil;
• isso é inútil;
• gosto;
• não gosto.
A Lição 28 introduz uma pequena pausa entre:
ver
e
definir.
ESSA PAUSA É LIBERDADE
Dentro dessa pausa, talvez você não precise reagir automaticamente.
Alguém fala.
Antes: “Isso foi um ataque.”
Agora:
pausa.
Você ainda pode concluir que houve agressividade.
Mas primeiro observa.
Essa diferença pode mudar sua resposta.
A PRÁTICA DO DIA
Hoje são pedidos:
seis períodos de prática
com duração aproximada de:
dois minutos cada.
COMO COMEÇAR
Repita primeiro:
“Acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente.”
Depois olhe ao seu redor.
ESCOLHA OS OBJETOS AO ACASO
Não selecione apenas coisas bonitas.
Não procure símbolos espirituais.
Não escolha somente aquilo que considera importante.
Permita que os olhos encontrem casualmente:
• mesa;
• parede;
• livro;
• copo;
• janela;
• mão;
• planta;
• objeto qualquer.
O texto orienta que os sujeitos sejam escolhidos casualmente e tratados com igual sinceridade.
APLIQUE A FRASE ESPECIFICAMENTE
Olhe para o objeto e diga:
“Acima de tudo eu quero ver este/esta ______ de modo diferente.”
Por exemplo:
• Acima de tudo eu quero ver esta mesa de modo diferente.
• Acima de tudo eu quero ver esta janela de modo diferente.
• Acima de tudo eu quero ver esta xícara de modo diferente.
• Acima de tudo eu quero ver esta mão de modo diferente.
FAÇA LENTAMENTE
O texto enfatiza:
não há pressa.
Cada aplicação deve ser feita devagar e, tanto quanto possível, de maneira reflexiva.
A intenção não é acumular muitos objetos.
É praticar sinceramente.
NÃO PROCURE UMA EXPERIÊNCIA ESPECIAL
Talvez nada pareça diferente depois da frase.
Tudo bem.
Você não precisa:
• ver luzes;
• sentir emoção;
• experimentar uma revelação.
O exercício está treinando disposição.
UMA APLICAÇÃO AO LONGO DO DIA
Embora a prática formal use objetos ao redor, você pode recordar o princípio quando algo perturbar você:
“Acima de tudo eu quero ver esta situação de modo diferente.”
Isso mantém viva a direção da lição.
EM UM CONFLITO
Pergunte:
“Estou definindo esta pessoa apenas pelo passado?”
Depois: “Acima de tudo eu quero vê-la de modo diferente.”
Você não precisa produzir imediatamente uma conclusão nova.
DIANTE DE UMA DECISÃO
“Acima de tudo eu quero ver esta situação de modo diferente.”
Talvez exista uma possibilidade que você ainda não considerou.
DIANTE DE UMA PREOCUPAÇÃO
A mente diz: “Isso vai terminar mal.”
Você responde:
“Acima de tudo eu quero ver isto de modo diferente.”
Não como pensamento positivo.
Como abertura.
DIANTE DA AUTOCRÍTICA
Surge: “Eu nunca consigo.”
Pare.
“Essa é uma definição.”
Depois: “Acima de tudo eu quero me ver de modo diferente.”
PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE
• Que coisas considero já totalmente definidas?
• Sobre quem penso “eu já sei como essa pessoa é”?
• Que situações acredito possuir apenas um significado?
• Estou usando o passado para decidir aquilo que vejo agora?
• Consigo fazer uma pergunta antes de dar uma resposta?
• Existe algo diante de mim que posso olhar por alguns segundos sem imediatamente julgar?
• Estou realmente disposta a permitir um propósito que ainda não conheço?
UM EXERCÍCIO DE ABERTURA
Escolha algo diante de você.
Olhe por alguns segundos.
Perceba os nomes e associações que surgem.
Depois diga:
“Acima de tudo eu quero ver isto de modo diferente.”
Agora permaneça alguns instantes sem tentar acrescentar nada.
Apenas olhe.
OUTRO EXERCÍCIO: “O QUE EU JÁ DECIDI?”
Escolha uma pessoa.
Pergunte:
“O que já decidi sobre ela?”
Liste mentalmente:
• características;
• julgamentos;
• expectativas.
Depois pergunte:
“Se eu já decidi tudo, como poderia realmente vê-la?”
Essa pergunta traduz muito bem o espírito da lição.
VER DIFERENTE NÃO SIGNIFICA VER O OPOSTO
Isso merece ser repetido.
Se você pensa: “Essa situação é terrível”
não precisa substituir por: “Essa situação é maravilhosa.”
Talvez ver diferente seja simplesmente:
reconhecer que você ainda não conhece todo o significado dela.
MENOS DEFINIÇÃO, MAIS DISPONIBILIDADE
Hoje não precisamos construir novas teorias.
Podemos apenas reduzir:
• certeza;
• julgamento automático;
• rigidez.
E aumentar:
• curiosidade;
• abertura;
• presença;
• disponibilidade.
A VISÃO COMEÇA QUANDO PARAMOS DE IMPOR
O texto diz que o compromisso é permitir que o propósito seja revelado, em vez de colocar nosso próprio julgamento sobre ele.
Essa talvez seja a essência mais profunda da prática.
NÃO IMPOR É DIFERENTE DE NÃO DISCERNIR
Discernimento continua necessário.
Você pode reconhecer:
• perigo;
• mentira;
• inadequação;
• limites.
Mas discernimento observa.
Julgamento rígido transforma a observação numa identidade definitiva.
UM LIMITE PODE VIR DE UMA VISÃO MAIS CLARA
Talvez olhar diferente para alguém faça você compreender: “Preciso me afastar.”
Isso também pode ser clareza.
Ver de modo diferente não significa necessariamente aproximar-se.
Significa responder com menos distorção.
O OBJETIVO NÃO É PASSIVIDADE
Uma mente aberta não é uma mente incapaz de agir.
Pode agir:
• com firmeza;
• com clareza;
• com rapidez.
Mas procura não agir apenas a partir de conclusões antigas.
A PRÁTICA COMEÇA EM COISAS PEQUENAS PORQUE É ASSIM QUE UM HÁBITO É TREINADO
Uma mesa não provoca grandes emoções.
Isso permite praticar sem tanta resistência.
Depois, a capacidade pode ser levada para situações mais carregadas.
DA MESA PARA O MUNDO
A lógica da Lição 28 é surpreendente:
se aprendermos realmente a retirar nossas ideias preconcebidas de uma coisa, estaremos treinando uma mudança que pode alcançar todas.
O Curso afirma que a mesma luz que aprendermos a reconhecer em uma coisa será vista em todas.
ESCOLHA DE HOJE
Hoje escolho não presumir que tudo já está definido.
Não preciso abandonar meu discernimento.
Mas posso abandonar um pouco da rigidez.
Posso olhar para uma mesa como exercício.
Para uma janela.
Para uma pessoa.
Para uma situação.
Para mim mesma.
E dizer:
“Acima de tudo eu quero ver isto de modo diferente.”
Não sei ainda o que verei.
E talvez isso seja justamente o início.
ORAÇÃO DE ENTREGA
Espírito Santo,
hoje entrego a Ti as definições que coloquei sobre o mundo.
As pessoas que acredito conhecer completamente.
As situações que transformei em sentenças.
As histórias que repito sobre mim mesma.
Os objetos e acontecimentos aos quais atribuí propósitos sem nunca perguntar se poderia existir outro significado.
Eu reconheço que muitas vezes não olho.
Eu reconheço.
Eu comparo.
Eu classifico.
Eu lembro.
E então acredito que vi.
Hoje quero aprender outra maneira.
Quando eu olhar para algo comum,
ensina-me a deixar algum espaço.
Quando eu encontrar alguém conhecido,
ajuda-me a não fazê-lo prisioneiro do meu passado.
Quando eu olhar para mim mesma,
liberta-me das definições que já não servem à verdade.
Não preciso inventar uma nova visão.
Não preciso forçar uma experiência.
Quero apenas permitir.
Hoje digo:
acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente.
Retira da minha percepção aquilo que estou disposta a entregar.
Ensina-me a perguntar antes de concluir.
A olhar antes de julgar.
A permanecer aberta antes de decidir.
E que, pouco a pouco,
eu descubra por trás das minhas antigas definições
uma luz,
um propósito
e uma paz
que sempre estiveram ali,
esperando apenas
que eu aprendesse
a ver.
Amém.
FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA
“Não quero apenas reconhecer aquilo que já defini; acima de tudo, quero aprender a ver de modo diferente.”
AO FINAL DO DIA
Escolha algo ou alguém sobre quem você possui uma definição muito clara.
Pergunte:
• O QUE EU JÁ DECIDI SOBRE ISSO?
Nomeie.
• MINHA DEFINIÇÃO VEM DO PASSADO?
Observe.
• EXISTE ALGUMA POSSIBILIDADE QUE EU TENHA EXCLUÍDO?
Talvez.
• ESTOU DISPOSTA A NÃO SABER POR ALGUNS INSTANTES?
Permaneça em silêncio.
• POSSO OLHAR NOVAMENTE?
Finalize:
“Acima de tudo eu quero ver isto de modo diferente.”
LIÇÃO 28 — ESSÊNCIA
• A Lição 28 aplica especificamente a decisão da Lição 27.
• A prática pede que a visão seja colocada acima das definições e ideias preconcebidas.
• Objetos comuns são usados para treinar uma mente aberta.
• O objetivo não é trocar uma definição por outra, mas deixar de limitar aquilo que vemos ao passado.
• Quando acreditamos que já definimos algo completamente, deixamos de questioná-lo.
• O Curso apresenta a prática como um compromisso de permitir que o propósito seja revelado em vez de impor nosso julgamento.
• Os objetos devem ser escolhidos ao acaso e tratados com igual sinceridade.
• São recomendados seis períodos de aproximadamente dois minutos.
• Cada aplicação deve ser lenta e reflexiva, sem pressa.
Hoje não preciso saber o que existe além da minha percepção atual.
Preciso apenas estar disposta a admitir: talvez exista algo além dela.
Uma mesa pode se tornar um exercício.
Uma pessoa pode deixar de ser apenas a história que contei sobre ela.
Uma situação pode deixar de carregar um significado único.
E eu mesma posso deixar de ser aquilo que decidi que sou.
Tudo começa com uma escolha simples:
Acima de tudo eu quero ver as coisas de modo diferente.
A prática original da Lição 28 pede seis períodos de dois minutos. A ideia é aplicada a objetos escolhidos ao acaso, olhando diretamente para cada um e repetindo lentamente que, acima de tudo, queremos vê-lo de modo diferente. O exercício é apresentado como um compromisso de retirar ideias preconcebidas e permitir que outro propósito seja revelado, sem pressa e com a mesma sinceridade para todos os objetos escolhidos.
