LIÇÃO 12

Lição 12 de Um Curso em Milagres: Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado, reflexão sobre percepção, julgamentos, significado e paz interior

Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado

365 Dias com Um Curso em Milagres

Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior

A IDEIA DE HOJE

Eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.

A Lição 11 começou a mostrar que nossos pensamentos participam da forma como o mundo nos aparece.

Hoje damos mais um passo.

O Curso começa a investigar por que essa percepção nos perturba.

A lição afirma que uma das grandes distorções perceptivas consiste em acreditar que o mundo é, em si mesmo:

• assustador;

• triste;

• violento;

• hostil;

• insano;

• perigoso.

Mas o texto propõe que esses atributos são colocados sobre o mundo pela própria mente.

Isso muda profundamente a investigação.

Em vez de perguntar apenas: “Por que o mundo é assim?”

começamos a perguntar:

“O que estou colocando sobre aquilo que vejo?”

O MUNDO RECEBE OS NOMES QUE DAMOS A ELE

Observe quantas vezes descrevemos a vida usando adjetivos.

Dizemos:

• “O mundo está perigoso.”

• “A vida está injusta.”

• “As pessoas estão cruéis.”

• “Tudo está difícil.”

• “Minha vida está péssima.”

• “Esse lugar é maravilhoso.”

• “Essa fase é perfeita.”

A mente observa algo e rapidamente o nomeia.

Depois esquece que foi ela quem acrescentou o nome.

Então o adjetivo parece estar dentro da própria realidade.

O FATO E O ATRIBUTO NÃO SÃO A MESMA COISA

Imagine uma tempestade.

O fato: está chovendo intensamente.

Uma pessoa pensa: “Que tempo horrível.”

Outra: “Que chuva maravilhosa.”

Outra: “Isso é perigoso.”

Outra: “Era exatamente o que a terra precisava.”

A chuva existe.

Mas: horrível, maravilhosa, perigosa ou necessária são significados atribuídos dentro de contextos diferentes.

A LIÇÃO NÃO DIZ QUE TODOS OS ACONTECIMENTOS SÃO IGUAIS

Isso precisa ficar claro.

Não estamos dizendo que:

• uma festa;

• uma perda;

• uma injustiça;

• uma doença;

• uma violência;

• uma celebração

tenham o mesmo impacto humano.

No nível da experiência cotidiana, existem diferenças reais e consequências concretas.

O treinamento da lição está voltado para outro ponto:

a mente acrescenta interpretações àquilo que percebe.

E muitas vezes reage às interpretações como se fossem a própria realidade.

O QUE SIGNIFICA “UM MUNDO SEM SIGNIFICADO”?

Essa expressão pode parecer muito forte.

Dentro do exercício, ela não deve ser lida simplesmente como: “Nada importa.”

Também não significa: “A vida é vazia.”

O ponto é que o mundo percebido não carrega automaticamente todos os significados que projetamos sobre ele.

A mente encontra algo.

Depois escreve sobre esse algo:

• bom;

• mau;

• ameaçador;

• desejável;

• seguro;

• perigoso;

• bonito;

• feio.

E passa a reagir às próprias inscrições.

O ESPAÇO SEM SIGNIFICADO PODE ASSUSTAR

Existe algo desconfortável em não saber imediatamente o que uma situação significa.

Imagine receber uma mensagem: “Precisamos conversar.”

A mente pode sentir dificuldade em simplesmente permanecer no não saber.

Então rapidamente escreve: “Algo ruim aconteceu.”

Ou: “Vou ser criticada.”

Ou: “Essa pessoa vai embora.”

Por quê?

Porque o vazio de significado pode parecer ameaçador.

Muitas vezes preferimos uma explicação dolorosa a permanecer temporariamente sem uma explicação.

A MENTE QUER PREENCHER O VAZIO

Algo acontece.

Ainda não sabemos o significado.

A mente começa:

“Deve ser isso.”

“Com certeza aconteceu aquilo.”

“Eu sabia.”

“Isso prova que…”

Em segundos, o espaço desconhecido foi preenchido.

Depois reagimos emocionalmente àquilo que acabamos de escrever.

EXEMPLO: UM SILÊNCIO

Uma pessoa fica em silêncio.

O silêncio em si não explica:

• o que ela pensa;

• o que sente;

• o que fará;

• qual é sua intenção.

Mas a mente pode preencher:

“Ela está brava.”

“Ela não gosta mais de mim.”

“Ela está escondendo alguma coisa.”

Agora o silêncio ganhou um significado.

E esse significado começa a produzir emoção.

EXEMPLO: UMA MUDANÇA DE PLANOS

Algo que você havia planejado não acontece.

O fato: o plano mudou.

A mente pode dizer: “Tudo dá errado para mim.”

Observe como um acontecimento específico se transforma numa conclusão sobre toda a vida.

É exatamente esse movimento que começamos a enxergar.

EXEMPLO: DINHEIRO

Você recebe uma despesa inesperada.

O fato: há um valor a ser pago.

A mente pode acrescentar:

“Nunca terei segurança.”

“Vou perder tudo.”

“Minha vida está fora de controle.”

A despesa é concreta. Mas as conclusões adicionais podem ir muito além dela.

TAMBÉM COLOCAMOS ATRIBUTOS POSITIVOS

A Lição 12 traz um detalhe importante.

Não devemos aplicar o exercício apenas a descrições negativas.

O texto também orienta incluir atributos aparentemente positivos como:

• “mundo bom”;

• “mundo satisfatório”.

Porque essas categorias dependem de seus opostos:

• bom / mau;

• satisfatório / insatisfatório.

Para a prática do dia, tanto avaliações agradáveis quanto desagradáveis entram no mesmo treinamento.

POR QUE INCLUIR O “BOM”?

Isso pode causar estranhamento.

Mas pense:

Se digo: “Esta situação é perfeita” posso começar a temer que ela deixe de ser perfeita.

Se digo: “Essa pessoa é a única que me faz feliz” posso começar a temer perdê-la.

Se digo: “Minha segurança depende disso” posso viver tentando proteger essa condição.

Assim, até significados agradáveis podem carregar apego e medo quando tratados como absolutos.

A MENTE CRIA OPOSTOS

Quando algo é considerado: bom, imediatamente existe a possibilidade de: mau.

Quando algo é: seguro, surge seu oposto: perigoso.

Quando algo é: sucesso, aparece: fracasso.

A percepção habitual organiza grande parte da experiência através desses contrastes.

A lição começa a questionar esse sistema de classificação.

O QUE REALMENTE ESTÁ ME TRANSTORNANDO?

Imagine dizer: “Estou transtornada porque o mundo está perigoso.”

A Lição 12 começa a perguntar:

“Estou reagindo apenas ao mundo ou também ao significado que coloquei sobre ele?”

Isso não significa ignorar riscos reais.

Se existe perigo concreto:

• proteja-se;

• tome decisões;

• procure ajuda;

• aja com prudência.

Mas a mente pode acrescentar uma camada muito maior de medo e generalização.

UMA SITUAÇÃO NÃO PRECISA DEFINIR O MUNDO INTEIRO

Algo ruim acontece. A mente diz: “O mundo é horrível.”

Uma pessoa trai. A mente conclui: “Ninguém é confiável.”

Um projeto falha. A mente escreve: “Nada funciona.”

Observe a expansão.

Um fato específico transforma-se em uma definição universal.

Esse é um dos mecanismos que a lição ajuda a revelar.

O OLHAR DE HOJE É MAIS LENTO

A prática da Lição 12 muda novamente.

Ela deve ser realizada com os olhos abertos.

Mas, diferente de lições anteriores em que o olhar passava mais rapidamente pelos objetos, hoje o texto orienta olhar ao redor bem lentamente, procurando manter um ritmo razoavelmente constante de um objeto para outro.

A ideia é não dar mais tempo ou atenção ao que parece importante e menos ao que parece banal.

POR QUE DAR TEMPO IGUAL?

Porque normalmente nossa atenção é seletiva.

O olhar permanece mais tempo naquilo que:

• desejamos;

• tememos;

• julgamos;

• consideramos importante.

A prática começa a treinar uma atenção menos hierarquizada.

Aquilo que seus olhos encontram recebe, durante o exercício, atenção semelhante.

A PRÁTICA DO DIA

Com os olhos abertos, olhe lentamente ao redor.

Enquanto observa, perceba os adjetivos que sua mente usa para descrever o mundo.

Você pode reconhecer pensamentos como:

• Eu penso que vejo um mundo assustador.

• Eu penso que vejo um mundo perigoso.

• Eu penso que vejo um mundo hostil.

• Eu penso que vejo um mundo triste.

• Eu penso que vejo um mundo bom.

• Eu penso que vejo um mundo satisfatório.

Use qualquer termo que realmente surgir.

O exercício original orienta exatamente esse tipo de aplicação.

NÃO ESCOLHA APENAS OS ADJETIVOS QUE PARECEM “ESPIRITUAIS”

Talvez você queira evitar pensar: “mundo cruel” porque parece negativo.

Ou talvez evite: “mundo maravilhoso” porque acha que a lição só se aplica a julgamentos ruins.

Inclua os dois.

Hoje não estamos tentando produzir uma imagem positiva do mundo.

Estamos reconhecendo:

que nossa mente o descreve.

AO FINAL DA PRÁTICA

Depois de observar os diferentes atributos que surgirem, finalize com a ideia central: “Mas eu estou transtornado porque vejo um mundo sem significado.”

Essa é a conclusão prescrita pelo exercício.

NÃO SE APRESSE PARA ENCONTRAR UM NOVO SIGNIFICADO

Esse ponto é essencial.

Ao retirar um significado antigo, a mente pode imediatamente querer colocar outro.

Por exemplo: “Então preciso interpretar tudo de maneira positiva.”

Não necessariamente.

Talvez o exercício esteja treinando algo mais profundo:

permitir um espaço antes da interpretação.

Nesse espaço, não precisamos decidir imediatamente:

• bom;

• ruim;

• vantagem;

• ameaça;

• sucesso;

• fracasso.

O PROBLEMA DO SIGNIFICADO AUTOMÁTICO

Imagine que algo mude inesperadamente.

Se sua mente imediatamente escreve: “Isso é ruim.”

toda a experiência seguinte será moldada por essa conclusão.

Mas talvez você descubra dias depois que a mudança trouxe algo importante.

Isso acontece muitas vezes.

O significado que parecia evidente no primeiro minuto não era definitivo.

QUANTAS VEZES PRATICAR?

A orientação original é realizar três ou quatro períodos durante o dia.

Cada prática não deve ultrapassar aproximadamente um minuto.

Não é necessário prolongar.

SE SURGIR TENSÃO

O texto é claro: se sentir tensão, encerre a prática.

O objetivo do treinamento não é criar uma nova forma de pressão.

Não transforme UCEM em uma obrigação rígida.

A prática deve abrir espaço, não produzir cobrança.

UMA PRÁTICA PARA MOMENTOS DE JULGAMENTO

Quando pensar: “Essa situação é terrível.”

experimente perguntar:

“O que realmente aconteceu?”

Depois:

“Que adjetivo coloquei sobre isso?”

Talvez o fato seja: “Meu plano foi cancelado.”

E o adjetivo: “terrível.”

Perceber a diferença já cria espaço.

UMA PRÁTICA PARA RELACIONAMENTOS

Quando pensar: “Essa pessoa é impossível.”

Observe.

Existe uma pessoa.

Existem comportamentos.

Existem acontecimentos.

Mas: “impossível” é um significado global colocado sobre ela.

Pergunte:

“Estou vendo um comportamento ou transformando a pessoa inteira em um julgamento?”

UMA PRÁTICA COM O PRÓPRIO EU

Também colocamos adjetivos sobre nós mesmos.

• “Sou fraca.”

• “Sou complicada.”

• “Sou incompetente.”

• “Sou perfeita.”

• “Sou superior.”

• “Sou insuficiente.”

Um comportamento, uma experiência ou uma fase torna-se identidade.

A lição pode ajudar a começar a separar:

experiência de definição.

O QUE OBSERVAR HOJE

Perceba quando sua mente disser:

• “Isso é horrível.”

• “Isso é maravilhoso.”

• “Esse lugar é péssimo.”

• “Essa pessoa é perfeita.”

• “Minha vida está um caos.”

• “Tudo está dando certo.”

Não precisa corrigir imediatamente.

Apenas reconheça:

“Estou atribuindo significado.”

O SIGNIFICADO QUE DAMOS PRODUZ EMOÇÕES

Veja a sequência:

FATO

Algo mudou.

SIGNIFICADO

“Isso é uma ameaça.”

EMOÇÃO

Medo.

Outro significado: “Isso é uma oportunidade.”

Outra emoção: Entusiasmo.

A situação pode ser semelhante.

A experiência interior muda conforme a interpretação.

ISSO NÃO SIGNIFICA ESCOLHER UMA INTERPRETAÇÃO MAIS BONITA

A proposta não é substituir:

“Isso é terrível”

por

“Isso é maravilhoso.”

Às vezes isso seria apenas pensamento positivo artificial.

Hoje a possibilidade é diferente:

“Talvez eu ainda não saiba completamente o que isso significa.”

ESSA FRASE PODE SER LIBERTADORA

Diante de algo incerto: “Talvez eu ainda não saiba o significado disso.”

Diante de uma perda: “Talvez eu ainda não compreenda todo o significado disso.”

Diante de uma mudança: “Talvez esta situação ainda esteja se revelando.”

Não é negar dor.

É evitar transformar uma percepção momentânea em sentença definitiva.

PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE

• Quais adjetivos uso com mais frequência para descrever o mundo?

• Vejo o mundo como perigoso?

• Injusto?

• Difícil?

• Bom?

• Seguro?

• Que experiências passadas sustentam essas descrições?

• Que situações transformo rapidamente em “boas” ou “ruins”?

• Tenho dificuldade em permanecer sem saber o significado de algo?

• Quando algo é incerto, minha mente tende a preencher o vazio com medo?

• Posso esperar um pouco antes de concluir?

UMA PRÁTICA DE UM MINUTO

Olhe ao redor lentamente.

Perceba cada coisa.

Não procure significado.

Se surgir: bonito, observe.

Se surgir: feio, observe.

Se surgir: seguro, observe.

Se surgir: ameaçador, observe.

Depois reconheça: “Minha mente está nomeando aquilo que vê.”

Respire.

Isso já é suficiente.

ESCOLHA DE HOJE

Hoje escolho perceber os significados que coloco sobre o mundo.

Não preciso condená-los.

Não preciso apagá-los à força.

Preciso primeiro reconhecê-los.

Posso admitir: talvez aquilo que estou vendo não contenha, por si só, todo o significado que atribuí a ele.

Posso deixar algum espaço.

E nesse espaço, talvez uma percepção mais verdadeira possa surgir.

ORAÇÃO DE ENTREGA

Espírito Santo,

hoje entrego a Ti os significados que tenho escrito sobre o mundo.

Os lugares que chamei de perigosos.

As situações que chamei de impossíveis.

As pessoas que transformei em julgamentos.

Os acontecimentos que defini como fracasso.

As experiências que idealizei como únicas fontes da minha felicidade.

Ajuda-me a perceber onde estou olhando para minhas próprias palavras e acreditando que elas são a realidade.

Onde eu tiver escrito medo,

abre espaço.

Onde eu tiver escrito culpa,

abre espaço.

Onde eu tiver escrito condenação,

abre espaço.

Onde eu tiver colocado uma certeza rígida,

ensina-me novamente a não saber.

Que eu não substitua um julgamento negativo por outro positivo apenas para fugir do desconforto.

Ensina-me a permanecer aberta.

Que a verdade não precise competir com minhas interpretações.

Que eu possa deixar minhas palavras repousarem

e permitir que uma percepção mais profunda

comece a surgir.

Amém.

FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA

“Talvez o mundo não contenha todos os significados que minha mente colocou sobre ele.”

AO FINAL DO DIA

Escolha uma situação que tenha provocado reação.

Observe:

• O QUE ACONTECEU?

Descreva apenas os fatos.

• COMO EU DESCREVI ESSA SITUAÇÃO?

Use os adjetivos que apareceram.

Talvez:

• terrível;

• injusta;

• maravilhosa;

• perigosa;

• perfeita.

• O ADJETIVO É O FATO?

Observe a diferença.

• QUE EMOÇÃO SURGIU DEPOIS QUE DEI ESSE SIGNIFICADO?

Perceba a relação.

• POSSO DEIXAR O SIGNIFICADO UM POUCO MAIS ABERTO?

Finalize: “Talvez eu ainda não saiba tudo o que esta situação significa.”

LIÇÃO 12 — ESSÊNCIA

• A mente atribui qualidades e significados ao mundo que percebe.

• Adjetivos negativos e positivos fazem parte do mesmo processo de classificação.

• Muitas vezes reagimos aos significados que acrescentamos aos acontecimentos.

• O exercício começa a treinar uma atenção mais uniforme e menos seletiva.

• Não precisamos substituir imediatamente um significado por outro.

• Podemos aprender a permanecer por alguns instantes sem conclusão.

• O não saber pode abrir espaço para uma percepção diferente.

Hoje começo a perceber que o mundo que descrevo não é necessariamente o mundo tal como ele é.

Existe aquilo que acontece.

E existe aquilo que escrevo sobre o que acontece.

Quando começo a distinguir os dois, algo se abre.

E nesse espaço, a paz pode começar a escrever uma história diferente.