LIÇÃO 248

Lição 248 — Tudo o que sofre não faz parte de mim — Um Curso em Milagres

TUDO O QUE SOFRE NÃO FAZ PARTE DE MIM

365 Dias com Um Curso em Milagres

Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior

A IDEIA DE HOJE

Na Lição 247, aprendemos:

“Sem perdão, ainda serei cego.”

Hoje, a prática volta-se diretamente para nossa identidade.

A Lição 248 afirma:

“Tudo o que sofre não faz parte de mim.”

Essa frase pode parecer radical.

Talvez até difícil de receber.

Porque conhecemos:

dor.

tristeza.

luto.

doença.

medo.

cansaço.

E todas essas experiências podem parecer profundamente pessoais.

A lição, porém, trabalha em outro nível.

Ela não nos pede para negar aquilo que sentimos.

Ela pergunta:

“Aquilo que estou experimentando é realmente a totalidade do que sou?”

A resposta do Curso é:

não.

SENTIR SOFRIMENTO NÃO SIGNIFICA SER O SOFRIMENTO

Essa distinção é fundamental.

Posso dizer:

“Estou atravessando sofrimento.”

Sem concluir:

“Eu sou sofrimento.”

POSSO DIZER

“Estou triste.”

Sem concluir:

“Minha identidade é tristeza.”

POSSO DIZER

“Estou sentindo dor.”

Sem concluir:

“A dor é a verdade última sobre mim.”

A EXPERIÊNCIA ESTÁ PRESENTE

Mas não precisa receber:

o lugar do Ser.

A LIÇÃO NÃO É UMA ORDEM PARA NEGAR DOR

Isso precisa ser deixado muito claro.

Dentro da linguagem metafísica de UCEM, sofrimento e morte pertencem ao nível da percepção e não definem a realidade do Filho de Deus.

Mas isso não significa que, na experiência humana, devemos:

  • ignorar sintomas;
  • abandonar tratamento;
  • negar sofrimento emocional;
  • fingir que estamos bem;
  • dizer a alguém que sua dor “não existe”.

NA PRÁTICA

se algo dói:

cuide.

Se há sofrimento psicológico intenso:

procure apoio.

Se há sintomas físicos:

busque avaliação adequada.

A LIÇÃO TRABALHA COM IDENTIDADE

Não com negligência.

O QUE SOFRE É O AUTOCONCEITO

O texto-base fala em repudiar:

autoconceitos, enganos e mentiras sobre o Filho santo de Deus.

O QUE É UM AUTOCONCEITO?

É uma ideia construída sobre:

quem acredito ser.

EXEMPLOS

“Sou frágil.”

“Sou abandonado.”

“Sou doente.”

“Sou incapaz.”

“Sou condenado ao sofrimento.”

PODEMOS TER REPETIDO ESSAS FRASES TANTAS VEZES

que deixaram de parecer pensamentos.

Começaram a parecer:

identidade.

UMA EXPERIÊNCIA REPETIDA PODE VIRAR UM NOME

Talvez alguém tenha vivido várias rejeições.

E então conclua:

“Sou rejeitado.”

VEJA A TRANSFORMAÇÃO

Acontecimento:

“Fui rejeitado algumas vezes.”

Identidade:

“Sou alguém destinado à rejeição.”

A SEGUNDA FRASE É MUITO MAIS PROFUNDA

porque passa a organizar:

a percepção futura.

O AUTOCONCEITO PROCURA PROVAS DE SI MESMO

Se acredito:

“Sou sempre abandonado,”

talvez comece a notar principalmente:

  • atrasos;
  • distâncias;
  • silêncios;
  • mudanças.

CADA EVENTO TORNA-SE

uma nova testemunha da identidade antiga.

ASSIM O AUTOCONCEITO SE FORTALECE

não porque seja necessariamente verdadeiro,

mas porque:

a mente passou a procurá-lo.

A LIÇÃO 248 PROPÕE UMA RUPTURA

Ela diz:

“Agora repudio os autoconceitos e enganos…”

“REPUDIAR” AQUI NÃO PRECISA SIGNIFICAR LUTAR

Pode significar:

não aceitar mais como verdade final.

POSSO DIZER

“Esse pensamento existe.”

E também:

“Não preciso chamá-lo de quem sou.”

EU NÃO SOU O PERSONAGEM QUE CONSTRUÍ

Ao longo da vida, construímos histórias.

A criança inteligente.

A rejeitada.

A forte.

A problemática.

A cuidadora.

A que precisa resolver tudo.

ALGUMAS IDENTIDADES PARECEM POSITIVAS

Outras negativas.

MAS TODAS PODEM SE TORNAR PRISÕES

quando acreditamos:

“Só posso ser isto.”

ATÉ UMA IDENTIDADE “FORTE” PODE ESCONDER SOFRIMENTO

Talvez alguém diga:

“Eu sou forte.”

Parece positivo.

Mas talvez signifique:

“Não posso pedir ajuda.”

OU

“Sou independente.”

Talvez esconda:

“Não posso precisar de ninguém.”

A LIÇÃO NOS CONVIDA A IR ALÉM

de todos os personagens.

O QUE CHORA NÃO É TODO O MEU SER

O texto-base afirma:

“O que chora não sou eu.”

ISSO NÃO SIGNIFICA

que lágrimas são erradas.

POSSO CHORAR

e ao mesmo tempo recordar:

há algo em mim que observa as lágrimas.

ESSA OBSERVAÇÃO ABRE ESPAÇO

Eu tenho uma experiência.

Não sou reduzido:

à experiência.

HÁ UMA CONSCIÊNCIA QUE PERCEBE A DOR

Experimente notar.

Se você consegue dizer:

“Estou com medo,”

existe também:

algo que percebe o medo.

SE VOCÊ CONSEGUE DIZER

“Estou triste,”

existe:

uma consciência que percebe a tristeza.

A LIÇÃO NOS CONVIDA A DESLOCAR IDENTIFICAÇÃO

do conteúdo observado

para:

o Ser que permanece.

O SOFRIMENTO MUDA

Isso também oferece uma pista.

Uma emoção intensa pode parecer eterna.

Mas muda.

Às vezes em:

horas.

dias.

meses.

SE MUDA

talvez não seja:

a essência imutável do Ser.

O QUE MUDA PODE SER EXPERIENCIADO

sem ser nossa Identidade final.

O CORPO MUDA

Mais adiante, UCEM apresenta o corpo como algo diferente da identidade eterna do Filho de Deus.

O CORPO

cresce.

envelhece.

cansa.

adoece.

recupera-se.

SE O SER FOSSE APENAS O CORPO

nossa identidade mudaria:

a cada alteração física.

CUIDAR DO CORPO SEM FAZER DELE O SER

Essa é uma aplicação madura.

Posso cuidar profundamente:

  • da alimentação;
  • do sono;
  • da saúde;
  • do tratamento;
  • da segurança.

SEM CONCLUIR

“Tudo o que sou é este corpo.”

CUIDADO NÃO EXIGE IDENTIFICAÇÃO TOTAL

NÃO USAR A LIÇÃO CONTRA QUEM SOFRE

Se alguém está enfrentando doença, luto ou trauma,

não é apropriado dizer:

“Isso não faz parte de você, então pare de sofrer.”

ISSO SERIA

usar uma ideia espiritual para:

invalidar uma experiência humana.

A PRÁTICA É INTERIOR

Ela serve para recordar:

a dor não esgota a identidade da pessoa.

POSSO OLHAR PARA ALGUÉM QUE SOFRE E VER MAIS

Talvez alguém esteja deprimido.

Ou muito doente.

Ou vivendo uma perda.

POSSO VER O SOFRIMENTO

e também:

não reduzir essa pessoa a ele.

ISSO É UMA FORMA DE AMOR

“Você está atravessando algo difícil, mas eu não te vejo apenas como isso.”

O SOFRIMENTO PODE TENTAR COLONIZAR A IDENTIDADE

Quando algo dura muito tempo,

a mente começa a dizer:

“Minha vida inteira é isso.”

É COMPREENSÍVEL

Mas a Lição 248 oferece uma pequena abertura:

“Talvez não.”

TALVEZ EXISTA MAIS

do que aquilo que hoje consigo sentir.

O AUTOCONCEITO DA VÍTIMA

Essa parte exige cuidado.

Reconhecer que “vítima” não é identidade eterna não significa:

negar que uma pessoa tenha sofrido injustiça.

ALGUÉM PODE TER SIDO

realmente ferido.

abusado.

prejudicado.

MAS “SOFRI ALGO”

é diferente de:

“sou para sempre aquilo que fizeram comigo.”

RECUPERAR IDENTIDADE NÃO É CULPAR QUEM SOFREU

Jamais devemos transformar essa lição em:

“Se você sofre, é porque está pensando errado.”

ISSO SERIA CRUEL

E simplista.

UMA LEITURA MAIS CUIDADOSA É

“Mesmo no sofrimento, há algo em você que não foi destruído.”

O QUE FIZERAM COMIGO NÃO DEFINE O QUE DEUS CRIOU

Essa pode ser uma aplicação profunda.

Talvez alguém tenha tentado:

humilhar.

rejeitar.

controlar.

A EXPERIÊNCIA PODE TER CONSEQUÊNCIAS REAIS

Mas não possui autoridade absoluta para:

definir o Ser.

A DOR E A HISTÓRIA SOBRE A DOR

Existe:

dor.

E existe:

o significado que damos à dor.

EXEMPLO

Dor:

“Isso terminou.”

História:

“Nunca mais serei feliz.”

A PRIMEIRA É UMA EXPERIÊNCIA

A segunda:

uma previsão identitária.

TALVEZ NÃO POSSAMOS RETIRAR A DOR IMEDIATAMENTE

Mas podemos começar a investigar:

a história que construímos ao redor dela.

PERGUNTE

“O que estou dizendo que isso prova sobre mim?”

O SOFRIMENTO E O TEMPO

O sofrimento frequentemente diz:

“Sempre foi assim.”

“Sempre será.”

OBSERVE

essas duas palavras:

sempre.

A MENTE ESTÁ TRANSFORMANDO

uma experiência no tempo

em:

uma identidade eterna.

A LIÇÃO RETIRA O “PARA SEMPRE” DA DOR

Talvez eu esteja sofrendo:

agora.

MAS NÃO PRECISO ACRESCENTAR

“E isso define eternamente o que sou.”

A MORTE E A IDENTIDADE EM UCEM

O texto-base traz uma afirmação metafísica forte sobre morte e realidade.

DENTRO DO SISTEMA DO CURSO

a Vida verdadeira não é reduzida ao corpo.

ISSO NÃO SIGNIFICA

que a perda de alguém não produza luto.

O luto é uma experiência humana real para quem o vive.

A PRÁTICA É

não concluir que:

o Amor foi destruído junto com a forma.

A FORMA MUDA; O AMOR PODE SER LEMBRADO

Isso pode tornar a lição mais acessível.

Quando algo termina:

uma relação.

uma fase.

um corpo.

A FORMA NÃO PERMANECE

Mas talvez:

aquilo que foi verdadeiramente amoroso

não precise:

ser tratado como inexistente.

REPUDIAR A FALSIDADE

A lição diz que antes repudiamos a verdade e agora queremos ser igualmente fiéis ao repudiar a falsidade.

ISSO CRIA UMA INVERSÃO

Antes:

acreditávamos automaticamente no medo.

AGORA

começamos a questionar:

o medo.

NÃO ACEITAR TODO PENSAMENTO COMO VERDADE

é um grande passo.

UM PENSAMENTO NÃO É UMA IDENTIDADE

“Sou incapaz.”

É um pensamento.

“Sou indigno.”

É um pensamento.

“Nunca vou melhorar.”

É um pensamento.

O FATO DE SER PENSADO

não o transforma automaticamente:

em verdade.

O FILHO SANTO DE DEUS NÃO PRECISA SER FABRICADO

O texto diz:

“recebê-lo de volta tal como Deus o criou.”

ISSO É MUITO BONITO

Porque significa:

não precisamos criar um novo Ser.

PRECISAMOS APENAS

deixar de identificar-nos exclusivamente:

com aquilo que o encobriu.

NÃO PRECISO ME TORNAR DIGNO

Se a dignidade vem de Deus,

não é recompensa.

POSSO APRENDER

a reconhecê-la.

ISSO É DIFERENTE DE

tentar merecê-la.

O ANTIGO AMOR POR DEUS ESTÁ DE VOLTA

A oração final fala do retorno do antigo amor por Deus e do amor ao Filho.

“ANTIGO” AQUI SUGERE

algo que:

não está sendo criado agora.

ESTÁ SENDO LEMBRADO

O RETORNO É LEMBRANÇA

Talvez todo o movimento da lição possa ser resumido assim:

não fabricar.

não conquistar.

não construir.

MAS

recordar.

QUEM DEUS CRIOU?

A pergunta de hoje pode ser:

“Quem sobra quando retiro todos os rótulos?”

RETIRE MENTALMENTE

profissão.

idade.

erros.

sucessos.

diagnósticos.

história.

EXISTE ALGO QUE NÃO DEPENDE DESSAS DESCRIÇÕES?

É nessa direção que a lição aponta.

OS RÓTULOS PODEM SER ÚTEIS SEM VIRAR IDENTIDADE

Por exemplo:

“Estou passando por ansiedade.”

pode ajudar a buscar cuidado.

MAS É DIFERENTE DE

“Sou ansiedade.”

O PRIMEIRO DESCREVE

uma experiência.

O SEGUNDO REDUZ

uma pessoa inteira:

a uma condição.

PRÁTICA DA MANHÃ

Ao acordar, repita:

“Tudo o que sofre não faz parte de mim.”

Depois acrescente:

“Isso não significa que negarei o que sinto. Significa que não reduzirei meu Ser ao que sinto.”

Respire.

PERGUNTE

“Que sofrimento transformei em identidade?”

Talvez:

  • rejeição;
  • doença;
  • culpa;
  • perda;
  • fracasso.

DEPOIS

“Quem sou além desta experiência?”

Não force resposta.

Permaneça em silêncio.

PRÁTICA PARA DOR EMOCIONAL

Diga:

“Esta dor está presente.”

Depois:

“Eu não preciso dizer que ela é tudo o que sou.”

RESPIRAÇÃO

Sinta o corpo.

Não lute contra a emoção.

DEIXE HAVER

um pequeno espaço:

entre você

e a experiência.

PRÁTICA PARA DOR FÍSICA

Primeiro:

cuide do corpo de maneira responsável.

DEPOIS, SE FOR ÚTIL, DIGA

“Meu corpo sente isso; não preciso transformar isso na totalidade da minha identidade.”

A FRASE NÃO SUBSTITUI CUIDADO

Ela apenas trabalha:

a identificação.

PRÁTICA PARA LUTO

Quando a saudade vier:

não negue.

DIGA

“Sinto esta perda.”

E TAMBÉM

“O Amor não precisa ser reduzido à ausência da forma.”

PERMITA AS DUAS COISAS

dor

e:

lembrança do Amor.

PRÁTICA PARA AUTOCONCEITOS

Escolha uma frase frequente.

“Sou difícil.”

“Sou fraca.”

REESCREVA

“Tenho percebido esse padrão em mim.”

OBSERVE A DIFERENÇA

Um padrão pode:

mudar.

Uma identidade parece:

fixa.

PRÁTICA PARA FRACASSO

Em vez de:

“Sou fracassado,”

diga:

“Esse resultado não foi o que eu queria.”

DEPOIS

“O que posso aprender?”

PRÁTICA PARA CULPA

Quando vier:

“Eu sou culpado,”

pergunte:

“Há algo que preciso corrigir?”

SE SIM

corrija.

DEPOIS

não continue usando a culpa como:

identidade.

PRÁTICA PARA REJEIÇÃO

Quando alguém não escolher você:

“Estou sentindo rejeição.”

DEPOIS

“Isso é uma experiência, não uma definição do meu valor.”

PRÁTICA PARA QUANDO PENSAR “SEMPRE SEREI ASSIM”

Pare.

Diga:

“Estou transformando o presente em eternidade.”

DEPOIS

“Posso não saber quem serei depois deste aprendizado.”

MICROPRÁTICA DE 30 SEGUNDOS

1. PARE.

2. NOMEIE.

“Estou experimentando…”

3. NÃO DIGA:

“Eu sou…”

4. RECORDE.

“Sou mais do que esta experiência.”

5. RESPIRA.

E volte ao presente.

MICROPRÁTICA PARA TRISTEZA

“Sinto tristeza; não sou reduzido à tristeza.”

MICROPRÁTICA PARA DOR

“Cuido da dor sem fazê-la meu nome.”

MICROPRÁTICA PARA CULPA

“Corrijo o erro e libero a identidade de culpa.”

MICROPRÁTICA PARA REJEIÇÃO

“A experiência não define meu valor.”

MICROPRÁTICA PARA MEDO

“O medo está presente; ele não é meu Ser.”

O QUE OBSERVAR HOJE

Perceba frases como:

  • “Eu sou ansioso.”
  • “Eu sou doente.”
  • “Eu sou um fracasso.”
  • “Sou rejeitado.”
  • “Sou azarado.”
  • “Sempre sofro.”
  • “Nunca vou mudar.”

PERGUNTE

“Estou descrevendo algo ou criando uma identidade?”

MARCADORES DE IDENTIFICAÇÃO COM O SOFRIMENTO

  • Transformo estados em nomes.
  • Repito a história diariamente.
  • Busco provas de que nada mudará.
  • Acredito que o futuro será cópia do passado.
  • Não consigo imaginar minha vida sem o problema.
  • Sinto culpa ao melhorar.
  • Tenho medo de quem serei sem esse papel.

MARCADORES DE DESIDENTIFICAÇÃO SAUDÁVEL

  • Reconheço o que sinto.
  • Procuro ajuda quando preciso.
  • Não nego fatos.
  • Evito transformar experiência em essência.
  • Consigo imaginar mudança.
  • Permito que minha identidade seja maior.
  • Posso cuidar do corpo sem ser apenas o corpo.
  • Posso sentir dor e ainda perceber valor.

EXERCÍCIO — “EU SOU” OU “EU ESTOU”?

Faça uma lista com dez frases que começam:

“Eu sou…”

AGORA OBSERVE

quantas descrevem:

estados temporários.

EXPERIMENTE TRANSFORMAR

“Eu sou ansioso”

em:

“Tenho experimentado ansiedade.”

OU

“Sou fracassado”

em:

“Tive resultados que considerei fracassos.”

PERCEBA A ABERTURA

EXERCÍCIO — O AUTOCONCEITO CENTRAL

Complete:

“Se eu tivesse que resumir o que há de errado comigo, eu diria…”

Observe a resposta.

DEPOIS

pergunte:

“Quem me ensinou isso?”

“Que experiências alimentaram isso?”

“Existem fatos que contradizem essa identidade?”

EXERCÍCIO — QUEM SOU SEM ESSA HISTÓRIA?

Escolha um rótulo.

Por exemplo:

“abandonado.”

PERGUNTE

“Se eu não precisasse contar esta história por cinco minutos, quem seria?”

Não procure uma resposta intelectual.

Apenas:

descanse.

EXERCÍCIO — A EXPERIÊNCIA E O SER

Divida uma página em duas.

O QUE ESTOU EXPERIENCIANDO

  • medo;
  • perda;
  • dor;
  • insegurança.

O QUE ISSO NÃO PRECISA DEFINIR

  • meu valor;
  • minha capacidade de amar;
  • minha dignidade;
  • minha Identidade espiritual.

EXERCÍCIO — O QUE AINDA NÃO FOI DESTRUÍDO?

Pense numa experiência muito difícil.

Pergunte:

O QUE ESSA EXPERIÊNCIA MUDOU?

Reconheça.

O QUE ELA NÃO CONSEGUIU DESTRUIR?

Talvez:

  • capacidade de amar;
  • criatividade;
  • esperança;
  • coragem;
  • dignidade.

IDENTIFIQUE

o que permaneceu.

EXERCÍCIO — A IDENTIDADE EMPRESTADA

Complete:

“Passei a acreditar que sou…”

Depois:

“Isso veio de mim ou de algo que ouvi repetidamente?”

TALVEZ SEJA

uma identidade:

emprestada.

EXERCÍCIO — DEIXANDO UM PAPEL

Pergunte:

“Que sofrimento se tornou um papel que já não quero desempenhar?”

TALVEZ

o forte.

a vítima.

o abandonado.

o fracassado.

DEPOIS

“O que temo perder se abandonar esse papel?”

PERGUNTAS PARA OBSERVAR A MENTE

  • Qual sofrimento transformei em identidade?
  • Que rótulo uso mais contra mim?
  • Quem eu seria sem esse rótulo?
  • Confundo corpo com Ser?
  • Confundo emoção com identidade?
  • Confundo diagnóstico com totalidade?
  • Estou negando dor ou reconhecendo-a com espaço?
  • Preciso de ajuda prática?
  • Que história sobre minha dor me machuca mais que o fato presente?
  • O que ainda permanece inteiro em mim?
  • Que autoconceito já posso questionar?
  • Tenho medo de melhorar?
  • O sofrimento tornou-se parte da maneira como recebo atenção ou pertencimento?
  • Consigo permitir uma identidade maior?
  • Posso receber o Filho de Deus como Ele foi criado?

NÃO USE ESSA LIÇÃO PARA NEGLIGENCIAR O CORPO

Se houver sintomas físicos:

procure cuidado apropriado.

A METAFÍSICA DO CURSO

não substitui:

diagnóstico,

tratamento,

medicação prescrita

ou orientação profissional.

A PRÁTICA INTERIOR PODE ACOMPANHAR O CUIDADO

não substituí-lo.

NÃO USE ESSA LIÇÃO PARA INVALIDAR SAÚDE MENTAL

Se alguém estiver enfrentando sofrimento psicológico,

dizer:

“Isso é só ilusão”

pode ser profundamente inadequado.

UMA APLICAÇÃO MAIS COMPASSIVA É

“Você é mais do que aquilo que está vivendo, e merece cuidado enquanto atravessa isso.”

NÃO USE A LIÇÃO PARA SE CULPAR POR SOFRER

Outra armadilha seria pensar:

“Se ainda sofro, estou fazendo o Curso errado.”

NÃO

Sofrimento pode tornar-se:

material de prática.

A PRÁTICA COMEÇA

onde você está.

O SOFRIMENTO NÃO PRECISA TER AUTORIDADE SOBRE A VERDADE

Esse talvez seja o coração da lição.

Sentimentos são reais:

como experiências.

MAS NÃO PRECISAM SER

autoridade absoluta sobre:

quem somos.

QUEM SOU NÃO PRECISA DEPENDER DO QUE ACONTECEU COMIGO

Talvez uma experiência tenha mudado:

minha vida.

MAS NÃO PRECISA TER CRIADO

meu Ser.

DENTRO DA LÓGICA DO CURSO

Deus criou:

o Filho.

O MUNDO NÃO PODE RECRIÁ-LO COMO OUTRA COISA

“SOU COMO ME CRIASTE”

A oração da lição culmina nessa lembrança.

ESSA FRASE É UMA RESPOSTA

a todos os rótulos.

“Sou como me criaste.”

Não como:

me julguei.

Não como:

me feriram.

Não como:

meu medo descreveu.

O AMOR DE DEUS E O MEU SÃO UM

O texto termina ligando novamente:

o Amor do Pai

e:

nosso próprio amor.

QUANDO RECORDO A FONTE

recordo:

algo sobre:

mim.

A IDENTIDADE NÃO É SEPARADA DA ORIGEM

A PRÁTICA DE HOJE

Ao longo do dia, repita:

“Tudo o que sofre não faz parte de mim.”

Mas use a frase com delicadeza.

Não para negar.

Para lembrar:

“Sou mais do que isso.”

Quando sentir dor:

“Cuido da experiência sem transformá-la em minha Identidade.”

Quando surgir um rótulo:

“Isto é um autoconceito.”

Quando houver culpa:

“Corrijo sem fazer da culpa meu Ser.”

Quando vier medo:

“O medo não recebeu autoridade para definir quem Deus criou.”

FRASES PARA USAR DURANTE O DIA

  • “Tudo o que sofre não faz parte de mim.”
  • “Posso sentir sem ser reduzido ao que sinto.”
  • “Minha experiência não é toda a minha Identidade.”
  • “Cuido da dor sem torná-la meu nome.”
  • “Um estado não é um Ser.”
  • “Meu corpo merece cuidado, mas não contém toda a verdade sobre mim.”
  • “Meu passado não criou meu Ser.”
  • “O que fizeram comigo não define o que Deus criou.”
  • “Posso abandonar autoconceitos antigos.”
  • “Não preciso dizer ‘eu sou’ para tudo que experimento.”
  • “Correção não exige autocondenação.”
  • “Sou maior do que meus papéis.”
  • “Não preciso transformar o presente em eternidade.”
  • “Sou como Deus me criou.”
  • “Hoje quero recordar meu verdadeiro Ser.”

ESCOLHA DE HOJE

Hoje escolho recordar:

posso atravessar uma experiência sem transformá-la na totalidade de quem sou.

Quando estiver triste:

quero sentir a tristeza

sem fazer dela:

minha identidade.

Quando houver dor:

quero cuidar.

Quando houver medo:

quero observar.

Quando algum velho rótulo surgir:

quero perguntar:

“Isso é realmente quem sou ou uma história que aprendi?”

Quando o passado disser:

“Você sempre será assim,”

quero deixar espaço para:

uma nova possibilidade.

Hoje não quero negar minha humanidade.

Quero apenas parar de acreditar:

que minha humanidade ferida

é toda a verdade:

sobre mim.

ORAÇÃO DE ENTREGA

Pai,

hoje quero lembrar

quem sou.

Tenho chamado

tantas experiências

pelo meu nome.

Disse:

“Sou triste.”

“Sou fraco.”

“Sou doente.”

“Sou abandonado.”

“Sou culpado.”

E esqueci

que eram experiências,

pensamentos,

histórias,

autoconceitos.

Hoje não quero

negar aquilo que sinto.

Se houver dor,

que eu cuide.

Se houver tristeza,

que eu permita as lágrimas.

Se houver medo,

que eu peça ajuda quando precisar.

Mas, Pai,

que eu não entregue

minha Identidade

a nenhuma dessas experiências.

Ensina-me

a dizer:

“Isto está acontecendo comigo.”

Sem concluir:

“Isto é o que sou.”

Quando meu corpo

pedir cuidado,

que eu cuide com amor.

Quando minha mente

pedir descanso,

que eu respeite.

Quando eu precisar

de profissionais,

que eu os procure.

E, ao mesmo tempo,

que eu recorde:

há em mim algo

que nenhuma experiência

pode criar

ou destruir.

Pai,

mostra-me

os autoconceitos

que tenho defendido.

A vítima.

O fracassado.

O rejeitado.

O forte que não pode pedir ajuda.

Aquele que sempre sofre.

Aquele que nunca muda.

Hoje quero deixá-los

repousar.

Eles não precisam

ser meu nome.

Quando eu me olhar,

que eu não veja apenas

o que aconteceu.

Que eu veja também:

aquilo que permaneceu.

A capacidade de amar.

De aprender.

De começar outra vez.

De receber Tua paz.

Pai,

sou como me criaste.

Não como o medo me descreve.

Não como a culpa me acusa.

Não como o passado me limita.

Que o antigo amor por Ti

volte à minha lembrança.

E que eu ame novamente

Teu Filho,

inclusive:

aquele que vejo

quando olho para mim.

Hoje quero receber

de volta

o Ser que nunca deixou

de ser o que Tu criaste.

Que eu não lute

contra o sofrimento.

Mas que também

não me ajoelhe diante dele

como se fosse meu criador.

Tu és minha Fonte.

O sofrimento não é.

O medo não é.

O corpo não é.

A história não é.

Em Ti,

recordo:

meu verdadeiro Nome.

E descanso.

Amém.

FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA

“Posso reconhecer a dor sem transformá-la em minha identidade. O que sinto merece cuidado, mas não possui autoridade para redefinir o Ser que Deus criou.”

AO FINAL DO DIA

Antes de dormir, repita:

“Tudo o que sofre não faz parte de mim.”

QUE EXPERIÊNCIA MAIS DOMINOU MEU DIA?

Observe.

TRANSFORMEI-A EM IDENTIDADE?

Pergunte.

USEI ALGUM RÓTULO CONTRA MIM?

Reconheça.

CONSEGUI DIZER “ESTOU” EM VEZ DE “SOU”?

Valorize.

CUIDEI DO CORPO QUANDO PRECISAVA?

Reconheça.

PEDI AJUDA QUANDO NECESSÁRIO?

Valorize.

QUE AUTOCONCEITO APARECEU MAIS FORTE?

Observe.

EXISTIU ALGUM MOMENTO EM QUE ME SENTI MAIOR QUE O PROBLEMA?

Recorde.

O QUE POSSO DEIXAR DE CHAMAR DE “EU”?

Entregue.

FINALIZE

“Pai, nesta noite descanso como Tu me criaste.”

LIÇÃO 248 — ESSÊNCIA

  • A Lição 248 afirma: “Tudo o que sofre não faz parte de mim.”
  • A lição trabalha a diferença entre experiência e Identidade.
  • Sentir sofrimento não significa ser o sofrimento.
  • O Curso aponta para um Ser que não é reduzido às condições do corpo ou da percepção.
  • Isso não significa negar dor humana.
  • Cuidado médico e psicológico continuam importantes quando necessários.
  • Estados emocionais não precisam tornar-se identidades.
  • Autoconceitos podem ser construídos a partir de experiências repetidas.
  • Um autoconceito procura evidências de si mesmo.
  • A prática consiste em questionar esses autoconceitos.
  • “Estou triste” é diferente de “sou tristeza”.
  • “Estou doente” é diferente de reduzir todo o Ser à doença.
  • O corpo pode ser cuidado sem ser considerado a totalidade do Ser.
  • Luto pode ser vivido sem transformar a perda da forma em fim do Amor.
  • A história sobre a dor pode ampliar o sofrimento.
  • O passado não precisa criar nossa identidade futura.
  • Experiências reais de injustiça não devem ser negadas.
  • Superar a identidade de vítima não significa culpar quem sofreu.
  • O sofrimento não deve ser usado como prova de falha espiritual.
  • O Curso não deve ser utilizado para invalidar quem sofre.
  • Um pensamento não é automaticamente verdade.
  • Um diagnóstico não é a totalidade de uma pessoa.
  • Não precisamos fabricar um novo Ser.
  • A prática é recordar o Ser tal como Deus o criou.
  • “Sou como me criaste.”

A MENSAGEM CENTRAL DE HOJE

Ontem aprendemos:

o perdão devolve visão à mente.

Hoje essa nova visão é dirigida:

para nós mesmos.

Talvez, durante muito tempo,

tenhamos confundido:

o que aconteceu conosco

com:

quem somos.

Uma perda virou:

“sou alguém destinado a perder.”

Uma rejeição virou:

“sou indigno de amor.”

Uma doença virou:

“sou apenas este corpo fragilizado.”

Um erro virou:

“sou culpado.”

A Lição 248 começa a desfazer:

essa fusão.

Ela não diz:

“Não sinta.”

Ela não diz:

“Não cuide.”

Ela não diz:

“Finja que está tudo bem.”

Ela diz algo muito mais profundo:

“Não entregue seu nome ao sofrimento.”

Talvez você esteja sofrendo.

Cuide-se.

Talvez esteja triste.

Chore.

Talvez precise de ajuda.

Peça.

E, ao mesmo tempo,

deixe uma pequena parte da mente recordar:

isso não é toda a sua Identidade.

Há algo que observa.

Algo que permanece.

Algo que não foi criado:

pela rejeição.

pela perda.

pela culpa.

pela doença.

pelo medo.

Dentro da linguagem do Curso,

esse algo é:

o Filho de Deus tal como Deus o criou.

É isso que hoje queremos receber novamente.

Não um personagem perfeito.

Não um corpo invulnerável.

Não alguém que nunca sente dor.

Mas:

uma Identidade que não pode ser reduzida ao que passa.

Hoje, quando o sofrimento tentar dizer:

“Este é o seu nome,”

podemos responder:

“Não. Esta é uma experiência que merece cuidado. Mas meu Ser é maior.”

E então lembrar:

“Pai, sou como me criaste.”