LIÇÃO 192 — TENHO UMA FUNÇÃO QUE DEUS QUER QUE EU CUMPRA

Infográfico da Lição 192 de Um Curso em Milagres — Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra

365 Dias com Um Curso em Milagres

Uma Jornada de Treinamento da Mente, Perdão e Paz Interior

A IDEIA CENTRAL DE HOJE

A Lição 192 apresenta uma declaração sobre propósito:

TENHO UMA FUNÇÃO QUE DEUS QUER QUE EU CUMPRA.

Talvez a palavra “função” faça a mente imaginar uma missão grandiosa, pública ou extraordinária.

Podemos pensar:

“Preciso descobrir alguma tarefa especial.”

“Talvez eu tenha vindo ao mundo para realizar algo que ninguém mais pode fazer.”

“Como saberei qual é minha verdadeira missão?”

Mas o Curso não está falando de uma profissão específica, de um título espiritual ou de uma posição de destaque.

Nossa função essencial é o perdão.

As formas através das quais cumpriremos essa função podem variar.

Ela pode expressar-se:

  • em uma conversa;
  • em um relacionamento;
  • no trabalho;
  • em uma decisão;
  • em um pedido de desculpas;
  • em um limite;
  • em uma escolha silenciosa;
  • no modo como percebemos um irmão;
  • na maneira como olhamos para nós mesmos.

A função permanece a mesma:

permitir que a percepção seja libertada da condenação.

A FUNÇÃO NÃO PRECISA SER INVENTADA

O ego acredita que precisa criar uma identidade e depois encontrar uma missão que prove seu valor.

Ele pergunta:

“O que devo fazer para ser importante?”

“Como posso deixar uma marca no mundo?”

“Qual trabalho demonstrará que minha vida teve significado?”

A Lição 192 oferece descanso.

Não precisamos inventar nossa função.

Ela já foi dada.

Também não precisamos utilizá-la para construir uma identidade especial.

O perdão não nos torna superiores.

Ele nos recorda que a mesma Identidade é compartilhada por todos.

FUNÇÃO NÃO É PROFISSÃO

Nossa profissão pode ser uma das formas através das quais servimos.

Podemos trabalhar como:

  • professores;
  • escritores;
  • advogados;
  • terapeutas;
  • médicos;
  • artistas;
  • comerciantes;
  • cuidadores;
  • funcionários;
  • empreendedores.

Mas a função espiritual não está limitada ao cargo.

Duas pessoas podem exercer a mesma profissão com propósitos interiores diferentes.

Uma pode utilizar o trabalho para competir, controlar e provar superioridade.

Outra pode usar a mesma atividade para servir com integridade, clareza e respeito.

A forma externa não determina sozinha a função.

O propósito da mente é essencial.

O PERDÃO É NOSSA FUNÇÃO

O perdão, no sentido do UCEM, não é um gesto de superioridade.

Não significa pensar:

“Você realmente é culpado, mas eu, sendo mais evoluído, decido perdoá-lo.”

Esse pensamento preservaria a culpa.

O perdão ensinado pelo Curso pergunta:

“Posso permitir que minha percepção seja corrigida?”

Ele reconhece que nossas interpretações podem estar contaminadas por:

  • medo;
  • projeção;
  • expectativas;
  • experiências passadas;
  • generalizações;
  • necessidade de controle;
  • desejo de vingança;
  • vontade de estar certo.

O perdão não afirma que comportamentos prejudiciais são aceitáveis.

Ele deixa de transformar o erro em identidade eterna.

PERDÃO NÃO É APROVAÇÃO

Podemos perdoar e ainda dizer:

“Esse comportamento não é aceitável.”

Podemos reconhecer a dignidade de alguém e estabelecer distância.

Podemos abandonar o ódio e procurar Justiça.

Podemos libertar nossa mente da condenação e manter consequências adequadas.

Perdoar não significa:

  • permitir abuso;
  • aceitar violência;
  • desistir de proteção;
  • impedir responsabilização;
  • permanecer em uma relação destrutiva;
  • negar os fatos;
  • confiar novamente sem critérios;
  • reconciliar-se obrigatoriamente.

O perdão é uma mudança na mente.

A reconciliação é uma decisão relacional que depende de condições concretas, segurança e disposição das pessoas envolvidas.

PERDÃO E RECONCILIAÇÃO NÃO SÃO A MESMA COISA

Essa distinção é importante.

Podemos perdoar interiormente sem restabelecer contato.

Uma relação pode ter terminado por razões legítimas.

A confiança pode precisar ser reconstruída gradualmente.

Em alguns casos, a retomada do convívio não é segura nem recomendável.

O perdão liberta a mente da necessidade de transformar o outro em inimigo eterno.

Ele não obriga a reabrir portas que precisam permanecer fechadas.

O PERDÃO ABRE A PORTA DA PRISÃO

A lição utiliza a imagem da prisão.

Quando condenamos alguém, construímos uma cela mental.

Dentro dela, colocamos a imagem que criamos da pessoa.

Dizemos:

“Você será para sempre aquilo que fez.”

“Nunca permitirei que sua identidade mude.”

“Quero conservar sua culpa.”

Mas, para manter o prisioneiro dentro da cela, precisamos permanecer como guardas.

Vigiamos a história.

Repetimos as acusações.

Revivemos o acontecimento.

Procuramos novas provas.

A condenação nos prende à mesma prisão que construímos para o outro.

O CARCEREIRO TAMBÉM NÃO É LIVRE

O ego acredita que manter alguém culpado nos protege.

Ele afirma:

“Se eu abandonar a condenação, ficarei vulnerável.”

“Minha raiva impede que isso aconteça novamente.”

“Preciso conservar a mágoa para lembrar.”

Mas podemos preservar o aprendizado sem preservar a prisão.

Podemos lembrar:

  • os sinais de perigo;
  • os limites necessários;
  • as consequências;
  • o que aprendemos;
  • as mudanças que precisamos realizar.

Não precisamos manter o ódio para manter a sabedoria.

Ao libertar o outro da condenação eterna, deixamos também de ser carcereiros.

LIBERTAR NÃO É ESQUECER

Perdoar não significa apagar a memória.

Não precisamos fingir que nada aconteceu.

Uma experiência pode ser lembrada com clareza e ainda deixar de dominar nossa identidade.

A mente curada pode dizer:

“Eu me recordo, aprendi e estabeleci limites, mas não quero continuar vivendo dentro desse acontecimento.”

Esquecer pode ser impossível ou inadequado.

O objetivo é mudar a função da memória.

Em vez de instrumento de condenação, ela pode tornar-se fonte de aprendizado e discernimento.

LIBERTAR NÃO É NEGAR A DOR

A dor precisa ser reconhecida.

O perdão não exige pressa.

Uma pessoa que sofreu violência, abuso, traição ou trauma pode precisar de tempo, proteção e apoio profissional.

Não é útil dizer:

“Você já deveria ter perdoado.”

Essa pressão transforma o perdão em outra forma de violência.

O perdão verdadeiro não é imposto.

Ele pode começar com uma disposição muito pequena:

“Não quero carregar esta condenação para sempre, mesmo que ainda não saiba como abandoná-la.”

O PERDÃO É UM PROCESSO

Às vezes, acreditamos que perdoar é tomar uma decisão única e nunca mais sentir dor ou raiva.

Mas a mente pode precisar escolher novamente muitas vezes.

Uma lembrança reaparece.

O ressentimento retorna.

A sensação de injustiça cresce.

Isso não significa que o perdão fracassou.

Significa que outra camada da experiência está sendo apresentada à cura.

Podemos dizer:

“Hoje volto a oferecer esta memória para outra interpretação.”

DEUS NÃO PRECISA PERDOAR

No pensamento do Curso, Deus não vê Seus Filhos como pecadores condenados.

Por isso, o perdão é uma função necessária no mundo da percepção, não no Céu.

Deus não precisa abandonar uma condenação que nunca estabeleceu.

Somos nós que acreditamos na culpa e, portanto, precisamos de um caminho para desfazê-la.

O perdão é esse caminho.

Ele atua onde a mente acredita que:

  • a separação é real;
  • o pecado alterou a criação;
  • a culpa precisa de punição;
  • o ataque pode proteger;
  • o passado determina a Identidade.

O PERDÃO DESFAZ O QUE NÃO É VERDADEIRO

O perdão não cria a inocência.

Ele remove os julgamentos que a escondiam.

Não cria a unidade.

Ele desfaz a percepção de separação.

Não fabrica o Amor.

Ele retira as barreiras que impediam sua consciência.

Por isso, nossa função não é produzir a verdade.

É deixar de sustentar aquilo que a encobre.

A VONTADE DE DEUS É NOSSA LIBERDADE

Quando pensamos em cumprir a Vontade de Deus, talvez sintamos medo.

O ego imagina:

“Deus pedirá algo que eu não quero.”

“Terei que sacrificar minha felicidade.”

“Perderei minha liberdade.”

Mas a função dada por Deus não nos aprisiona.

Ela nos liberta das identidades de:

  • vítima permanente;
  • culpado;
  • acusador;
  • juiz;
  • mártir;
  • salvador pessoal;
  • inimigo;
  • carcereiro.

Cumprir nossa função é aceitar a liberdade que a condenação escondia.

NOSSA FUNÇÃO COMPLETA NOSSO PROPÓSITO

A mente sente-se vazia quando procura significado apenas nas formas.

Uma conquista produz satisfação por algum tempo.

Depois surge outra meta.

Um reconhecimento parece preencher.

Depois aparece o medo de perdê-lo.

Nossa função oferece um propósito que pode acompanhar qualquer atividade.

Não precisamos abandonar a vida comum.

Podemos levar o perdão:

  • para a família;
  • para os negócios;
  • para a profissão;
  • para a criação artística;
  • para as decisões financeiras;
  • para as relações;
  • para o cuidado com o corpo;
  • para nossa comunicação.

A forma muda.

O propósito permanece.

PERDOAR OS OUTROS E PERDOAR A NÓS MESMOS

Não podemos excluir a nós mesmos do perdão.

Algumas pessoas são mais capazes de compreender os erros dos outros do que os próprios.

Pensam:

“Todos merecem uma nova oportunidade, menos eu.”

Mas essa exceção mantém a culpa como verdade.

Autoperdão não significa evitar responsabilidade.

Significa reconhecer:

“Posso aprender sem fazer da autopunição meu caminho.”

Se o perdão é verdadeiro, precisa incluir todos.

A AUTOPUNIÇÃO NÃO É CORREÇÃO

A mente pode acreditar:

“Se eu parar de me culpar, repetirei o erro.”

Mas culpa e aprendizagem não são a mesma coisa.

A culpa fixa a atenção na identidade:

“Sou uma pessoa ruim.”

A correção olha para a ação:

“O que preciso reconhecer, reparar e mudar?”

A culpa prende.

A correção orienta.

A culpa exige sofrimento.

A correção exige responsabilidade.

PERDOAR A SI MESMO NÃO APAGA CONSEQUÊNCIAS

Podemos perdoar a nós mesmos e ainda:

  • admitir o erro;
  • pedir desculpas;
  • devolver o que foi retirado;
  • reparar um prejuízo;
  • aceitar consequências;
  • modificar hábitos;
  • buscar tratamento;
  • aprender novas habilidades;
  • reconstruir confiança com paciência.

O perdão não remove a responsabilidade.

Ele remove a condenação que torna a mudança aparentemente impossível.

A FUNÇÃO NÃO É JULGAR

Quando vemos um erro, o ego imediatamente assume o papel de juiz.

Ele pensa:

“Se eu não condenar, ninguém corrigirá isso.”

Mas julgamento e discernimento não são iguais.

O discernimento reconhece:

“Esse comportamento produziu dano e precisa ser interrompido.”

O julgamento condenatório afirma:

“Essa pessoa é apenas o seu erro e não possui possibilidade de correção.”

Nossa função não é decretar identidades eternas.

É permitir que a percepção seja guiada pela verdade e pelo Amor.

O JULGAMENTO TENTA SUBSTITUIR DEUS

Quando julgamos, afirmamos conhecer toda a história.

A mente pensa:

“Sei exatamente por que essa pessoa agiu assim.”

“Sei tudo o que ela é.”

“Sei qual punição merece.”

Mas nossa percepção é limitada.

Não conhecemos todas as causas, medos, experiências e escolhas presentes na mente do outro.

Isso não impede decisões práticas.

Podemos reconhecer comportamentos e consequências sem pretender conhecer toda a realidade de alguém.

O PERDÃO DEVOLVE O FUTURO

A condenação utiliza o passado para determinar o futuro.

Ela diz:

“Você fez isso, portanto sempre será assim.”

O perdão abre uma possibilidade:

“O passado aconteceu, mas não precisa estabelecer sozinho tudo o que virá.”

Isso vale para os outros e para nós.

Podemos ter repetido um padrão por anos.

Ainda assim, uma nova escolha pode começar agora.

O perdão devolve à mente a possibilidade de mudança.

O PERDÃO E OS LIMITES

Um limite saudável pode ser uma expressão do perdão.

Ao dizer não, podemos interromper uma dinâmica que prejudica todos os envolvidos.

Um limite pode afirmar:

“Não participarei mais desse padrão.”

Isso não precisa significar:

“Você é indigno de amor.”

Podemos proteger o corpo, o tempo, os recursos e a saúde emocional sem transformar proteção em vingança.

O PERDÃO E A JUSTIÇA

Buscar Justiça não precisa ser incompatível com o perdão.

No nível do mundo, leis e consequências podem proteger pessoas e impedir novos danos.

A questão é o propósito interior.

Podemos buscar uma resposta justa para:

  • proteger;
  • reparar;
  • interromper o dano;
  • responsabilizar;
  • prevenir repetição.

Ou podemos desejar apenas humilhar e destruir.

O perdão não impede a Justiça.

Ele pede que a Justiça não seja confundida com ódio.

O PERDÃO E A CONFIANÇA

Perdoar não significa confiar automaticamente.

A confiança humana pode depender de:

  • reconhecimento do erro;
  • mudança consistente;
  • honestidade;
  • tempo;
  • reparação;
  • respeito aos limites.

Podemos perdoar interiormente e reconhecer que a confiança ainda não foi reconstruída.

Isso não é falta de espiritualidade.

É discernimento.

NOSSA FUNÇÃO EM CADA ENCONTRO

Cada encontro oferece uma oportunidade de escolher entre duas funções.

Podemos usar alguém para reforçar:

  • culpa;
  • medo;
  • comparação;
  • superioridade;
  • inferioridade;
  • separação.

Ou podemos permitir que o encontro ensine:

  • perdão;
  • dignidade;
  • igualdade;
  • clareza;
  • limites;
  • paz.

Nem todo encontro precisa tornar-se amizade.

Mas todos podem ser usados para libertar nossa percepção.

QUANDO ALGUÉM NOS IRRITA

A irritação pode indicar que atribuímos ao outro o poder de determinar nossa paz.

A mente diz:

“Ela está me fazendo sentir assim.”

Talvez o comportamento seja realmente inadequado.

Mas podemos perguntar:

“Que julgamento estou acrescentando?”

Talvez pensemos:

“Ela sempre será assim.”

“Pessoas como ela não têm valor.”

“Preciso destruí-la mentalmente para me proteger.”

A prática separa o limite necessário da condenação desnecessária.

QUANDO QUEREMOS ESTAR CERTOS

O ego acredita que estar certo é uma forma de segurança.

Ele diz:

“Se eu provar que estou certo, encontrarei paz.”

Mas frequentemente a vitória mantém o conflito.

Podemos estar corretos sobre os fatos e ainda usar essa correção para atacar.

Nossa função não exige negar a verdade factual.

Ela pede que não transformemos os fatos em armas destinadas a destruir a dignidade do outro.

A FUNÇÃO É CUMPRIDA AGORA

Não precisamos esperar uma oportunidade extraordinária.

Nossa função pode ser cumprida neste instante.

Talvez exista alguém que estamos julgando.

Uma lembrança que repetimos.

Uma culpa que mantemos.

Uma conversa que adiamos.

Uma imagem de nós mesmos que precisa ser entregue.

O perdão começa onde estamos.

COMO PRATICAR A LIÇÃO 192

PELA MANHÃ

Antes de iniciar suas atividades, diga:

Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

Permaneça alguns instantes em silêncio.

Depois recorde:

“Minha função é o perdão.”

Não tente decidir antecipadamente todas as formas que o perdão assumirá.

Peça apenas disposição para reconhecer as oportunidades do dia.

ESCOLHA UMA PESSOA

Pense em alguém que ainda ocupa sua mente através de:

  • mágoa;
  • medo;
  • culpa;
  • comparação;
  • cobrança;
  • ressentimento.

Não force o perdão completo.

Diga:

“Estou disposto a não transformar esta pessoa em seu erro.”

Se ainda não conseguir, diga:

“Estou disposto a querer estar disposto.”

DURANTE O DIA

Quando houver conflito, pergunte:

  • O que precisa ser reconhecido?
  • Existe um limite necessário?
  • Estou buscando correção ou punição?
  • Estou aprisionando alguém em uma identidade?
  • Que julgamento posso entregar?
  • Como o perdão poderia manifestar-se aqui?

QUANDO VOCÊ ERRAR

Não esconda o erro.

Não o transforme em identidade.

Pergunte:

  • O que posso aprender?
  • O que preciso reparar?
  • Que mudança concreta devo realizar?
  • Posso abandonar a autopunição depois de assumir responsabilidade?

À NOITE

Revise gentilmente:

  • Onde tive uma oportunidade de perdoar?
  • Mantive alguém preso ao passado?
  • Confundi perdão com reconciliação?
  • Coloquei algum limite sem atacar?
  • Transformei um erro em identidade?
  • Perdoei a mim mesmo?
  • Usei a culpa para evitar uma correção concreta?
  • Permiti que uma memória recebesse outra função?

Finalize repetindo a ideia.

MICROPRÁTICA DE 60 SEGUNDOS

0–15 SEGUNDOS

Pense na situação que perturbou sua paz.

Reconheça os fatos e a emoção.

15–30 SEGUNDOS

Observe o julgamento acrescentado:

“Ela é imperdoável.”

“Nunca mudarei.”

“Isso define tudo.”

30–45 SEGUNDOS

Diga:

“Posso reconhecer o erro sem transformá-lo em identidade.”

45–60 SEGUNDOS

Recorde:

Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

Escolha um pensamento ou uma ação que sirva ao perdão.

PRÁTICA COM UMA PESSOA DIFÍCIL

Traga alguém à mente.

Complete:

“O comportamento que precisa ser reconhecido é…”

Depois:

“O limite necessário é…”

Finalmente:

“O julgamento que não preciso conservar é…”

Essa sequência ajuda a diferenciar:

  • fato;
  • proteção;
  • condenação.

Perdoar não exige confundir essas três coisas.

PRÁTICA COM UMA CULPA ANTIGA

Pense em algo que você ainda não perdoou em si mesmo.

Pergunte:

  • Reconheci o erro?
  • Pedi desculpas?
  • Reparei o que era possível?
  • Aprendi alguma coisa?
  • Continuo me punindo porque acredito que sofrer prova arrependimento?
  • A autopunição está beneficiando alguém?

Depois diga:

“Aceito a correção e libero a condenação.”

PRÁTICA ANTES DE UMA CONVERSA

Antes de falar com alguém com quem existe conflito, defina seu propósito.

Pergunte:

  • Quero esclarecer ou vencer?
  • Quero ouvir ou apenas acusar?
  • Quero estabelecer um limite ou provocar culpa?
  • Estou aberto à correção da minha própria percepção?
  • Posso preservar a dignidade de todos?

Leve essas perguntas para a conversa.

PRÁTICA DIANTE DE UMA OFENSA

Se alguém disser ou fizer algo que desperte raiva, não se obrigue a perdoar imediatamente.

Primeiro, faça uma pausa.

Reconheça a emoção.

Proteja-se, se necessário.

Depois pergunte:

“Qual resposta interrompe o dano sem prolongar o ataque?”

Talvez seja:

  • silenciar;
  • afastar-se;
  • dizer não;
  • pedir esclarecimento;
  • procurar ajuda;
  • responder depois;
  • registrar o ocorrido;
  • estabelecer uma consequência.

O perdão não elimina a ação.

Ele muda seu propósito.

EXERCÍCIO — AS PRISÕES QUE CONSTRUÍ

Pegue uma folha e escreva:

“QUEM AINDA MANTENHO PRESO AO PASSADO?”

Liste nomes ou situações.

Ao lado, escreva o rótulo atribuído:

  • egoísta;
  • traidor;
  • irresponsável;
  • cruel;
  • indigno;
  • incapaz;
  • imperdoável.

Depois pergunte:

  • Esse rótulo descreve um comportamento ou toda a pessoa?
  • O limite ainda é necessário?
  • Posso conservar o aprendizado sem conservar a condenação?
  • Como essa prisão afeta minha própria mente?

Finalize:

“Ao abrir a prisão mental, também deixo de ser seu carcereiro.”

EXERCÍCIO — PERDÃO, LIMITE E RECONCILIAÇÃO

Divida uma folha em três partes.

PERDÃO

Que julgamento interior estou disposto a entregar?

LIMITE

Que proteção ou consequência continua necessária?

RECONCILIAÇÃO

Existe segurança, arrependimento, reparação e mudança suficientes para retomar a relação?

Esse exercício impede que conceitos diferentes sejam confundidos.

EXERCÍCIO — MINHA FUNÇÃO NESTA SITUAÇÃO

Escolha um conflito e responda:

  • Qual é o fato?
  • Qual é minha interpretação?
  • Que emoção sinto?
  • O que precisa ser protegido?
  • O que pode ser corrigido?
  • Que julgamento mantém a prisão?
  • Qual seria uma resposta sem ataque?
  • O que posso entregar ao Espírito Santo?

Não tente resolver tudo imediatamente.

Escolha apenas o próximo passo.

EXERCÍCIO — O QUE PRECISO PERDOAR EM MIM?

Complete:

“AINDA ME CONDENO POR…”

Depois escreva:

“A CORREÇÃO POSSÍVEL É…”

E finalize:

“A PUNIÇÃO QUE POSSO ABANDONAR É…”

A correção olha para o futuro.

A punição tenta manter o passado continuamente presente.

O QUE OBSERVAR HOJE

Observe quando a mente disser:

  • “Nunca perdoarei.”
  • “Se perdoar, estarei aprovando.”
  • “Preciso manter a raiva para me proteger.”
  • “Essa pessoa é apenas o seu erro.”
  • “Eu sou imperdoável.”
  • “Sofrer é a única forma de pagar.”
  • “Preciso confiar novamente para provar que perdoei.”
  • “Buscar Justiça significa escolher o ódio.”
  • “Perdoar exige esquecer.”
  • “Minha função é julgar quem merece amor.”

Esses pensamentos confundem perdão com passividade ou absolvição do comportamento.

Podemos permitir uma compreensão mais clara.

FRASES PARA RECORDAR DURANTE O DIA

  • Minha função é o perdão.
  • Posso reconhecer o erro sem condenar a Identidade.
  • Perdão não significa aprovação.
  • Perdão e reconciliação não são a mesma coisa.
  • Posso colocar limites sem escolher o ódio.
  • A confiança pode precisar ser reconstruída.
  • Não preciso esquecer para libertar minha mente.
  • A correção não exige autopunição.
  • Ao libertar meu irmão, liberto também a mim mesmo.
  • Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

A LIÇÃO 192 E A LIÇÃO 191

Na Lição 191 afirmamos:

“Eu sou o próprio Filho santo de Deus.”

Agora reconhecemos a função que nasce dessa Identidade:

“Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.”

Primeiro, recordamos quem somos.

Depois, permitimos que essa lembrança transforme nossa maneira de ver.

Se somos o Filho santo de Deus, não podemos encontrar paz aprisionando nossos irmãos na culpa.

Ontem:

aceito minha Identidade.

Hoje:

cumpro minha função através do perdão.

O QUE VEM NA LIÇÃO 193

A próxima lição apresentará uma orientação capaz de ser aplicada a todas as experiências:

“Todas as coisas são lições que Deus quer que eu aprenda.”

Isso não significa que Deus envie tragédias ou sofrimento para ensinar.

Significa que o Espírito Santo pode utilizar tudo o que já aconteceu para conduzir a mente ao perdão.

Nenhuma situação precisa permanecer sem uma função de cura.

ORAÇÃO DE ENTREGA

Pai,

hoje quero aceitar
a função que me deste.

Não preciso inventar uma missão
para provar meu valor.

Não preciso realizar algo grandioso
aos olhos do mundo.

Minha função está diante de mim
em cada relacionamento,
em cada julgamento
e em cada oportunidade de escolher novamente.

Ensina-me o verdadeiro perdão.

Que eu não o confunda com passividade.

Que eu não utilize a espiritualidade
para negar a dor ou abandonar limites.

Ajuda-me a reconhecer os erros
sem transformar meus irmãos em seus erros.

Ajuda-me a buscar Justiça
sem fazer da vingança minha guia.

Que eu saiba proteger-me
sem construir uma prisão permanente em minha mente.

Mostra-me as pessoas
que ainda mantenho presas ao passado.

Mostra-me também
as culpas através das quais aprisionei a mim mesmo.

Que eu aceite a correção,
faça as reparações necessárias
e abandone a autopunição.

Hoje não quero ser juiz nem carcereiro.

Quero ser um aprendiz do perdão.

Que cada porta que eu abrir
liberte também minha própria mente.

Tenho uma função que queres que eu cumpra.

E aceito começar agora.

Amém.

FRASE PARA RECORDAR DURANTE O DIA

TENHO UMA FUNÇÃO QUE DEUS QUER QUE EU CUMPRA.

AO FINAL DO DIA

Antes de dormir, pergunte:

  • Em qual situação fui convidado a perdoar?
  • Confundi perdão com aprovação?
  • Mantive alguém preso a um antigo erro?
  • Consegui estabelecer um limite sem atacar?
  • Tentei apressar o perdão?
  • Usei a culpa para evitar uma correção?
  • Reconheci algo que preciso reparar?
  • Consegui libertar-me de algum julgamento?
  • Perdoei a mim mesmo?
  • Qual situação desejo entregar agora?

Não transforme essa revisão em outro tribunal.

A função é o perdão.

Por isso, a prática precisa incluir gentileza com o próprio processo.

LIÇÃO 192 — ESSÊNCIA

A ideia: Tenho uma função que Deus quer que eu cumpra.

A função: o perdão.

O propósito: libertar a percepção da culpa e da condenação.

A prisão: manter alguém identificado para sempre com seu erro.

O carcereiro: aquele que precisa conservar a história para sustentar a condenação.

A liberdade: liberar o julgamento sem abandonar o discernimento.

O cuidado: perdão não significa aprovação, esquecimento ou permanência em situações nocivas.

O limite: pode continuar necessário depois do perdão.

A reconciliação: depende de segurança, responsabilidade, mudança e reconstrução da confiança.

O autoperdão: permite correção sem autopunição.

A prática: distinguir fatos, limites e julgamentos.

A lembrança: ao libertarmos nossos irmãos da condenação, libertamos também nossa mente.

A MENSAGEM CENTRAL DE HOJE

Talvez tenhamos procurado nossa função em muitos lugares.

Em uma profissão.

Em uma missão especial.

Em um reconhecimento público.

Em uma grande realização.

Mas a função dada por Deus pode ser cumprida exatamente onde estamos.

Ela aparece quando uma memória antiga retorna.

Quando alguém nos irrita.

Quando cometemos um erro.

Quando precisamos estabelecer um limite.

Quando sentimos vontade de condenar.

Quando pensamos que uma pessoa nunca poderá mudar.

Nossa função é o perdão.

Isso não significa aprovar tudo.

Não significa esquecer.

Não significa reatar relações inseguras.

Não significa abandonar a Justiça.

Não significa permitir que alguém continue causando danos.

O perdão é a recusa em transformar um erro temporal em uma identidade eterna.

Podemos dizer:

“Isso aconteceu.”

“Isso produziu consequências.”

“Este limite é necessário.”

“Essa conduta precisa mudar.”

E ainda assim não concluir:

“Essa pessoa não é nada além do que fez.”

Ao condenar, construímos uma prisão.

Colocamos o outro dentro dela.

Mas precisamos permanecer como guardas, repetindo a história e vigiando a culpa.

Quando abrimos a porta, não libertamos apenas a imagem do outro.

Também podemos sair.

O perdão devolve o futuro.

Ele permite que a correção substitua a punição.

Permite que o aprendizado substitua a culpa.

Permite que a memória preserve a sabedoria sem preservar a ferida.

Hoje não precisamos perdoar tudo instantaneamente.

Podemos começar com uma pequena disposição:

“Não quero carregar esta condenação para sempre.”

Esse desejo já abre uma fresta na prisão.

Nossa função não precisa ser descoberta em um futuro distante.

Ela pode ser aceita agora:

TENHO UMA FUNÇÃO QUE DEUS QUER QUE EU CUMPRA.